Trabalhadores da Efacec cumprem nova greve para exigir intervenção do Governo na empresa

Pedem a intervenção do Governo na empresa para garantir a compra de matérias-primas e exigem a demissão da administração. Para o dia 16 de dezembro está prevista uma nova greve de duas horas.

Os trabalhadores da Efacec voltam esta quinta-feira a parar durante duas horas, entre as 14:00 e as 16:00, para exigir ao Governo a compra de matérias-primas e a demissão da administração e contestar a reprivatização da empresa.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (Site-Norte), à semelhança do que já aconteceu nas greves dos passados dias 10 e 30 de novembro, os trabalhadores irão concentrar-se na portaria principal da sede da Efacec, no polo da Arroteia, em São Mamede de Infesta, Matosinhos.

Na concentração participará a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, e o coordenador da Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Química, Farmacêutica, Elétrica, Energia e Minas (Fiequimetal), Rogério Silva.

Para o dia 16 de dezembro está prevista uma nova greve de duas horas, também entre as 14:00 e as 16:00.

Os protestos surgem na sequência de paragens forçadas de vários setores da empresa denunciadas pelo sindicato, segundo o qual a Efacec tem visto a capacidade de produção comprometida devido à falta de liquidez para adquirir matérias-primas e pagar a fornecedores.

"Falta de dinheiro para pagar aos fornecedores e para comprar matérias-primas"

O Site-Norte tem vindo a reclamar a intervenção do Governo, enquanto "dono da Efacec", para garantir que esta dispõe das matérias-primas necessárias para retomar a atividade com normalidade.

"O Estado, como dono da empresa, deve assumir o controlo da empresa com transparência e deve comprar matérias-primas para pôr a Efacec a trabalhar e a satisfazer as encomendas que tem em carteira", defendeu Miguel Moreira, em declarações à Lusa.

De acordo com o dirigente sindical, a "falta de dinheiro para pagar aos fornecedores e para comprar matérias-primas é uma situação recorrente na Efacec, que se vem arrastando há muito tempo, mas nos últimos meses agravou-se", levando à paragem de vários setores da empresa.

O sindicato garante que a greve de 30 de novembro registou uma "adesão maciça", obrigando à paragem da produção, mas a empresa assegurou que só aderiu ao protesto "8% do total" de funcionários.

Num comunicado então divulgado, a administração da Efacec afirmou que a empresa, "à semelhança de todo o tecido empresarial, também tem sentido o impacto global em todos os setores e áreas, devido à disrupção nas cadeias de abastecimento causada pela pandemia", mas garantiu que "a produção mantém um ritmo variável, dependendo das encomendas que tem em curso".

"A atividade comercial e a escolha dos nossos clientes são a prova evidente, assim como as receitas do grupo que serão superiores a centenas de milhões de euros", sustentou, salientando que "nenhuma empresa parada conquista novos clientes e tem receitas desta ordem de grandeza".

O Governo pretende que o processo de reprivatização dos 71,73% do capital social da Efacec atualmente nas mãos do Estado esteja concluído até ao final do ano, sendo que o grupo português DST SGPS foi o único a apresentar uma proposta final de compra, segundo anunciou recentemente a Parpública.

"Espero que possamos tomar uma decisão ainda antes do fim do ano", afirmou no passado dia 2 o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital.

Em declarações aos jornalistas no Ministério da Economia, Pedro Siza Vieira considerou que a empresa precisa "muito rapidamente" de uma decisão, recordando que o calendário de privatização previa que a decisão tivesse sido tomada no primeiro trimestre deste ano.

"Tínhamos um plano de tesouraria para esse período, disponibilizámos recursos para aquele período", prosseguiu, sendo que a demora no processo vai levar a "arranjar algum financiamento adicional até ao fecho da transação", acrescentou.

A entrada do Estado na Efacec decorreu da saída de Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, da esfera acionista, na sequência do envolvimento no caso 'Luanda Leaks', no qual o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou mais de 715 mil ficheiros que detalham alegados esquemas financeiros da empresária.

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