PSD implica Costa em tentativas de condicionamento da liberdade de expressão 

E mantém intenção de ouvir explicações de João Soares no Parlamento

O PSD defendeu hoje que o caso que levou à demissão de João Soares se enquadra numa "escola" do Governo de lidar mal com a crítica e implicou o primeiro-ministro em tentativas de condicionamento da liberdade de expressão.

Esta posição foi transmitida aos jornalistas pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que anunciou que este partido mantém, por isso, os pedidos de audição do ex-ministro da Cultura, do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da diretora do Público.

"A questão política relevante mantém-se, e essa tem que ver com a forma como o Governo, a começar pelo primeiro-ministro, se relaciona com a crítica que vem do exercício da liberdade de expressão, seja de alguns cidadãos, seja de profissionais da comunicação social", afirmou Luís Montenegro, nos Passos Perdidos da Assembleia da República.

O social-democrata implicou António Costa em dois episódios: "Esta postura do Governo, infelizmente, tem feito escola porque ela vem também muito do primeiro-ministro, alguém que ainda recentemente também tentou condicionar a opinião de um jornalista através de um SMS e alguém que esteve aqui neste lugar, exatamente onde eu me encontro agora, a instar os senhores jornalistas a não fazerem perguntas ao maior partido da oposição por causa daquela que era a nossa posição sobre o Orçamento do Estado".

O CDS-PP considerou a demissão do ministro da Cultura, "inevitável", reiterando que João Soares protagonizou um episódio "lamentável" ao ameaçar dar "umas bofetadas salutares" a dois críticos.

"Como ontem [quinta-feira] dissemos considerámos este episódio lamentável e que não deveria ter acontecido. E, por isso, parece-nos esta demissão do doutor João Soares inevitável, sobretudo depois das declarações do doutor António Costa", afirmou o deputado do CDS-PP António Carlos Monteiro, em declarações aos jornalistas no parlamento.

O deputado democrata-cristão fez também votos para que o Governo aproveite esta oportunidade para passar "a ter um ministro da Cultura", porque até agora só se tinha ouvido falar do titular da pasta "por motivos que não têm a ver com a Cultura".

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