Daniel Deusdado

Daniel Deusdado

Covid: se as escolas falharem, a economia volta a parar

Nem a dificílima gestão da crise covid conseguiu amenizar o (intrínseco) trauma "défice" do Governo. Por vezes poupa-se onde é óbvio que se vai gastar muito mais a seguir. Desta vez parece estar iminente um falhanço enorme nas escolas - tal como aconteceu no surto de Lisboa ou nos lares. Liga todos estes casos o mesmo tópico: falta de recursos humanos. Vamos pagar a mais professores para estarem nas escolas ou aos pais para ficarem em casa com os filhos?

Daniel Deusdado

Os podcasts como fórmula de conhecimento: de Kamala à Antena 2

Depois dos livros, chegou a hora de os podcasts serem os nossos melhores amigos? Na semana passada, trouxe aqui o programa diário A Ronda da Noite, sobre livros e cultura, na Antena 2, mas neste agosto descobri as Grandes Batalhas da Antiguidade, também da Antena 2 (RTP Play ou Spotify). São 13 pérolas radiofónicas escritas pelo historiador Paulo Nazaré Santos e que vão desde a Batalha de Kadesh (1274 a. C.) até à Batalha dos Catalaúnicos (451 d. C.). A escrita de Paulo Nazaré Santos é absolutamente deslumbrante na criação das atmosferas e cenários de guerra enquanto a narração do João Almeida e a sonoplastia de Tomás Anahory são primorosas. Uma obra-prima da nossa cultura.

Opinião

Imunidade sem rebentar SNS: trabalhadores são os novos heróis

Os austríacos ou os checos são os mais inteligentes da pandemia? O modelo sueco falhou? É absurdo fazer contas a meio desta corrida. Uma coisa sabemos já: quem confinou mais cedo, acertou. Mas a resposta à segunda vaga não será certamente igual. As circunstâncias mudam todos os dias e informação vital aflui com novos dados. O confinamento está a criar a maior crise económica da História do mundo. Não é um problema de bolhas económicas ou correções financeiras. É outra coisa nunca antes vista: não-produção à escala global, apesar de continuarmos a consumir. Temos de lutar contra duas pandemias em simultâneo. Podemos?

Opinião

Camas e ventiladores x100, testes x1000. Vencer isto.

Estamos juntos nesta guerra, apocalipse, pandemia - todas as palavras estão certas. A situação é extrema e precisamos de passos de gigante. O que torna a covid-19 num surto insuportável? O número de vítimas. Como evitar isto? Com mais hospitais, ventiladores e assistência médica, a par de maior deteção precoce dos casos. A China construiu hospitais em duas semanas, em Wuhan, e cercou as linhas de propagação. Na Coreia do Sul o elevado número e a facilidade de testes têm sido decisivos. E Portugal? Oito tópicos na agenda:

Opinião

Taxa das celuloses: uma escandalosa guerra no Governo

Causa algum choque ler o editorial do Público de ontem sobre um tema crucial para o país - a floresta. Como assinalei há duas semanas, tudo começa com uma notícia da jornalista Helena Pereira, no próprio Público, a 30 de Dezembro, sobre o Governo se ter esquecido de criar uma taxa sobre as indústrias intensivas da floresta. A medida visaria financiar uma parte do Fundo Florestal Permanente cujo objetivo é dotar o país de um verdadeiro mosaico florestal e contribuir para os custos de prevenção contra incêndios.

Daniel Deusdado

Alfa, TGV e bitola: o país dos comboios debaixo de água

Passou uma semana mas não vai ser esquecido tão cedo. O dia mais crítico do ano para quem sai de Lisboa rumo ao Norte é a sexta-feira antes do Natal. O que sucedeu este ano? Não houve comboios. Já no dia anterior tinha havido cancelamentos e os Alfa Pendular e Intercidades só voltaram a circular na tarde de domingo, dia 22. Questão: como é que, em 2019, a principal linha ferroviária do país, a Linha do Norte, continua à mercê das cheias de Alfarelos ou do Vale do Tejo, depois de tantos milhões gastos?

Opinião

O pior é acreditarmos que não somos pobres porque somos bons

Talvez uma das imagens mais desarmantes da minha vida tenha acontecido em setembro de 2009. Estava a sair da fronteira do Nepal, por terra, e dirigia-me à primeira localidade indiana onde era possível apanhar um comboio para Nova Delhi. Eram já quase 22h quando fiz as últimas centenas de metros a pé até à estação. E aos poucos fui reparando que no viaduto por onde ia passando, exatamente por cima da linha dos comboios, em pleno passeio, se acomodavam dezenas e dezenas de pessoas, deitadas a dormir, a perder de vista até à gare.