"É preciso garantir que prevalece a meritocracia"

Mariana Branquinho da Fonseca, board member da Professional Women"s Network (PWN) Lisbon, responsável pela dinamização e apresentação, no nosso mercado, do estudo Gender Diversity Index de 2020, fala ao DN sobre o papel da mulher no mercado português, as suas oportunidades e vantagens, assim como o perfil de liderança esperado em 2021 para lidar com os desafios colocados em contexto de crise pandémica.

O que é preciso fazer para mudar a igualdade no tecido empresarial europeu?
A situação nos países europeus é muito diversa, mas na essência eu diria que o que se tem de fazer ao nível da Europa não é diferente do que é preciso fazer ao nível de cada país, e em Portugal em particular: educar, formar, comunicar, dar visibilidade dos bons exemplos, e garantir que, independentemente do género, o que prevalece é a meritocracia.

O programa Women on Board identifica mulheres com o perfil de líderes. Que perfil de mulher vai liderar em 2021, em contexto de crise e pandemia?
Não faria uma distinção por género. O contexto que hoje vivemos tem com certeza um impacto significativo no perfil de liderança, já que as pessoas/equipas estão assustadas, apreensivas, inseguras. Hoje, mais do que nunca, valoriza-se uma liderança inclusiva, marcada por maior colaboração, maior agilidade, mais transparência, onde a segurança de cada colaborador passou a ser um tema prioritário. O líder tem de ser capaz de olhar para a individualidade de cada elemento da sua equipa, potenciar a contribuição de cada um, tirando partido dessa diversidade de pensamento ao mesmo tempo que promove uma abordagem muito mais colaborativa como garante para a tomada de melhores decisões e assegurar a resolução dos problemas complexos. Assim, no líder, são valorizadas características como autenticidade associada a uma certa humildade, sendo capaz de colocar o seu ego de lado para criar confiança; resiliência emocional, ou seja, a capacidade de manter a postura quando confrontado com as dificuldades e adversidades causadas pela diferença; autoconfiança e otimismo; flexibilidade, na medida em que se adapta à diferença e é capaz de tolerar a ambiguidade; e curiosidade, demonstrando empatia e abertura à diferença. No que respeita às competências, irão ser valorizadas a construção de confiança interpessoal (honestidade, procurando identificar pontos comuns ao mesmo tempo que valoriza perspetivas diferentes), integração de diferentes perspetivas (considerar vários pontos de vista e necessidades, gerindo o conflito de forma eficaz), otimização de talento (capacidade de motivação e desenvolvimento de talento, promovendo a colaboração através das diferenças); capacidade de adaptação (visão global, capaz de se adaptar às situações, inovando a partir das diferenças) e de transformação (coragem para enfrentar situações difíceis, persuasão e obtenção de resultados).

Em que posição se encontra Portugal no panorama europeu?
Portugal encontra-se numa posição em que ainda tem espaço significativo de melhoria, a vários níveis. Para além do género, são hoje questões estruturantes a integração de diferentes gerações e culturas, o acolhimento de millennials, as competências-chave para a permanente mudança, os novos segmentos de negócio, o ambiente tecnológico, as condições de trabalho remoto e a gestão de equipas à distância.

Qual o papel da PWN Lisbon na promoção da igualdade?
Na questão concreta da igualdade de oportunidades, a PWN Lisbon definiu uma "3 Grow Strategy", que se propõe: fazer crescer a PWN Lisbon, estabelecendo alianças e parcerias estratégicas; promover a igualdade de oportunidades de desenvolvimento profissional das mulheres, através de formação e orientação em liderança, programas de mentoring, empreendedorismo, networking e partilha de boas práticas; e disponibilizar mais evidência sobre o valor económico e social da diversidade de género. É no quadro deste contributo que a PWN Lisbon está hoje posicionada como stakeholder estratégico das organizações em Portugal.p>

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