Primeiro-ministro quer administrador da EDP na Cultura

José Manuel dos Santos é quem António Costa quer para substituir João Soares a liderar a Cultura e a Comunicação Social

José Manuel dos Santos é quem António Costa quer ver agora a ocupar a pasta da Cultura. Amigo do primeiro-ministro, militante do PS, administrador da Fundação EDP, assessor cultural dos presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio, José Manuel dos Santos foi abordado pelo chefe do governo quando Costa soube que João Soares se ia demitir.

Mas está a resistir muito porque o cargo nada tem de atrativo comparado com as funções que ocupa na Fundação EDP. O Orçamento do Estado é escasso - e quase que definitivamente devotado à RTP, agora na tutela do ministério - e as pressões do setor são muitas, sobretudo depois de quatro anos à míngua.
António Costa, pelo seu lado, já decidiu dar tempo ao tempo: na segunda-feira voará para Atenas, regressando a Lisboa na terça-feira ao fim da manhã. E só depois arrumará de vez o assunto.
A demissão de João Soares deixou António Costa sozinho, ontem à noite, na inauguração de uma obra do artista britânico Liam Gillick no Museu de Serralves.

José Manuel dos Santos, antigo cronista do Expresso e do Jornal de Letras, também apresentou programas de cultura e língua portuguesa na RTP. Tem um percurso reconhecido como programador cultural e está há vários anos na Fundação EDP.

O ano é de transformação na Fundação EDP, com a abertura do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia prevista para setembro. O MAAT, uma obra da autoria da arquiteta britânica Amanda Levete, que albergará exposições de arte contemporânea internacionais e será um palco privilegiado para mostrar a coleção da Fundação EDP, cujo crescimento tem sido acompanhado de perto por José Manuel dos Santos.

Muitos nomes

À indecisão de José Manuel dos Santos soma-se a especulação nos bastidores da Cultura. O regresso à pasta da agora deputada socialista Gabriela Canavilhas, o ex-administrador da Fundação Calouste Gulbenkian António Pinto Ribeiro, à frente do projeto Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura, ou o ex-secretário de Estado da Cultura do governo de António Guterres, Rui Vieira Nery, cuja nomeação foi apontada quando o atual primeiro-ministro tomou posse. Simonetta Luz Afonso, antiga presidente do Instituto Camões e presidente da Assembleia Municipal de Lisboa quando António Costa liderava a autarquia, é outro dos nomes apontados.

"Faz falta ler o programa do PS"

O musicólogo, que esteve ao lado de António Costa na candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO e na campanha eleitoral, escreveu ontem no Facebook um longo texto sobre o que falta na Cultura. "Faz falta pensar as políticas culturais como uma responsabilidade partilhada de vários ministérios, articulada e agilizada pelo Ministério da Cultura e envolvendo fontes múltiplas de financiamento nacionais e comunitárias. Faz falta identificar, também na esfera da Cultura, as competências próprias e inalienáveis de regulação do Estado central e aquelas que importa transferir para órgãos de decisão de maior proximidade mas de âmbito regional, pondo fim a um centralismo abusivo sem cair numa municipalização fragmentadora. Faz falta definir novos modelos solidários e eficazes de parceria entre o Estado e os criadores e produtores culturais. Faz falta - já agora - ler, perceber e cumprir o programa do governo para a Cultura, em que todas estas prioridades estão expressamente elencadas. O resto - decididamente - não faz falta nenhuma."

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