Trabalhadores da Groundforce com salário de fevereiro em atraso, diz sindicato

Sindicato revela que cerca de 2400 trabalhadores da Groundforce estão a ser informados pela empresa de que os salários de fevereiro não vão ser pagos nos próximos dias.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (STTAMP) denunciou esta sexta-feira que os cerca de 2400 trabalhadores da Groundforce estão a ser informados pela empresa de que os salários de fevereiro não vão ser pagos nos próximos dias.

"É lamentável que esta situação não tenha sido transmitida às organizações representativas dos trabalhadores em comunicação prévia face a um cenário de tal gravidade", sublinha o sindicato em comunicado, salientando que não se vislumbra o pagamento dos salários nos próximos 15 dias.

Na carta endereçada aos trabalhadores, e a que a Lusa teve acesso, o presidente do conselho de administração da Groundforce, Alfredo Casimiro, disse que a empresa não está em condições de pagar de momento os salários de fevereiro sem que esteja concluído o processo de empréstimo bancário.

Administração da empresa prevê que situação esteja resolvida nos próximos 15 dias

"De forma transparente, e usando de alguma prudência, prevemos que esta situação só seja resolvida e desbloqueada nos próximos 15 dias, pelo que, com os elementos que dispomos neste momento, só nessa altura teremos condições de efetuar o pagamento dos vencimentos do mês de fevereiro", adianta Alfredo Casimiro.

O presidente da empresa diz que até agora a Groundforce tem conseguido sobreviver com o apoio da TAP, cumprindo as obrigações mínimas através de adiantamentos sobre serviços e a prestar no futuro.

No entanto, "o Conselho de Administração da TAP informou hoje [quinta-feira] não lhes ser possível conceder este auxílio que, acreditamos, seria o último antes da contratualização do empréstimo bancário com garantia de Estado", refere Alfredo Casimiro na carta.

Hoje, em comunicado, o STTAMP recordou que a Groundforce "é uma empresa do grupo TAP participada pela companhia aérea em 49,9%, pelo que, causa espanto, que estando a companhia aérea em programa de ajuda financeira do Estado, faça repercutir as suas dificuldades financeiras diretamente numa empresa do grupo, sob forma de não pagamento das remunerações de cerca de 2.400 trabalhadores".

Os trabalhadores "não se conformam, nem aceitam que o pagamento dos salários dos trabalhadores possa estar refém de estratégias empresariais dos acionistas"

Sublinha igualmente que ao contrário da TAP, a Groundforce registava lucros operacionais em 31 de dezembro de 2019, tendo sido, no âmbito da sua atividade fortemente afetada pela pandemia de covid-19.

De acordo com o STTAMP, os trabalhadores "não se conformam, nem aceitam que o pagamento dos salários dos trabalhadores possa estar refém de estratégias empresariais dos acionistas, agravados pelo facto de nem o acionista TAP nem o privado terem, durante todos estes meses, procurado soluções com vista a garantir a sustentabilidade financeira da Groundforce".

A empresa, lembra o sindicato, viu-se obrigada no início do surto pandémico a suprimir centenas de empregos de trabalhadores que tinham sido recentemente contratados.

"A situação de não pagamento das remunerações de fevereiro terá um efeito social de enorme impacto"

O sindicato recorda que durante cerca de um ano os trabalhadores da Groundforce enfrentaram duras reduções salariais, entre outras medidas que foram sendo implementadas para garantir o equilíbrio financeiro e sustentabilidade futura da empresa.

"A situação de não pagamento das remunerações do mês de fevereiro terá um efeito social de enorme impacto, com consequências ainda por quantificar, agravando exponencialmente as dificuldades que já há meses se fazem sentir nos milhares de agregados familiares destes trabalhadores", é referido na nota.

Perante esta situação, os sindicatos representantes dos trabalhadores da empresa vão reunir-se de urgência no sábado para desenvolverem em conjunto de ações necessárias de forma a exigir respostas e soluções imediatas quer por parte da administração da empresa, quer por parte dos acionistas.

"Também o Estado Português será confrontado com esta situação, ao qual caberá também diligenciar no sentido de promover uma resolução que permita encontrar uma solução para o problema", indica ainda o sindicato.

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