MNE: Entrega de relatório do Pentágono sobre as Lajes "não é o fim da linha"

Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que entrega de relatório ao Congresso é apenas um "processo interno" dos EUA

O ministro Augusto Santos Silva afirmou esta quarta-feira que "seria um erro enorme" Portugal "dar como concluído" o processo de redução da presença americana nas Lajes, após a entrega do relatório do Pentágono ao Congresso dos EUA.

"Quaisquer que sejam as conclusões" do relatório a entregar esta quarta-feira ao Congresso, frisou o ministro dos Negócios Estrangeiros, "esse não é o fim da linha para Portugal".

"Não farei, não direi nada nem tomarei nenhum gesto que signifique diminuir a pressão para que a boa perceção do valor estratégico das Lajes seja compreendida nos EUA", sublinhou Augusto Santos Silva, no debate parlamentar sobre o orçamento do Palácio das Necessidades para 2016.

"Essa responsabilidade é minha e não a declinarei", prosseguiu o chefe da diplomacia portuguesa, enfatizando que as "questões relativas à eventual revisão" do Acordo das Lajes com os EUA serão abordadas "à posteriori" e não com a mera entrega ao Congresso do documento do Pentágono.

"Devemos acompanhar o debate" entre o Congresso - onde vários congressistas defendem a continuação de uma presença significativa dos EUA nos Açores - e o Ministério da Defesa norte-americano, o qual defende uma redução significativa da presença militar americana na base das Lajes, adiantou o ministro.

Pedro Filipe Soares (BE) questionou Santos Silva sobre se "não seria melhor" o Ministério dos Negócios Estrangeiros "garantir investimentos" para a ilha Terceira "em vez de ficar dependente dos EUA e da base militar" das Lajes.

"Há um défice [de] termos abdicado de investir na ilha por causa das Lajes" e da presença dos EUA, criticou o deputado bloquista.

Os EUA, no âmbito da redução das despesas militares e da concentração do seu dispositivo militar no estrangeiro, anunciou uma redução significativa da sua presença na base das Lajes muito centrada nas áreas de apoio - com impactos negativos significativos na economia local - e menos ao nível operacional.

Além das reservas expressas por Portugal, diversos congressistas (vários luso-americanos) também se manifestaram contra a decisão, desde logo porque o previsto reforço da presença dos EUA numa base inglesa está pouco fundamentada e apresenta custos muito superiores ao da continuação nas Lajes.

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