Daniel Deusdado

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O futuro radioso: TAP, aeroporto, comboio...

1 Em poucos dias o ministro Pedro Nuno Santos atuou em três dossiês que vão ditar o futuro do país. O tema mais complexo é obviamente a TAP, onde se chegou a um surpreendente acordo com os sindicatos. O português médio olha e não acredita: depois de anos e anos de permanente turbulência e... afinal foi fácil. Os factos explicam-no: estamos a salvar uma companhia de bandeira com uma "tecnologia laboral" de tempos idos, ainda por cima numa empresa praticamente parada.

Daniel Deusdado

O desenho do confinamento: escolher entre mortes ou dívida

1. Os dados que a consultora PSE tem partilhado ajudam a explicar se a esmagadora maioria dos portugueses está a falhar neste segundo confinamento ou não. A resposta parece ser "não". No primeiro confinamento estavam em casa, em média, 65% a 70% dos portugueses. No domingo de Páscoa (12 de abril) chegou-se a um recorde: 79%. A verdade é que nas grandes cidades, onde os serviços imperam, a redução de atividade vê-se a olho nu (e nos telejornais). Mas não é assim onde predomina a indústria e a agricultura. Mais de um terço dos portugueses tiveram de trabalhar sempre, apesar da pandemia.

Daniel Deusdado

Quatro semanas sem escola. É mais do que urgente

No primeiro confinamento definiram-se quatro grupos-alvo: "serviços, comércio, restauração e hotelaria"/ "escolas"/ "indústria e construção"/ "produção essencial e exceções". Parámos os dois primeiros. O impacto foi enorme, mas os números nunca desceram o suficiente para chegarmos ao verão como um país aberto ao turismo. Hoje, com dez mil casos diários, e em cima das piores semanas hospitalares (gripes e pneumonias), arriscamos ainda mais: confinamos apenas o grupo "serviços, comércio e restauração". Deixamos de fora as "escolas". Acreditamos em milagres?

Opinião

Torre Bela é um escândalo mundial (mesmo que a BBC não tivesse notado)

Poderia ter acontecido noutro sítio? Há algo de muito errado a passar-se em Portugal e Espanha. Pode parecer demagógico trazer as touradas para o assustador crime da Torre Bela, mas talvez esta cultura de morte ajuda a entender quem são estas pessoas, quais os seus "hobbies" e porque aquele massacre lhes pareceu normal - ao ponto de tirarem fotografias em frente das centenas de animais mortos.

Daniel Deusdado

E se Rio, Catarina e Ventura fossem pedir o dinheiro​​​​​​​ a Ricardo Salgado?

Vamos brincar ao populismo? Comecemos então por dizer que o (alegadamente) criminoso Ricardo Salgado é o responsável por este país estar de rastos há seis anos. Que tal uma vigília à porta da casa do senhor para o colocar debaixo da ponte ou metê-lo na cadeia à força? E que tal nacionalizar tudo, dele e da família, e dos amigos, e dos amigos dos amigos por onde alguma vez circulou dinheiro, tudo isto sem tribunais nem julgamentos, e pegássemos nessa massa de liquidez e ajudássemos a pagar a dívida do Novo Banco? A arrecadação seria certamente superior a 476 milhões.

Daniel Deusdado

Covid: se as escolas falharem, a economia volta a parar

Nem a dificílima gestão da crise covid conseguiu amenizar o (intrínseco) trauma "défice" do Governo. Por vezes poupa-se onde é óbvio que se vai gastar muito mais a seguir. Desta vez parece estar iminente um falhanço enorme nas escolas - tal como aconteceu no surto de Lisboa ou nos lares. Liga todos estes casos o mesmo tópico: falta de recursos humanos. Vamos pagar a mais professores para estarem nas escolas ou aos pais para ficarem em casa com os filhos?

Daniel Deusdado

Os podcasts como fórmula de conhecimento: de Kamala à Antena 2

Depois dos livros, chegou a hora de os podcasts serem os nossos melhores amigos? Na semana passada, trouxe aqui o programa diário A Ronda da Noite, sobre livros e cultura, na Antena 2, mas neste agosto descobri as Grandes Batalhas da Antiguidade, também da Antena 2 (RTP Play ou Spotify). São 13 pérolas radiofónicas escritas pelo historiador Paulo Nazaré Santos e que vão desde a Batalha de Kadesh (1274 a. C.) até à Batalha dos Catalaúnicos (451 d. C.). A escrita de Paulo Nazaré Santos é absolutamente deslumbrante na criação das atmosferas e cenários de guerra enquanto a narração do João Almeida e a sonoplastia de Tomás Anahory são primorosas. Uma obra-prima da nossa cultura.