Modelo pioneiro de cuidados da doença de Alzheimer já chegou a Portugal

Grupo ORPEA abriu este ano a primeira Unidade Protegida para a Alzheimer e outras Demências de Portugal. Efeitos da pandemia foram uma das razões para a aposta.

Portugal é o quarto país com mais casos diagnosticados de demência, de acordo com o relatório "Health at a Glance 2017" da OCDE, sendo que mais de metade dos casos de demência no nosso país referem-se a pessoas com a doença de Alzheimer, cujo dia internacional se assinala hoje. Este foi um dos motivos que levou o Grupo ORPEA a apostar nos cuidados a estes doentes, tendo aberto em maio deste ano primeira Unidade Protegida para Alzheimer e outras Demências (UPAD) do nosso país. O objetivo da empresa é chegar às 3386 camas no nosso país nos próximos três anos.

"Nós fomos os primeiros a desenvolver este tipo de modelo de cuidados individualizados em Portugal, criámos a primeira Unidade Protegida para Alzheimer e outras Demências na cidade de Viseu, que está em funcionamento no mês de maio, e que pretende ser uma segunda casa para pessoas com Alzheimer ou outro tipo de demência e respetivas famílias", explicou ao DN Frederico Vidal, diretor operacional da ORPEA Portugal, não revelando, porém, o investimento feito neste projeto. "Esta aposta surge para responder a uma necessidade precipitada pela pandemia, que criou uma situação de isolamento prolongado e que levou à quebra de rotinas e das principais fontes de estímulo. Esta situação agravou a evolução de demências como a doença de Alzheimer", sublinhou o mesmo responsável.

Estas UPAD são unidades especializadas adaptadas à necessidade de cada doente contam com equipas multidisciplinares, especialistas em geriatria e doenças neurodegenerativas, compostas por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, entre outros. Uma das características diferenciadoras destes espaços é o uso de terapias não farmacológicas, como a reminiscência, a terapia animal com aves de rapina, musicoterapia ou videojogos.

A residência sénior do Grupo ORPEA na Povoa de Santa Iria também foi dotada já este ano com instalações a pensar nos doentes com demência, através da criação de uma sala Snoezelen. "Estas áreas são espaços interativos para estimular os sentidos. E, quando a doença está numa fase avançada, é difícil a pessoa entender o ambiente que a rodeia e conseguir expressar-se. É por isso que estímulos tão básicos como um aroma ou uma canção que evocam memórias, ou uma luz em movimento que desperta a curiosidade, representam um grande avanço", sublinhou Frederico Vidal.

Atualmente, o Grupo ORPEA tem 11 unidades em operação em Portugal, entre os quais o Hospital Nossa Senhora da Arrábida, em Azeitão, mas o objetivo é chegar às 24 residências seniores no nosso país. "Este plano está em linha com as necessidades do país ligadas ao envelhecimento da população. É uma expansão que aponta para 3386 camas nos próximos três anos, sendo que já estão 728 em operação", adiantou ao DN o diretor operacional da ORPEA Portugal. "Neste momento, as residências para seniores tornaram-se fundamentais para combater a doença de Alzheimer, devido ao número de idosos que vivem nesse tipo de centros no país. As residências ORPEA que vão ser construídas já irão incorporar técnicas inovadoras para amenizar os efeitos desta doença nos seus residentes, fruto da evolução na área da saúde que o setor tem vivido nos últimos anos", acrescentou o mesmo responsável.

Uma nova esperança

Um projeto de medicamento contra a doença de Alzheimer, a partir de uma pista pouco explorada, está a gerar tímidas esperanças de tratamento.

"Estes resultados são particularmente promissores e representam uma novidade a partir de vários pontos de vista", explicou à AFP Andrea Pfeifer, diretora da AC Immune, que está a desenvolver, em parceria com a Roche, um tratamento contra a demência. Os dois grupos já anunciaram resultados preliminares favoráveis, mas continuam em testes para determinar a eficácia do medicamento. O tratamento já foi administrado durante cerca de um ano em pacientes em estado avançado da doença.

O que torna este anúncio interessante é o facto de que a molécula que está a ser usada, a semorinemab, ter sido até agora pouco explorada para tentar alcançar um tratamento para a doença de Alzheimer, apesar de ser um anticorpo monoclonal parece concentrar-se na destruição de placas formadas por algumas proteínas, conhecidas como beta-amiloides, no cérebro dos pacientes. Ao comprimir os neurónios, essas placas são um dos grandes fatores da doença de Alzheimer.

Até agora, esta pista forneceu poucos resultados, com a exceção de um tratamento da Biogen autorizado este ano pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos, embora o seu interesse terapêutico não gere consenso.

ana.meireles@dn.pt

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