17 mortes nas últimas 24 horas. Internamentos voltam a descer após dois dias de aumento

Portugal registou mais 2232 casos de covid-19 nas últimas 24 horas. Há agora 829 pessoas internadas (menos 28 do que no dia anterior), 186 das quais em unidades de cuidados intensivos (menos três do que na véspera)

Portugal registou mais 2232 casos e 17 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta terça-feira, 10 de agosto.

O país contabiliza agora um total de 990 293 casos e 17 502 óbitos desde o início da pandemia.

Há agora 43 244 casos ativos de infeção por SARS-CoV-2, menos 1490 do que na véspera, quando já se tinha verificado uma diminuição.

Relativamente a hospitalizações, há agora 829 pessoas internadas (menos 28), 186 das quais em unidades de cuidados intensivos (menos três do que na véspera), o que contraria a tendência de subida registada nos dias anteriores.

O boletim da DGS aponta também que há mais 3705 recuperados da doença, num total de 929 547.

O Norte voltou a ser a região que registou mais novos casos (794), seguida de Lisboa e Vale do Tejo (747), Centro (307), Algarve (207), Alentejo (85), Açores (63) e Madeira (29).

Os óbitos foram distribuídos por Lisboa e Vale do Tejo (13), Norte (dois) e Alentejo (dois).

A taxa de incidência permanece em 341,4 casos por covid-19 por 100 mil habitantes no continente e em 336,1 a nível nacional.

Já o R(t) continua a 0,93 tanto a nível nacional como no continente.

DGS recomenda vacinação universal das crianças dos 12 aos 15 anos

A Direção-Geral da Saúde recomendou esta terça-feira a vacinação universal das crianças e jovens entre os 12 e os 15 anos, deixando assim de ficar circunscrita a situações específicas, como os casos em que têm doenças de risco.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou esta terça-feira em conferência de imprensa em Lisboa que "a DGS recomenda a vacinação de todos os adolescentes dos 12 aos 15 anos de idade", sem necessidade de indicação médica.

Graça Freitas explicou que a decisão surge depois de analisados "novos dados disponibilizados nos últimos dias", em concreto os impactos registados nos "mais de 15 milhões adolescentes vacinados nos Estados Unidos e na União Europeia" que revelaram ser "extremamente raros" os casos de miocardites e pericardites.

Tendo em conta os novos dados, a DGS decidiu então alargar a todos os jovens desta faixa etária a vacina contra a covid-19 que deverá começar a ser ministrada em breve.

"Está aberto o caminho para a vacinação", disse Graça Freitas, sublinhando que não se pode criar a "expectativa de que é hoje que começa", estando dependente do plano de vacinação da 'task force que coordena este processo.

Sobre a possibilidade de os mais novos - cerca de 400 mil - começarem a ser vacinados contra a covid-19 antes do arranque do ano letivo, Graça Freitas disse esperar que tal aconteça, mas caso arranque uns dias depois do início das aulas tal "não terá um impacto negativo importante" para a saúde.

Este grupo etário - entre os 12 e os 15 anos - terá de ser acompanhadas pelos pais ou representante legal para serem vacinados, acrescentou a responsável da DGS.

Tendo em conta os estudos feitos até ao momento, os jovens portugueses deverão ser vacinados com duas doses, sendo que serão utilizadas apenas as duas vacinas licenciadas para este grupo etário, sublinhou Graça Freitas.

Luís Graça, membro da Comissão Técnica de Vacinação Covid-19 e presente na conferência de imprensa, lembrou que nesta faixa etária os efeitos da doença são pouco graves e por isso a vacinação dos jovens tem como objetivo "reduzir a transmissão do vírus" e garantir o bem-estar deste grupo etário.

Luís Graça explicou que para este grupo etário que não tem outras doenças o "maior benefício que recebe [ao ser vacinado] é do seu bem-estar de saúde mental, social e educacional".

Sobre o facto de as autoridades de saúde terem começado por incluir no programa de vacinação contra a covid-19 apenas os jovens com doenças de risco e só passados 10 dias a ter alargado a todos, Graça Freitas explicou que a opção tem por base "aumentar a confiança" da população.

