Há mais 244 mil casos no total de infetados desde o início da pandemia

Uma revisão nos critérios de contabilização de infeções por covid-19 fez o total que o país somava desde o início da pandemia disparar. O total de infeções era ontem de 4 178 540 passou e hoje passou para 4 425 533. Ao todo, há mais 243 993 casos.

De um dia para o outro apareceram quase mais 244 mil casos de covid-19 no total dos registos diários publicados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), mais precisamente 243 993 casos. Em nota publicada no site oficial, a autoridade de saúde explica que foi feita uma revisão dos critérios de contabilização, passando a ser incluídos todos os casos suspeitos de reinfeções. "Todos os episódios de infeção, quer constituam uma primeira infeção ou uma suspeita de reinfeção" passam a integrar o total. De acordo com a DGS "é considerado caso de suspeita de reinfeção um caso de infeção de SARS-CoV-2 conforme a definição de caso em vigor, e com infeção prévia documentada no BI SINAVE há mais de 90 dias de uma nova data de diagnóstico". Na nota publicada, a autoridade de saúde refere ainda que esta revisão acontece por serem estas as normas seguidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Posteriormente à publicação dos dados diários, a DGS enviou um comunicado às redações em que referia haver mais 194 244 casos de reinfeção. No entanto, e segundo explicou ao DN o professor Carlos Antunes, que integra a equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que desde o início faz a modelação da evolução da doença, os 194 244 casos de reinfeção foram só os contabilizados até ao dia 11 de maio, portanto até quarta-feira da semana passada. "Se formos avaliar os dados de reinfeções até ao dia 17 de maio, terça-feira, temos um total de 212 132 e não de 194 244", sublinhou. "Se a este total de reinfeções juntarmos o total de casos divulgados ontem, mas referentes ao dia 18, 31 861, temos os tais 243 933 casos acrescentados ao total de casos, fazendo com que este passasse de 4 178 540 para 4 422 533".

A DGS refere que esta revisão de critérios tem a ver com as novas regras da OMS e o professor chama a atenção para o aumento de reinfeções provocado pela variante Ómicron, detetada na África da Sul, em dezembro de 2021. Segundo Carlos Antunes, a análise feita aos valores agora registados indica que a média diária de reinfeções é da ordem dos 11,5%, quando em janeiro era de 6%, destacando ainda que as reinfeções já representam 5,4% do total de casos de infeção.

Carlos Antunes referiu ainda ao DN que esta revisão de critérios fez aumentar o total de casos em vários dias espalhados ao longo tempo, "sobretudo a partir de janeiro deste ano". E dá vários exemplos em dias recentes quando comparou os ficheiros anteriores com o que foi publicado nesta quinta-feira. "Na semana passada, o ficheiro do dia 9 de maio tinha um valor da ordem dos 20 mil casos, o de hoje regista no mesmo dia 22 900". No entanto, nos últimos dias o total de casos contabilizados também disparou, o que pode querer dizer que, com a dominância da sublinhagem BA.5 da variante Ómicron, as reinfeções estão a ser mais frequentes.

"Para os dias 11 e 12 de maio, o registo da DGS dava conta de valores da ordem dos 24 mil casos, na série de hoje dá, para os mesmos dias, 27 mil e 29 mil. No registo de quarta-feira, que reportava os dados do dia anterior, dia 16, tínhamos 33 941 casos, no registo de hoje, e para este mesmo dia, aparecem 38 mil".

O professor dá ainda conta que a revisão no número de casos está espalhada por dias desde o final de dezembro, mas sobretudo a partir de janeiro, quando o país começou a sentir os efeitos da variante Ómicron, então ainda a linhagem BA.1. Na altura, já se sabia que se tratava de uma variante muito mais contagiosa do que a anterior, Delta, mas menos grave. Uma tendência que se tem verificado nas quatro sublinhagens que se seguiram à inicial e para as quais as vacinas não têm uma efetividade tão forte em relação à prevenção da transmissão da doença como tinham com as anteriores variantes.

Mas esta revisão, segundo explica Carlos Antunes, vai fazer disparar igualmente as taxas de incidência da doença e da positividade, quando estas forem atualizadas. Em relação à taxa de positividade, refere, "é possível perceber que na semana passada era de 42%, esta semana estava em 48% e com este acerto passou para 53%".

A revisão destes critérios faz com que o retratado do país seja diferente ao que se conhecia, já que, afinal, durante este tempo houve pessoas que foram infetadas mais do que uma vez.

Texto atualizado às 21.30

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