Governo quer 810 mil com vacinação completa no final de março. Todos os que têm mais de 80 anos incluídos na 1.ª fase

As pessoas com mais de 80 anos passam a integrar a primeira fase do plano de vacinação e cerca de mil titulares de cargos públicos, entre os quais os dos órgãos de soberania, começam a ser vacinados para a semana. Francisco Ramos traçou ainda o objetivo de até ao início de março ter pelo menos um ponto de vacinação em cada concelho do continente.

Todas as pessoas com mais de 80 anos de idade vão ser incluídas na primeira fase do plano de vacinação contra a covid-19, anunciou esta quinta-feira o coordenador do plano, Francisco Ramos.

Francisco Ramos considerou que esta é "provavelmente a mais importante" alteração ao plano de vacinação do país, uma decisão justificada pelo aumento da incidência da doença.

"Aquilo que fica integrado no plano é manter o grupo dos 50 aos 79 anos com as comorbilidades, mas incluir também nesta fase 1 todas as pessoas com mais de 80 anos, independentemente de qualquer comorbilidade ou patologia que tenham", adiantou Francisco Ramos, que falava em Lisboa durante a apresentação da atualização do plano de vacinação.

De acordo com a revisão, está prevista a vacinação ainda no decurso da primeira fase -- que se estende até abril - de 670 mil pessoas com 80 ou mais anos. A 'taskforce' responsável pelo processo estima que até ao final de março existam já 170 mil pessoas dentro deste grupo com a vacinação completa e outras 170 mil apenas com a primeira toma da vacina.

"Foi possível perceber neste tempo de pandemia que era importante incluir o grupo dos idosos com mais de 80 anos, em função dos níveis de evolução da pandemia e do nível de severidade atingido nesta altura", reiterou Francisco Ramos.

Paralelamente, o coordenador explicou a alteração introduzida no plano de vacinação com o reforço das metas definidas pela Comissão Europeia na última semana, que apontou à vacinação de pelo menos 80% das pessoas com mais de 80 anos e os profissionais de saúde contra a covid-19.

Portugal vai receber 2 214 000 doses até final de março

Francisco Ramos anunciou o objetivo do Governo na vacinação contra a covid-19: "810 mil pessoas com vacinação completa no final de março e 520 mil com a vacinação iniciada (com a primeira toma administrada)"

Até ao final de março espera-se 100 mil profissionais de saúde estejam vacinados, dos quais 90 mil com a vacinação completa. O objetivo passa também por ter "50 mil profissionais de saúde do setor social e privado, dos quais 30 mil com vacinação completa", disse ainda o coordenador do plano de vacinação

Já em relação ao grupo do qual fazem parte as Forças Armadas e os bombeiros, espera-se "41 mil vacinados dos quais 21 mil com vacinação completa" até ao final de março.

"Aquilo que temos garantido são 2 214 000 doses a receber até final de março. Para atingir este objetivo vamos precisar de 1 642 000 doses para vacinar por completo 800 mil pessoas e 520 mil para iniciar a vacinação. É possível atingir este objetivo com as doses que temos contratadas com a Pfizer, a Moderna e na expectativa de que a vacina da AstraZeneca seja aprovada", notou, assumindo que a aprovação possa ocorrer esta sexta-feira pela Agência Europeia do Medicamento (EMA).

Pessoas com mais 80 anos acamadas em casa vão receber vacina

Já sobre eventuais casos de pessoas com 80 ou mais anos que estejam acamadas em casa, Francisco Ramos assegurou que "haverá equipas de vacinação ao domicílio", mas salientou que se trata de "um esforço suplementar e que a nível local terão de ser encontradas essas soluções".

Com a atualização do plano de vacinação, estão abrangidas as entidades de serviços essenciais, com destaque para os órgãos de soberania.

"Estamos a falar de decisores indispensáveis para a nossa vida em comum em sociedade, estamos a falar de titulares de órgãos de soberania, de altos cargos com funções no quadro de emergência, responsáveis da proteção civil e ainda os altos dirigentes da Procuradoria-geral da República e do Ministério Público", detalhou sobre esta vacinação que começa já na próxima semana.

Estamos a falar nesta fase, fevereiro e março, de "mil pessoas", acrescentou.

Executivo quer ter "até ao início de março pelo menos um ponto de vacinação em cada concelho do continente"

Francisco Ramos falou ainda na abertura de pontos de vacinação, que começou hoje em formato de teste no primeiro ponto de vacinação em Lisboa e Vale do Tejo, e que será alargado a outras regiões, com o processo de marcação e de realização da vacinação, a partir da próxima semana.

"O objetivo é que haja até ao final de fevereiro pelo menos um ponto de vacinação em cada um agrupamento de centros de saúde e que até ao início de março haja pelo menos um ponto de vacinação em cada concelho do continente".

Informou que este será um processo "gradual" e que dependente da quantidade de vacinas disponíveis.

Centros de vacinação vão imprimir "maior velocidade e eficiência do processo de vacinação"

O coordenador do plano de vacinação revelou que está em preparação a criação de centros de vacinação, que "só serão necessários no final de março, princípio de abril quando tivermos condições para massificar a vacinação"

Disse tratar-se de um processo em marcha e que estão em preparação as normas da DGS, como por exemplo em relação aos requisitos, às infraestruturas, aos recursos humanos e aos aos circuitos de segurança.

Referiu que estes centros de vacinação vão imprimir "maior velocidade e aceleração e eficiência do processo de vacinação".

Haverá sempre marcação prévia da administração da vacina

Francisco Ramos afirmou que haverá sempre marcação prévia da administração da vacina e a convocatória será preferencialmente por mensagem SMS, com origem no número 2424.

O coordenador explicou que para as pessoas prioritárias, com comorbilidades, que não utilizam os centros de saúde, o que se desenvolveu "é uma declaração eletrónica passada pelo médico a atestar que as pessoas têm de facto essas patologias e que funciona como uma receita médica, não exigindo às pessoas qualquer deslocação".

"Se for possível ter um contacto telefónico com o médico para que emita essa declaração, o médico irá fazê-lo pelos meios eletrónicos, exatamente como se passasse uma receita médica. A pessoa será avisada através de um SMS, da mesma forma como recebemos uma SMS de uma receita médica", detalhou Francisco Ramos.

Essa informação, disse, "chegará depois aos serviços do Ministério da Saúde para promover a marcação" de uma consulta.

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