Assunção Cristas

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Nova Ocean – um novo contributo para o mar

Nesta terça-feira, dia 8 de junho, celebrou-se o Dia Mundial do Oceano. Feliz proximidade com o nosso dia nacional, de Portugal, de Camões, que cantou o oceano, e das comunidades portuguesas, que o oceano ajuda a ligar. Estamos também no mês dedicado ao mar no âmbito da presidência portuguesa, e ontem, num workshop na Nova School of Law, encerrado pelo enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Oceano, o embaixador Peter Thomson, tivemos o gosto de juntar mais um contributo da nossa faculdade para a agenda do oceano: a criação do Nova Ocean, um centro de conhecimento dedicado ao oceano.

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É preciso que os homens se ponham nos sapatos das mulheres

Quando finalmente chega a Portugal a onda do #MeToo, damo-nos conta de como ainda estamos longe de, coletivamente, conseguirmos abordar o tema pelo ângulo certo. Os comentários sucedem-se entre os pedidos de detalhe, numa deriva mais voyeurista do que verdadeiramente interessada, à perplexidade perante o facto de, aparentemente, os homens já não poderem ser "galãs", ou a confusão de temas e circunstâncias (um assédio na rua por um desconhecido é diferente de um assédio num contexto laboral). Mas há um denominador comum: uma parte muito relevante da sociedade, talvez a maior parte, ainda não consegue compreender o que se passa verdadeiramente quando uma mulher se sente assediada ou à beira de um assédio num contexto laboral. Essa circunstância desrespeita o mais profundo da sua dignidade, põe em causa direitos fundamentais básicos e inibe o seu pleno desenvolvimento como pessoa.

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Mãe em Portugal do século XXI

Aproveitando as primeiras noites desconfinadas, dei por mim numa sala de cinema a ver um filme "levezinho", porém sobre um tema que continua atual nos seus pontos mais profundos. Manual de uma boa esposa, de Martin Provost, com interpretação de Juliette Binoche, leva-nos à Alsácia francesa de 1967, nas vésperas do movimento estudantil do maio de 68. Ainda as letras da abertura correm e Juliette Binoche, no papel de diretora de uma escola de gestão doméstica, já nos está a explicar os sete pilares de uma boa esposa, risíveis aos dias de hoje. A formação das jovens adolescentes dura dois anos, findos os quais sairão preparadas para desempenhar as tarefas domésticas, cuidar dos filhos e serem companheiras do marido. O treino vai da culinária ao tratamento da roupa, passando pela higiene pessoal de todos os membros da família e pela contabilidade caseira.

Opinião

Por que ainda celebramos o dia da mulher

Há quase 2500 anos, na tragédia grega Antígona, Ismênia tentava convencer a sua irmã, a protagonista Antígona, de que seria melhor obedecer à lei imposta pelo tio. De entre os vários argumentos, invocava o de serem mulheres e como tal não poderem lutar contra os homens e as suas imposições. Antígona pagou a desobediência com a morte. O texto de Sófocles levanta muitas e interessantes questões e uma é sem dúvida a da incapacidade das mulheres numa sociedade dominada pelo poder dos homens.

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Teletrabalho: pensar e regular

Há muito tempo sou defensora do teletrabalho como uma forma relevante e positiva de organização atual do trabalho. Encontrava-lhe e encontro vantagens múltiplas como a melhoria da conciliação trabalho-família, a possibilidade de ocupar o território de forma mais equilibrada, promovendo a fixação fora dos grandes centros urbanos, ou a supressão de deslocações, com eficácia na gestão do tempo e impacto positivo no ambiente. Porém, sempre entendi que o centro da opção pelo teletrabalho deveria estar no trabalhador e na forma como este modo de trabalhar se ajusta ou não às suas condições e circunstâncias de vida muito concretas. Mesmo em tempo de normalidade, sem crianças com aulas à distância, a natureza das pessoas e a dinâmica própria de cada casa pode favorecer ou desaconselhar o teletrabalho.

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"As nossas direitas são diferentes"

Peço emprestado o título a Marcelo Rebelo de Sousa que explicou ao país com clareza e brilhantismo o que significa pertencer a uma direita da inclusão e do respeito pela centralidade da pessoa humana. Referiu-se aos princípios de uma direita social e deu exemplos muito práticos, que todos podemos entender, como a condenação da pena de morte e a rejeição da prisão perpétua. Neste último caso, de forma desassombrada e incomum, na qual, enquanto católica, me revejo particularmente: na crença inabalável de que qualquer ser humano pode, em qualquer momento da sua vida, arrepender-se, reconciliar-se e começar uma vida nova. De resto, a vida dos santos é abundante em exemplos, a começar por São Paulo.