Editorial

Rosália Amorim

Vacinar, sim. Defraudar expectativas, não

O que mais desejamos, além do fim da pandemia? Uma vacina. Rápida, eficaz, indolor. Os atrasos das farmacêuticas na entrega das vacinas à Europa trouxeram desânimo. Os adiamentos surtiram um efeito terrível em termos sociais e económicos. Agora, numa tentativa de reatar a confiança - e acreditando que, desta vez, as produtoras de vacinas vão cumprir com as entregas - , a União Europeia informou ontem que estima que em meados de março "tudo vai funcionar normalmente" na produção e na distribuição de vacinas contra a covid-19 nos Estados membros. Pela voz da comissária da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, soubemos que "a expectativa é que dentro de duas, três semanas, tudo vá funcionar normalmente com os níveis de produção e de distribuição muito mais fortes do que até agora". A comissária acredita que à medida que se alcance a "velocidade de cruzeiro" os países terão de concentrar-se na "capacidade" de administrar as vacinas à população, porque irão "chegar, chegar e chegar". A Europa deu luz verde a três vacinas, mas já admite recorrer também à fórmula russa, desde que se sujeite à verificação da Agência Europeia de Medicamentos.

Leonídio Paulo Ferreira

O fim da civilização dos tupperwares

Foi a Segunda Guerra Mundial que deu um grande empurrão ao uso do plástico. Apesar de materiais como o nylon ou o acrílico terem sido inventados uns anos antes, foi a sua utilização nos paraquedas e nos cockpits dos aviões que promoveu a produção em massa. E não admira que na América pós-1945 a ambição das famílias fosse ter a casa cheia de tupperwares, com a proliferação dos recipientes mundo fora a acontecer em paralelo com a das embalagens.

Opinião

Eutanásia com efeitos secundários

Foi o período mais negro das últimas décadas. Na última semana de janeiro, um mês depois do Natal, morreram em Portugal 4711 pessoas, quase metade delas vítimas de covid. Medidas de emergência todas ativadas, meios de socorro esgotados, pessoal e recursos dos hospitais para lá da linha vermelha. Enquanto isso, em São Bento - enquanto Portugal chorava os seus mortos e se afligia com os que estavam em risco de se somar a esse número terrível - 136 deputados aprovavam a despenalização da morte assistida.

Rosália Amorim

Turismo e viagens. Vacina para a confiança

Em Portugal registaram-se 214 óbitos, o número mais baixo dos últimos 18 dias. O número de infetados baixou na última semana (nas últimas 24 horas foram 6132 os casos novos), mas há mais internados em estado grave. A região de Lisboa e vale do Tejo - onde está instalada a redação do Diário de Notícias - continua a mais penalizada pela covid-19, com 5590 novos casos de infeção e mais 99 mortos. A região norte é a segunda mais atingida, mas com menos óbitos: 4778 novos casos e mais 44 mortos. No centro do país, contabilizaram-se nas últimas 24 horas 2481 novos casos e 48 mortos.

Rosália Amorim

A república, a ética e a moral

Ainda não é hora de baixar os braços. Muitos portugueses assinalam já a descida do número de infetados e de mortos por covid-19, em Portugal. Os casos baixaram do pico dos 15 mil para cerca de seis mil infetados por dia e as vidas perdidas já não são três centenas diárias, mas estão lá perto: 258. A estatística da pandemia continua a colocar-nos no patamar dos piores quando comparados com outros países do mundo. Ontem foi atingido um novo máximo nos cuidados intensivos: há 904 doentes nesses serviços de fim de linha. São dados oficiais e atualizados da Direção-Geral da Saúde que devem continuar a pôr-nos em sentido.

Rosália Amorim

Transparência, sim. Chico-espertismo, não

O chico-espertismo a que, atónitos, temos assistido quanto ao uso indevido e abusivo da vacina contra a covid-19 merece uma séria reflexão e envergonha-nos. E se houvesse humanidade entre todos? Esta pergunta, em jeito de brincadeira, foi lançada nas redes sociais. E a brincar dizem-se coisas sérias. Não é só a imunidade que falta entre os portugueses. A muitos falta um maior humanismo, um sentido de dever cívico e uma crença sincera de que se pode ser maior a servir o outro. A tudo isto poderíamos chamar ética.

Joana Petiz

Chega de navegar à vista

Não, ninguém inveja a posição de quem tem de tomar decisões neste momento. Quem está nessa posição, porém, e não a rejeitou, continua a ser responsável pelo que faz - e pelo que opta por não fazer. E não pode justificar-se com a dificuldade da posição em que aceitou estar e permanecer. O tempo de avaliar quem está aos comandos não é este. Mas é o de decidir e assumir responsabilidades. De dar a cara e as explicações - obrigação de quem se senta nessas cadeiras - em momentos de rutura como terça-feira à noite, quando, ignorados os avisos de quem está no terreno, o sistema de oxigénio de que depende mais de uma centena de doentes colapsou.

Rosália Amorim

Qual é o plano B na educação e na saúde?

Hoje só há uma certeza: é preciso achatar a curva de infetados e mortos por covid-19. Todos os esforços devem ser feitos nesse sentido. Dos transportes públicos ao teletrabalho, dos restaurantes às escolas. Não queremos perder mais portugueses para a morgue por causa da pandemia e da nova variante importada do Reino Unido. Um país onde falta população, e sobretudo população jovem, não pode dar-se ao luxo de continuar a perder pessoas ao ritmo a que está a acontecer, desde março do ano passado, catástrofe que se agudizou depois do Natal.

Rosália Amorim

Resistência e saúde mental

As imagens chocantes das filas de espera de ambulâncias com doentes com covid-19 nos principais hospitais públicos, em várias zonas do país, despertam sentimentos de revolta, impotência, culpabilização ou - pior, para algumas pessoas - até de banalização, dada a repetição destes acontecimentos, ao fim de quase um ano, mas agora de forma especialmente cruel com as urgências e os cuidados intensivos dos hospitais portugueses no limite da capacidade.