"A Estação Espacial é como uma mini ONU"

Charles Bolden falou sobre a primeira missão com um cosmonauta russo, a nomeação para administrador da NASA num período conturbado e o futuro cooperativo da exploração espacial.

Em 2009, Obama nomeou-o administrador da NASA. Chegou num período difícil, com cortes e novas estratégias...

O desafio, para mim, era que tinha sido decidido, antes de assumir o cargo, que iríamos sair de forma faseada do Shuttle. E a NASA iria ser relegada - pelo menos era esse o plano - a deixar o voo espacial humano e a simplesmente construir motores e fazer outras coisas.

Acabava o projeto Constellation, que pretendia criar uma nova geração de naves tripuladas para repetir a ida à Lua e chegar a Marte...

Íamos terminar o Constellation. Por isso, o meu trabalho era perceber como é que havia de dizer à força de trabalho da NASA que o programa de exploração espacial em que a NASA estava a trabalhar iria terminar, e que iríamos fasear o fim do Shuttle, que era algo que fazíamos há 30 anos. Não era uma grande mensagem aquela que me tinha sido pedido para entregar.

Tendo sido piloto, o fim do Space Shuttle terá sido muito difícil...

Emocionalmente foi muito difícil. De um ponto de vista prático e pragmático, depois de pensar nisso, não havia dúvida de que era a coisa certa a fazer. Muita gente disse que a decisão de fasear a saída do programa foi devido à segurança. Não era um veículo in-seguro. A NASA tinha construído o Shuttle para operar na órbita terrestre baixa e queríamos enviar humanos de volta à Lua e depois para Marte e outros sítios. O Space Shuttle não nos permitia fazer isso. Hoje, são os parceiros internacionais e o espaço comercial - empresas privadas, grandes companhias espaciais - que asseguram o transporte até à órbita baixa. E a NASA está a trabalhar nos veículos e capacidades para se chegar ao espaço profundo.

A Estação Espacial Internacional é um exemplo de que a cooperação entre Estados e com privados é a melhor estratégia?

Tenho uma neta de 18 anos e passo a vida a relembrá-la de que não respirou uma única vez, na sua vida toda, em que não houvesse seres humanos a viver e a trabalhar a mais de 400 quilómetros acima dela na Estação Espacial Internacional. Essa é a importância crítica da estação. É como uma mini Nações Unidas em órbita. E mostra o que pode ser feito pelas nações do mundo quando estas têm uma missão comum na qual se focam. A Rússia e os Estados Unidos são parceiros críticos na estação...

Comandou, em 1994, a primeira missão do Space Shuttle com um cosmonauta russo. Como foi?

Sergei Konstantinovich Krikalev. Foi fantástica. Uma experiência. Quando me disseram que ia comandar a primeira missão espacial americana e russa, respondi: "Têm o tipo errado. Sou um marine. Passei a vida a treinar para matá-los e eles a mim." Depois, organizaram um jantar em casa de um amigo comum. Falámos sobre as nossas famílias, os nossos filhos, aquilo que queríamos para o mundo. No dia seguinte, regressei ao trabalho e disse: "OK. Conseguimos fazer isto."

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