"Quando fazemos uma recomendação de vacinação é com base na confiança e na convicção de que os benefícios superam os riscos e que esses riscos são aceitáveis para a população", justificou.

A ideia foi corroborada por Luís Graça, que explicou que "Portugal está num grupo de países que teve uma atitude mais prudente antes de alargar esta decisão", sublinhando que "as decisões são feitas com prudência" para se "manter a confiança da população portuguesa".

O anúncio desta terça-feira da DGS surge depois de a autoridade nacional de saúde ter publicado uma norma sobre a vacinação de adolescentes dos 12 aos 15 anos com doenças de risco, na qual esclarecia que os jovens saudáveis não estavam incluídos na fase atual da vacinação, tendo que esperar pela calendarização da 'task force'.

Tanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como o coordenador da 'task force' do plano de vacinação contra a covid-19, Gouveia e Melo, defenderam a importância de vacinar os jovens a partir dos 12 anos.

O Presidente da República frisou na passada quinta-feira que o "fundamental" é que, "quanto à questão de princípio" da vacinação das crianças, não haja "nenhuma objeção definitiva", e reiterou que é preciso "deixar correr o tempo" para mostrar que, "aquilo que é bom neste momento na Madeira", -- onde está a decorrer a vacinação entre os 12 e os 15 anos -- "venha também a ser considerado bom nos Açores e no continente".

Na sexta-feira, o vice-almirante Gouveia e Melo considerou que "o tempo está a esgotar-se" para vacinar os adolescentes entre os 12 e os 15 anos, reconhecendo, no entanto, o "cuidado" da DGS em proteger os jovens.

Lambda. A variante sul-americana que está a deixar os especialistas preocupados

O mundo está a lutar contra a variante Delta, que tem uma prevalência de quase 100% na grande maioria dos países, mas os especialistas em doenças infecciosas norte-americanos também estão preocupados com a variante Lambda, identificada pela primeira vez no Peru em agosto de 2020.

Embora o sequenciamento genómico tenha identificado apenas 1060 casos até à data, alguns estudos indicam a capacidade putativa desta variante de aumentar a transmissibilidade e contrariar os efeitos dos anticorpos produzidos pelas vacinas.

A Organização Mundial da Saúde já definiu a Lambda como uma "variante de interesse", uma classificação inferior àquela que atribuiu à Delta, designada como "variante de preocupação".

A variante Lambda já foi detetada em 29 países, a maior parte do continente americano, como Chile, Peru, Estados Unidos, Equador e México - em Portugal são ainda muito poucos os casos. No entanto, já se registaram 13 casos em Itália, ainda que apenas um nas últimas quatro semanas. A sua prevalência global diminuiu em muitas zonas do mundo e não parece competir com a Delta, mas são as possíveis mutações que preocupam os especialistas.

A variante Lambda tem muitas mutações da variante original de Wuhan, incluindo sete na proteína spike, incluindo as T761, L452Q, que têm o poder de aumentar a transmissibilidade. Já a mutação RSYLTPGD246-253N tem o poder de escapar aos anticorpos criados pelas vacinas.

Um estudo da Escola de Medicina Mount Sinai, de Nova Iorque, indica que a variante mais resistente ao poder neutralizante dos anticorpos produzidos pelas vacinas foi precisamente a Lambda, seguida da Beta. No entanto, as vacinas de mRNA aparentam continuar a ser eficazes.

Já um estudo publicado a 19 de julho pela Escola de Medicina Grossman, da Universidade de Nova Iorque, mostra que algumas das variantes emergentes, incluindo a Lambda, poderiam escapar à proteção fornecida por uma única dose da vacina da Johnson & Johnson. Contudo, o relatório indica que as variantes Beta, Delta, Delta Plus e Lambda mostraram apenas uma resistência "modesta" contra os anticorpos das vacinas da Pfizer e da Moderna.

A variante Lambda está difundida sobretudo na América do Sul, onde a Delta não tem a mesma prevalência do que noutras zonas do globo, e tem-se disseminado essencialmente por países onde são geralmente aplicadas as vacinas chinesas Sinovac e CoronaVac, consideradas menos eficazes para travar a transmissão de infeções.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG