Assunção Cristas

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Plano de Recuperação e Resiliência: os grandes ausentes

O Plano de Recuperação e Resiliência, com quase 14 mil milhões de euros associados, foi submetido a um breve período de discussão pública. Assenta toda a sua narrativa nos objetivos das transições climática e digital e da construção de uma economia e sociedade mais resilientes. Não creio que alguém discorde destes vetores: estão consensualizados em torno das exigências do clima e da evolução digital, que de resto conheceu um salto forçado em virtude da pandemia.

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Presidente reforçado

Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente da República com margem confortável para consolidar o seu espaço de manobra e reforçar a sua independência. Os votos vieram não apenas da área da sua família política de origem, PSD e CDS, mas também do PS mais moderado. Esta circunstância, se não lhe permitiu alcançar valores ainda mais expressivos, fruto também da pandemia, dá-lhe agora conforto para agir respaldado num consenso alargado do espaço democrático.

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Teletrabalho: pensar e regular

Há muito tempo sou defensora do teletrabalho como uma forma relevante e positiva de organização atual do trabalho. Encontrava-lhe e encontro vantagens múltiplas como a melhoria da conciliação trabalho-família, a possibilidade de ocupar o território de forma mais equilibrada, promovendo a fixação fora dos grandes centros urbanos, ou a supressão de deslocações, com eficácia na gestão do tempo e impacto positivo no ambiente. Porém, sempre entendi que o centro da opção pelo teletrabalho deveria estar no trabalhador e na forma como este modo de trabalhar se ajusta ou não às suas condições e circunstâncias de vida muito concretas. Mesmo em tempo de normalidade, sem crianças com aulas à distância, a natureza das pessoas e a dinâmica própria de cada casa pode favorecer ou desaconselhar o teletrabalho.