ASAE irá fiscalizar carne que foi importada do Brasil

Autoridades portuguesas dizem não haver perigo com os produtos importados mas reforçam a verificação como pediu a UE

Brigadas da ASAE irão fiscalizar a carne importada do Brasil nos últimos seis meses, na sequência da investigação brasileira que desmantelou uma rede de produtores que adulterava carne que, mercê de um esquema de subornos, não era devidamente fiscalizada. A Direção Geral Veterinária, forneceu à ASAE as empresas que fizeram importações, apesar de garantir que, até agora, não há nenhum indício de perigo. Portugal importou mais de 500 toneladas este ano, maioria de origem bovina, mas também aves, o que corresponde a 3,7% da carne importada pelo país.

"Não temos notícia que nenhum produto adulterado tenha entrado em Portugal", disse Capoulas Santos, ministro da Agricultura, reforçando a mensagem do diretor-geral de Alimentação e Veterinária. "Todos os produtos que entraram em Portugal apresentavam características absolutamente normais, portanto não há necessidade alguma de desencadear uma ação para os retirar do mercado", disse ontem Fernando Bernardo, acrescentando que as quatro empresas autorizadas a exportar para a Europa identificadas na fraude já estão "bloqueadas". "A carne em que foi detetado o uso de substâncias ilícitas, na maior parte, não veio para a Europa, foi para países asiáticos e do Médio Oriente", disse o responsável. Como a Comissão Europeia, determinou um reforço da fiscalização, a ASAE irá confirmar que a carne está em condições de ser consumida.

Europa atenta

Na Comissão Europeia, o tema é seguido com atenção. "Estamos a acompanhar de perto as investigações em curso no Brasil. Foi na sequência de uma intensa ação diplomática e em resposta a um pedido explícito europeu, que as autoridades brasileiras confirmaram a suspensão das licenças de exportação, dos estabelecimentos envolvidos no inquérito", disse ao DN Cecilia Malmstrom, comissária europeia do Comércio, que assegura que "um futuro acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul reforçará os elevados requisitos regulamentares e normas de segurança alimentar para as importações agrícolas".

No Brasil, as notícias de que a União Europeia, o Chile e Hong Kong, alguns dos maiores importadores de carne do país, estão a restringir a compra está a deixar o governo "muito preocupado", segundo o ministro da Agricultura. "A prioridade é conter danos a uma imagem de credibilidade que demoramos anos a construir", afirmou Blairo Maggi.

O presidente Michel Temer chegou a afirmar que as notícias são "embaraçosas" mas advertiu que o são, sobretudo, "por causa do tom alarmista da polícia federal". O executivo e os representantes dos produtores do terceiro setor mais importante para as exportações brasileiras, depois dos grãos e dos minérios, classificaram mesmo a conferência de imprensa em que os delegados de polícia anunciaram a Operação Carne Fraca como "populismo policial".

"Num universo de mais de 4000 plantas de produção de carne, 21 apresentaram problemas, dos mais de 11 mil inspetores sanitários, 33 estão sob investigação, devemos ter cuidado com as generalizações", disse Temer. A seguir, convidou embaixadores a almoçarem numa churrascaria de Brasília numa operação mediática que resultou em gaffe. Um empregado da Steak Bull disse após o almoço ao jornal O Estado de S. Paulo que o restaurante só trabalha com cortes europeu, australiano e uruguaio por serem de qualidade superior.

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