João Loureiro livre para deixar o Brasil após caso de avião com cocaína

A Polícia Federal brasileira revelou que nenhum passageiro ou tripulante da aeronave está impedido de sair do país.

João Loureiro e os restantes passageiros do voo intercetado na semana passada pela polícia brasileira com 500 quilos de cocaína, que tinha Portugal como destino, estão autorizados a deixar o Brasil, disse esta sexta-feira, à Lusa, a Polícia Federal brasileira.

Segundo informações da assessoria de comunicação da Polícia Federal em Salvador, cidade onde o caso ocorreu, nenhum passageiro ou tripulante da aeronave foi detido ou está impedido de sair do país. "Foram ouvidos até agora somente a tripulação, os pilotos e aeromoça [hospedeira], e o pessoal do hangar do aeroporto", disse a assessoria de comunicação.

Numa mensagem escrita enviada para o JN, João Loureiro esclareceu que não estava dentro do avião quando ele foi apreendido, uma vez que já tinha encontrado outra forma de regressar a Portugal. "Esteve previsto regressar nesse voo junto com outros passageiros mas já tinha desistido de o fazer bem antes da data prevista e de o assunto ser despoletado, tendo comunicado bem antes à empresa de aviação respetiva que iria regressar a Portugal num voo comercial através de um outro país europeu", declarou o ex-presidente do Boavista.

A assessoria de comunicação da Polícia Federal brasileira esclareceu entretanto que "alguns passageiros já voltaram para a Europa", enquanto "outros serão ouvidos hoje". "Nenhuma pessoa foi presa", garantiram.

Questionada sobre o caso e quais os suspeitos, as autoridades brasileiras limitaram-se a referir que "os factos ainda estão a ser analisados". "A investigação está em andamento, isso não está sendo informado em detalhes para não comprometer as investigações", completou a polícia.

O embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, disse à Lusa que "o assunto está em investigação pelas autoridades policiais brasileiras" e que a Embaixada de Portugal em Brasília não foi contactada pela polícia local.

Questionado se algum passageiro do voo procurou as autoridades portuguesas para pedir apoio, o diplomata explicou, sem dar maiores detalhes, que o piloto da aeronave contactou o Consulado de Portugal em Salvador.

"A única pessoa relacionada com este voo que contactou o Consulado, logo na altura [do facto], foi o comandante do avião. O comandante do avião pediu uma informação que lhe foi prestada. É o que eu posso dizer sobre o assunto. Todo o resto está a ser objeto de averiguações das autoridades policiais aqui do Brasil", concluiu.

Entretanto, à agência Lusa, João Loureiro reforçou a ideia já transmitida ao JN que ia regressar do Brasil para Portugal no avião onde foram apreendidos 500 quilos de cocaína, mas desistiu de o fazer antes desta apreensão, sendo "alheio" à situação.

O ex-presidente do Boavista referiu que, na altura da operação policial que culminou na apreensão da droga e que aconteceu em Salvador, estava em São Paulo. "E acredito que talvez o tenha sido devido ao meu pedido para que houvesse uma inspeção rigorosa ao avião", disse.

Dizendo-se "completamente alheio" ao que se passou, João Loureiro vincou que fez questão de por "mote próprio" falar com as autoridades brasileiras na qualidade de testemunha, antes de regressar a Portugal. Situação que "demorou mais um tempo" devido aos vários feriados de Carnaval naquele país.

João Loureiro confessou estar "tranquilo" desde então até agora e, por respeito às autoridades brasileiras e pelo segredo de justiça do processo, não prestará mais declarações públicas. "Aproveito ainda para agradecer profundamente as muitas mensagens de solidariedade que me têm chegado de Portugal", concluiu.

Dois dias depois da apreensão de droga, a administração da empresa portuguesa OMNI Aviação e Tecnologia explicou, em comunicado enviado à Lusa, ter sido contratada para fazer um voo executivo, com saída de Portugal e destino ao Brasil e, subsequente, regresso a Portugal poucos dias depois.

Os passageiros a bordo eram um cidadão português e um espanhol e a tripulação, composta por três pessoas.

Na nota de imprensa, a empresa esclareceu ainda que a informação de que dispunha era de que os passageiros viajavam por motivos profissionais, tendo o voo ocorrido a 27 de janeiro, depois de inicialmente previsto para 26.

"Sucede que, quando o voo saiu de Cascais ainda não havia a informação/publicação do Despacho nº 1125-D/2021, de 27 de janeiro, através do qual se procedia à suspensão de voos de e para o Brasil (a partir das 00:00 do dia 29 de janeiro", informou. Motivo pelo qual o voo de ida e regresso foi autorizado, acentuou.

Posteriormente, e tendo tomado conhecimento do despacho que punha em causa a autorização para o voo de regresso a 01 de fevereiro, a OMNI Aviação foi notificada para fazer novo pedido de autorização, mas como "voo de repatriamento".

Contudo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) recusou este pedido a 8 de fevereiro, um dia antes da apreensão da droga, por o voo não cumprir os requisitos de um "voo de repatriamento", aclarou a empresa.

No dia 9, a Polícia Federal do Brasil apreendeu meia tonelada de cocaína no avião particular que pretendia voar de Salvador para Portugal após o piloto da aeronave comunicar problemas nos comandos de voo da aeronave.

Mecânicos foram ao avião para verificar o problema, descobriram parte da droga e relataram à Polícia Federal. "Com o apoio de especialistas criminais federais e cães treinados para detetar drogas da Polícia Civil, foram encontrados na aeronave outros esconderijos onde estava o resto da droga", informou a Polícia Federal em nota.

A droga tinha sido dividida em embalagens com indicação de marcas desportivas famosas.

Embora não tenha produção própria de cocaína, o Brasil é um importante intermediário nas rotas de embarque para a Europa da droga produzida nos países andinos.

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