PSD censura João Soares mas não pede demissão

PSD diz que são "declarações inqualificáveis". À esquerda, há quem peça a demissão. Ministro prometeu "bofetadas" a colunistas

Através de Hugo Soares, vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata, o PSD disse que as declarações do ministro da Cultura - prometendo no Facebook bofetadas a dois colunistas do Público que o criticaram - demonstram que os socialistas se comportam como "donos disto tudo".

"O PS não pode invocar a ética republicana e depois agir assim", disse ainda o deputado, recordando o caso antigo de um SMS muito agressivo de António Costa, ainda na oposição, a um jornalista do Expresso que o criticara.

Hugo Soares rejeitou, no entanto, ir ao ponto de colocar o seu partido a pedir a demissão do ministro, dizendo que os membros do PSD que o fizeram atuaram apenas a título "pessoal" e "não vinculam" o partido.

O comentário de Hugo Soares refere-se à reação de Sérgio Azevedo, outro vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, que pediu a demissão do ministro da Cultura: "Um ministro (sim com m pequeno, minúsculo) que promete "bofetadas" a um crítico, para além de ser um tipo pequenino, só tem um caminho: a demissão!", escreveu o deputado nas redes sociais.

Outro deputado do PSD, Duarte Marques, antigo presidente da JSD, também na sua página do Facebook, defendeu outra resposta a dar a João Soares. "A melhor forma de reagir não é pedir a demissão ou responder na mesma moeda mas sim partilhar este artigo e fugir à mordaça." O artigo em causa é o de Augusto M. Seabra, "'Tempo velho' na Cultura", que esteve na origem da polémica promessa de Soares.

À esquerda, também há quem peça a demissão do ministro da Cultura. O comentador e jornalista, Daniel Oliveira, escreveu na sua página do Facebook que "um ministro que ameaça fisicamente quem o critica não pode ser ministro".

Segundo o jornal i, João Soares não tem, no entanto, intenção de se demitir e não vê motivos para sair do cargo.

As "salutares bofetadas"

O ministro da Cultura prometeu umas "salutares bofetadas" a dois colunistas do jornal Público, depois de não ter gostado de ler uma crítica de Augusto M. Seabra nas páginas daquele jornal, em que o crítico e programador desanca na política de "tempo velho" do Governo socialista, que já vinha de antes das eleições, com António Costa a considerar o setor da cultura "como ornamento" e que é concretizada por um gabinete que, "no caso" de João Soares, "trata-se de uma confraria de socialistas e maçons".

O ministro Soares não se ficou. Num post madrugador escrito esta quinta-feira na sua página do Facebook, o governante afirmou: "Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Não me cuzei [sic] com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas continuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia. Ele tinha, então, bolçado sobre mim umas aleivosias e calunias. Agora volta a bolçar, no "Publico" [sic]. É estória de "tempo velho" na cultura."

Citando "uma amiga" não nomeável, Soares partiu para o insulto: "Vale o que vale, isto é: nada vale, pois o combustível que o faz escrever é o azedume, o álcool e a consequente degradação cerebral. Eis o verdadeiro vampiro, pois alimenta-se do trabalho (para ele sempre mau) dos outros."

A rematar, João Soares escreve: "Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também".

Os visados já reagiram. Contactado pela Lusa, Vasco Pulido Valente disse apenas uma frase: "Cá fico à espera das bofetadas". Já Augusto M. Seabra considerou "inqualificável" a "ameaça de agressão física do ministro da Cultura João Soares". Para este colunista, a reação de João Soares "atenta contra a liberdade de expressão e os direitos constitucionais dos cidadãos".

Também João Soares já falou acerca do seu polémico post. " Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Não reagi a opiniões, reagi a insultos. Peço desculpa se os assustei", disse ao Expresso através de SMS.

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