Emails podem ser fator de stress. Aprenda a desligar

Se o correio eletrónico está sempre acessível, é fácil cair no exagero na sua utilização

Tem o acesso aos emails sempre ligado e a primeira coisa que faz de manhã é verificar a sua caixa de correio eletrónico? Então tome nota, é bem possível que os seus níveis de stress estejam altos e, nesse caso, estatisticamente, faz parte de uma grande maioria.

É isso, pelo menos, que mostra uma estudo feito por psicólogos do Future Work Center, um instituto de investigação do Reino Unido que avalia novas formas de trabalho e comportamentos associados, e que verificou que a maioria das pessoas que utilizam email têm um alto nível de stress associado a essa atividade.

No entanto, isso não é uma fatalidade e a boa notícia, aqui, é que as coisas podem melhorar, bastando mudar alguns "maus hábitos" associados à utilização do correio eletrónico, como sublinha a equipa que desenvolveu o estudo. Basta, por exemplo, desligar o alerta de correio quando não está a trabalhar, ou começar o dia fazer outra coisa qualquer, de preferência mais saudável, como uma caminhada no parque, ou uma pequena corrida matinal.

Mudam-se os tempos

Os emails, com toda a sua comodidade, autonomia e rapidez, tornaram obsoletos os telegramas - ainda alguém se lembra? -, encurtaram as distâncias e encolheram o tempo, e são hoje uma ferramenta de trabalho imprescindível em quase todas as atividades e profissões, e também nas comunicações pessoais. Com a expansão dos dispositivos crescentemente sofisticados e portáteis, que são simultaneamente telemóvel, câmara digital e escritório de bolso, os emails passaram a estar acessíveis a toda a hora, para serem consultados, enviados, reenviados, respondidos...

Os números contam bem toda essa história de mudança rápida, em meia dúzia de anos, ou quase. Criado na década de 1970 para transmissão rápida de informação (nesses tempos pioneiros era necessário que ambos os lados, recetor e remetente, estivessem on line no momento da comunicação), o correio eletrónico desenvolveu-se bem depressa. Se nos primeiros tempos receber um email era uma festa, hoje eles caiem às centenas diariamente nas nossas caixas de correio eletrónico, o que só por si já é um fator de stress, como nota a equipa de Richard Mackinnon, do Future Work Center, que realizou o estudo.

Então, em números, é assim: em 2014 (o ano mais recente com dados disponíveis), havia 2,5 mil milhões de utilizadores de emails no mundo - mas é possível que ao ritmo a que as coisas andam ele já seja maior neste momento.

Em média, cada utilizador adulto gasta uma hora por dia com os emails e em 2014, ao todo, foram enviados 196,3 mil milhões de emails em todo o mundo, dos quais 108 mil milhões estavam relacionados com trabalho - ou seja, a maioria. Depois do telefone, o email vem em geral em segundo lugar nas preferências das pessoas para as suas comunicações, sobretudo porque ele se tornou acessível nos telemóveis.

Impactos na saúde

Foi um estudo publicado em agosto do ano passado na revista científica Chronobiology International, por psicólogos alemães da Universidade de Hamburgo, que levantou a questão do stress associado aos emails de trabalho, que são consultados fora do trabalho. E o que os autores desse trabalho mostraram, foi que essa prática, cada vez mais generalizada, aumenta os níveis da hormona do stresse cortisol no sangue, com um impacto mensurável na saúde e no bem-estar .

O trabalho agora realizado pelos psicólogos britânicos, que vai ser apresentado esta semana em Nottingham, na conferência anual da British Psychological Society, vem reforçar a mesma ideia e mostrar que a maioria das pessoas - 62%, de um total de dois mil inquiridos - mantém o email ligado e acessível 24 horas por dia, e que isso está associado a níveis de stress "tóxicos, com potencial impacto negativo, tanto no bem-estar das pessoas, como na sua produtividade", como nota a equipa de Richard Mackinnon. Conselhos? Segundo os autores do estudo, o mais importante é este: aprenda a desligar no tempo certo.

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