Recorde de casos sobe para 56 426. Já há mais de 2000 pessoas internadas

O boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde indica que foram registadas 34 mortes nas últimas 24 horas. Há ​2004 doentes internados, o número mais alto desde o dia 3 de março.

Portugal registou, nas últimas 24 horas, 56 426 novos casos de covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Trata-se de um máximo de infeções num só dia desde o início da pandemia, tendo sido batido o recorde de 52 549 comunicado no relatório de quarta-feira.

O Norte é a região do País com mais novas infeções nas últimas 24 horas, tendo sido registados 24 422 novos casos, seguido por Lisboa e Vale do Tejo com 17 341, Centro com 8253, Algarve com 2003, Alentejo com 1912, Madeira com 1381 e Açores com 1114.

O boletim desta quinta-feira (20 de janeiro) dá ainda conta de mais 34 mortes associadas à doença, sendo que a maior parte foi registada em Lisboa e Vale do Tejo, onde foram declarados 16 óbitos. No Norte houve 10 vítimas mortais, enquanto no Centro foram seis e na Madeira duas.

No que diz respeito à situação nos hospitais, há agora 2004 pessoas internadas devido à infeção (mais 45 que no dia anterior), das quais 152 estão em unidades de cuidados intensivos (menos uma).

A última vez que Portugal tinha tido mais de 2000 doentes internados foi a 3 de março de 2021, quando estavam hospitalizadas 2167 pessoas. No entanto, o número atual de internados em UCI é substancialmente inferior ao verificado na altura, que eram de 469.

Há a registar mais 28 301 casos de recuperação da covid-19. Quanto aos casos ativos há agora 384 568, mais 28 091 que no dia anterior.

Dados atualizados um dia depois de Portugal ultrapassar os dois milhões de infetados por SARS-CoV-2 desde o início da pandemia.

Número de casos dispara com a abertura das escolas

A abertura das escolas, a 10 de janeiro, fez disparar o número de casos positivos de covid-19. Ao DN, Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, confessou que o impacto do regresso às aulas presenciais no aumento abrupto de infeções surpreendeu a sua equipa, que faz a modelação da evolução da doença desde o início da pandemia.

"Não esperávamos um aumento tão significativo. As projeções que tínhamos feito até agora tinham por base a dinâmica das duas semanas de contenção, escolas abertas, mas bares e discotecas fechados e teletrabalho obrigatório, que era muito diferente do que se está a viver agora", afirmou. "Nas próximas semanas também se vai sentir o impacto da diversão noturna e do regresso ao trabalho", acrescentou.

Apenas em sete dias, e após análise dos números divulgados diariamente no boletim da DGS, o professor diz que só na faixa dos 0 aos 9 anos houve um aumento de 241% em termos de novos casos, especificando: "Se olharmos os números, observamos que, do dia 10 até ao dia 17, na faixa dos 0 aos 5 anos, o aumento de casos foi da ordem dos 236%, na faixa dos 6 aos 11 anos foi de 197% e na dos 12 aos 17 anos de 68%. Os dados nesta última faixa etária talvez possam ser explicados por os jovens estarem mais protegidos com a vacinação e serem obrigados a usar máscara e a estar mais distanciados".

Em números absolutos, disse, "o total de casos na faixa dos 0 aos 11 anos foi de 61 375, sendo que o maior número se registou na faixa dos 5 aos 11 anos, 41 mil". Em relação às faixas etárias dos 18 aos 29 anos e dos 50 aos 79 anos, Carlos Antunes conclui que "a infeção está estável, não se observando um aumento abrupto como nas outras".

Eleitores confinados vão poder votar. Médicos querem horários e locais próprios para isolados e escusa de responsabilidade

Os médicos de saúde pública recomendam horários e locais próprios de votação nas legislativas para quem está em isolamento, para evitar cruzamento de pessoas, e sugerem escusa de responsabilidade civil até final de fevereiro.

Num comunicado divulgado depois de o Governo ter anunciado, na quarta-feira, que as pessoas isoladas por causa da covid-19 vão poder ir votar presencialmente nas eleições legislativas de dia 30, a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) sublinha o "precedente evitável" da quebra do isolamento e diz que esta situação vai "condicionar novas dificuldades ao exercício profissional dos médicos de saúde pública".

"Somando-se à insuficiência de recursos e soluções logísticas para dar resposta ao número de casos de infeção SARS-CoV-2/covid-19 causados pela variante Ómicron, irá recomendar a todos os seus associados que peçam escusa de responsabilidade civil no seu exercício profissional e todos os conflitos legais decorrentes de atos de Autoridade de Saúde até ao final do mês de fevereiro de 2022", sublinha a nota.

Governo recomenda isolados a votarem entre as 18.00 e as 19.00 horas

Já esta quinta-feira, o Governo anunciou um conjunto de recomendações sobre o ato eleitoral do dia 30. Após a reunião do Conselho de Ministros, a ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunem, disse que "o Governo recomenda que quem esteja em confinamento utilize a janela horária entre as 18.00 e as 19.00 horas para votar". Quem o fizer, deverá usar máscaras "que confiram maior proteção", como as máscaras cirúrgicas ou FFP2.

Não podendo proibir os isolados de votar noutro horário, van Dunem acredita que "tal como noutras recomendações, o Governo está convencido de que os cidadãos vão dar uma prova de civismo", pedindo que "se cumpram as regras sanitárias". Além das máscaras e da higienização das mãos, "as pessoas devem levar a sua caneta para votar", apela.

Também esta quinta-feira, a DGS emitiu um parecer técnico sobre a votação de dia 30. Entre outras medidas, os cidadãos que forem votar não devem utilizar outras máscaras que não as cirúrgicas ou FP2. Além disso, as câmaras municipais devem distribuir equipamentos de proteção a quem se deslocar às mesas de voto sem máscara.

Por sua vez, os membros das mesas de voto deverão usar "máscara cirúrgica ou FP2, certificada e reutilizável", que deve ser trocada a cada quatro horas, tal como uma "bata com abertura atrás, de uso único e impermeável, manga comprida, punhos bem ajustados e que cubra toda a roupa".

Quem estiver isolado e for votar, deve usar máscara de forma permanente e deslocar-se para as mesas de voto a pé ou em transporte próprio. A utilização de transportes públicos não é recomendada.

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