Reforçar apoio a mais de 17 mil doentes. O futuro da liga

Associação faz 75 anos a pensar no futuro. Chegar a todo o país e dar apoio domiciliário, com ajuda do IPO, são as duas apostas

Mais de 700 mil euros em apoio a doentes carenciados, 4800 consultas, 295 mil mamografias e 534 mil euros atribuídos a bolsas de investigação. Uma pequena parte do balanço de 2015 das atividades da Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC), que neste ano celebra 75 anos. Os pedidos de ajuda continuam a aumentar e, para 2016, o presidente Vítor Veloso não espera uma melhoria: são já mais de 17 mil os doentes que recebem ajuda, da alimentação ao transporte e compra de medicamentos. E há ideias para novos projetos.

Em Lisboa há uma iniciativa com o Instituto Português de Oncologia (IPO). "Ter apoio domiciliário é um objetivo. Estamos a desenvolver um projeto com o IPO, mas ainda não existe formalmente. Esperamos ter neste ano a equipa a funcionar e, a partir daí, criar outras semelhantes", explica Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da região sul da LPCC.

Nesta região, a maior em território, o desafio é estar presente em todas as capitais de distrito. "Estamos a fazer um esforço grande neste sentido. Inaugurámos em Setúbal um grupo de apoio e esperamos em breve fazer o mesmo no Algarve. Também estamos a fazer um esforço para abrir mais delegações, pequenas unidades só com voluntários, que podem estar em várias localidades. Queremos criar postos avançados para tornar os dois eixos estratégicos da liga - prevenção e apoio aos doentes - efetivos", diz.

Mas as dificuldades persistem. "Do ponto de vista económico e social continuamos na mesma. Os chamados pobres envergonhados, classe média, começam agora a pedir ajuda. Têm enorme dificuldade em expor-se, é uma fatia da população a que queremos dar conforto e fazemo-lo com discrição", diz ao DN Vítor Veloso, salientando que é uma das áreas do trabalho da liga que considera mais importantes.

No ano passado, a LPCC disponibilizou 757 mil euros para doentes mais carenciados. Ajuda na compra de medicamentos, próteses, mas também transporte e alimentação. Um acréscimo de perto de 19% em relação a 2014, ano em que a liga já ajudava mais de 17 mil doentes. E como os pedidos continuam a chegar, para este ano a instituição prevê aumentar em 20% o fundo para responder às necessidades dos doentes.

Esta não é a única preocupação. "Há perspetivas positivas no rastreio. O atual ministério conhece o terreno e tem obrigação de desencadear rapidamente a situação. À liga continuam a chegar queixas sobre tempos de espera para diagnóstico e cirurgia e acesso à medicação. Não podemos ter cidadãos de primeira e de segunda no SNS. Iremos transmitir ao ministério esta situação. Continua o problema de subfinanciamento na saúde, nomeadamente na oncologia, mas temos à frente do ministério pessoas muito positivas e com ideias", diz o presidente da liga.

O papel dos voluntários

Só no cancro da mama, um dos mais frequentes em Portugal, surgem por ano cerca de cinco mil novos casos, e o número de doentes continuará a aumentar, neste e noutros cancros, fruto do envelhecimento da população e dos estilos de vida. Chegar mais próximo dos doentes em todo o país só é possível com mais voluntários comunitários e equipas domiciliárias.

São mais de 22 mil. "Temos voluntários de competência, como psicólogos e juristas, o voluntariado comunitário, com ações de sensibilização para a participação no rastreio, e os voluntários hospitalares. Temos 17 serviços de voluntariado, de diferentes tipos, a funcionar no IPO e, nos últimos três anos, formámos 180 voluntários hospitalares", diz Cavaleiro Ferreira.

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