Um dos irmãos detidos tinha documentos belgas falsos

Dois irmãos lusodescendentes foram investigados por suspeita de ligação ao radicalismo islâmico, que a PJ, por agora, descarta

Um dos irmãos detidos na Guarda pela PJ, por posse ilegal de armas, tinha documentos belgas falsos, um cartão de identidade e uma carta de condução. José Gonçalves, de 27 anos e Olivier Gonçalves, de 23, são lusodescendentes, com residência em França e foram detidos na passada sexta-feira, depois de os inspetores da Judiciária ter encontrado na sua casa duas pistolas, munições, um punhal e um aerossol. Na viatura do mais velho foi encontrado um exemplar do livro sagrado islâmico, o Corão, que justificou com a sua conversão ao islamismo há quatro anos.

No entanto, este fato fez desencadear uma averiguação imediata para despistar possíveis ligações ao radicalismo islâmico. Ontem à tarde a Direção Nacional da PJ refutou essa ligação, depois de falar com as congéneres europeias.

Fontes policiais que conhecem a investigação adiantaram ao DN que foram feitos pedidos de informação a França, a Espanha e à Bélgica, os países com a maiores bases de dados de terrorismo. As autoridades francesas apenas tinham registo dos irmãos por crimes comuns, como furto, roubo ou uso de documento falso, sem nenhuma referência a ligações com o jihadismo. Espanha não tinha qualquer registo criminal de José e Olivier, mas confirmou, através dos meios eletrónicos de monitorização das fronteiras, que os irmãos tinham passado naquele país em novembro, nos seus BMW, com matrícula francesa, em direção a Portugal. Da Bélgica, que também não tinha qualquer registo de ligações a organizações radicais islâmicas, veio a confirmação que os documentos de identidade belgas eram falsos.

Esta investigação, que foi ontem noticiada pelo JN e pela SIC Notícias, começou em janeiro último, quando o mais velho dos irmãos se deslocou ao hospital da Guarda, com um ferimento de bala numa coxa, o qual terá justificado como um disparo acidental sobre si próprio. Embora as informações não tenham confirmado ligações terroristas, o inquérito deverá manter-se aberto para uma investigação mais profunda às atividades dos dois irmãos.

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