Pressão sobre Cuidados Intensivos só permite desconfinamento em abril

Técnicos preveem que o número de internados nos cuidados intensivos só chegará a 200 no final de março. Este é o nível que o PR exige para dar como terminado o confinamento geral.

Os internamentos em cuidados intensivos só vão descer para o nível exigido pelo Presidente da República para se acabar com o confinamento geral - 200 - no final de março.

A certeza foi esta tarde avançada, em mais uma (a 16ª) reunião do Infarmed, por um responsável do Instituto Ricardo Jorge.

Baltazar Nunes afirmou que o número de doentes atualmente internados nos Cuidados Intensivos (627) é ainda "muito elevado". Em meio de março conta-se que esteja nos 320 e só no final de março deverá estar em 200, acrescentou - mas não sem, pelo meio, salientou que esta evolução é uma previsão que só se cumprirá se se mantiver o cumprimento das atuais medidas de confinamento.

"Temos de manter o estado de emergência e o confinamento, como os atuais, por mais quinze dias, e, apontar para prosseguir março fora no mesmo caminho, para não dar sinais errados para a Páscoa."

Em 11 de fevereiro, a propósito de mais uma renovação do estado de emergência, o Presidente da República apontou como metas até à Páscoa [4 de abril], que será no início de abril, reduzir o número de novos casos diários de infeção "para menos de dois mil", de modo a que "os internamentos e os cuidados intensivos desçam dos mais de cinco mil e mais de oitocentos agora para perto de um quarto desses valores".

Numa declaração a partir do Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa pediu que se procure uma estabilização "duradoura, sustentada, sem altos e baixos", colocando a propagação do vírus em "números europeus".

"Temos de manter o estado de emergência e o confinamento, como os atuais, por mais quinze dias, e, apontar para prosseguir março fora no mesmo caminho, para não dar sinais errados para a Páscoa", defendeu Marcelo Rebelo de Sousa.

Baltazar Nunes disse ainda que o Índice de Transmissibilidade ("R") do vírus Sars-Cov-2 atual, 0,67, é o valor mais baixo desde o início da pandemia, disse na reunião do Infarmed Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Atualmente, prosseguiu, Portugal tem o valor do R "mais baixo da Europa". Em todas as regiões esse valor é abaixo de 1.

Segundo acrescentou, deu-se no valor do R "uma descida muito acentuada" desde meados de janeiro, estando agora o valor estabilizado em torno de 0,66-0,68.

O mesmo técnico afirmou também que afirma que o covid é responsável por 64% do excesso de mortalidade que atualmente se verifica. Depois, 19% desse excesso de mortalidade é atribuível ao frio e em 7% "não se conseguiu localizar nenhum fator".

Em números absolutos, haverá cerca de 8900 mortos em excesso atribuíveis à pandemia e 2200 devido a temperaturas extremas.

Na mesma reunião, um outro especialista do Instituto Ricardo Jorge, João Paulo Gomes, avisou que a incidência da variante britânica do covid-19 terá tendência a "crescer exponencialmente" quando o país voltar a desconfinar.

Segundo afirmou, de 1 de dezembro até hoje a variante britânica já terá infetado em Portugal cerca de 150 mil pessoas. Do número total atual de infetados (80 642) cerca de metade (48%) será com esta variante do Sars-Cov-2.

"Se estas expectativas se mantiverem e se materializarem no futuro próximo, o período em que se poderá atingir os 70% de imunidade de grupo pode eventualmente reduzir-se e passar para meados do Verão, à volta de agosto ou inícios de agosto."

O médico salientou contudo que essa variante cresce atualmente muito menos do que no princípio - justificando isso com as medidas de confinamento. No princípio de dezembro, antes do confinamento, o número de infetados com a variante britânica duplicava todas as semanas. Atualmente já só cresce a valores entre 4% e 10%.

Já o vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da task force da vacinação, afirmou na mesma reunião que a imunidade de grupo pode chegar no início de agosto.

Segundo disse, "desde o dia 19 de fevereiro, a redução no primeiro trimestre continuou a confirmar-se apesar de ser menor". "No entanto, isso continua a fazer com que a primeira fase [de vacinação] ultrapasse o primeiro trimestre", disse, destacando, ainda assim, que há uma "expectativa mais positiva" em relação ao segundo, terceiro e quatro trimestres do ano.

"Se estas expectativas se mantiverem e se materializarem no futuro próximo, o período em que se poderá atingir os 70% de imunidade de grupo pode eventualmente reduzir-se e passar para meados do Verão, à volta de agosto ou inícios de agosto", afirmou.

O vice-almirante salientou porém que "isto são expectativas que ainda têm de se confirmar".

Afirmou, por outro lado, que o aumento da vacinação previsível no segundo trimestre exige "modelos alternativos" aos centros de saúde como locais exclusivos onde a vacina pode ser ministrada, "para que o processo decorra sem problemas na administração de vacina".

Implicitamente, o militar volta assim a sugerir que o processo deixe de ser um exclusivo do SNS, alargando-se, nomeadamente, às farmácias - e essa opinião parece ter o apoio do Presidente da República.

Segundo afirmou, 4,5% da população já recebeu uma dose da vacina e 2,7% as duas doses. Esta semana, acrescentou, 230 mil pessoas foram vacinadas. No segundo trimestre (abril, maio e junho), com as vacinas a chegarem em maior dose a Portugal, o objetivo é vacinar 100 mil pessoas por dia.

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