20 anos depois da Dolly, clones humanos ainda são ficção científica

A ovelha Dolly faz 20 anos na terça-feira. A clonagem de animais tem evoluído e nos últimos anos vários animais de espécies diferentes foram clonados

Passam 20 anos do nascimento da ovelha mais famosa do mundo. O nascimento de Dolly, o primeiro animal clonado, fez tremer governos e religiões, falou-se no fim do mundo, mas afinal a tecnologia utilizada ajudou a conhecer melhor as doenças e o início da vida.

Nascida a 5 de julho de 1996, o anúncio desta estranha forma de vida só aconteceu em fevereiro do ano seguinte, condenando "Dolly" a ser perseguida pelos "paparazzi".

Isto porque a ovelha nasceu graças à clonagem de uma célula adulta, um feito que chegou a ser comparado à bomba atómica e espoletou nos homens o medo de serem "copiados".

Aparentemente igual a todos os ovinos, esta ovelha nasceu mais igual do que as outras, pois era semelhante à dadora da célula adulta que foi introduzida numa outra sem núcleo e de cuja junção resultou um embrião.

Esse embrião foi posteriormente implantado numa "ovelha de aluguer", que deu à luz a famosa Dolly. O seu nome foi uma homenagem à cantora Dolly Parton, conhecida pelo seu proeminente peito.

Esta ovelha não foi o primeiro mamífero clonado, mas teve a particularidade de ser o primeiro a nascer através da transferência nuclear de uma célula (mamária) adulta (de uma ovelha com seis anos).

Desde o nascimento da Dolly vários outros animais, principalmente mamíferos, foram clonados. Cinco porcos foram clonados em 2000, o gato Copycat e o macaco Andi foram clonados em 2001, a mula Idaho Gem foi clonada em 2003 e moscas da fruta foram clonadas em 2004.

Nos últimos anos, cães, veados, cavalos, burros, vacas, coelhos e ratos foram clonados. Chega a tornar-se difícil manter o registo das espécies clonadas e, segundo o jornal britânico The Guardian, uma empresa chinesa já anunciou mesmo que vai vender carne de vacas clonadas. Em 2008, a Food and Drug Administration - o organismo que regula a alimentação e os medicamentos administrados nos EUA - considerou mesmo que consumir carne de animais clonados era seguro.

Já Dolly, a ovelha, morreu a 4 de fevereiro de 2003, com seis anos, e o seu corpo empalhado foi exposto no Royal Museum of Scotland, em Edimburgo.

"A Dolly é uma lembrança do registo científico da Escócia, e o seu sucesso e contribuição serão reconhecidos por muitos séculos", afirmou o diretor do museu, Gordon Rintoul, à BBC, na altura.

As galerias do museu foram fechadas em 2014 e, nesta semana do aniversário da ovelha, vão voltar a abrir.

O professor de Genética Molecular, Carolino Monteiro, destacou à Lusa as investigações que surgiram após a criação de Dolly, como ao nível das células estaminais, da sua existência e utilização, das aplicações ao nível da regeneração de tecidos e órgãos.

Dolly "ajudou a conhecer as doenças, o próprio fenómeno do início da vida e como os genes funcionam", concluiu.

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