Marisa Matias pede menos xenofobia na resposta aos atentados

A candidata do Bloco de Esquerda às presidenciais pede discursos com "mais humanidade"

A resposta aos atentados de Paris deve ser de "humanidade" e não um discurso xenófobo, de medo, sobre refugiados e Schengen.

Marisa Matias defende que "o espaço da nossa tristeza com o que se passou, não pode ser ocupado por vozes xenófobas e racistas que só alimentam o ódio", sublinhou durante uma sessão de solidariedade, no Porto, que começou com um minuto de silêncio e terminou com o hino francês.

Naquela que deveria ter sido a apresentação do seu mandatário nacional, Marisa Matias optou por falar sobre os atentados em França, Beirute e Calais porque, "se ficarmos calados, só se ouvirão as vozes dos que querem mais sangue".

"Levantamos a nossa voz para dizer que é de terrorismo que estamos a falar", frisou a bloquista para quem mais do que nunca deve ser defendida a "liberdade, igualdade e fraternidade" para enfrentar um mesmo "carrasco".

Recordando as suas recentes passagens pelos campos de refugiados na fronteira entre a Síria e Líbano, Marisa Matias quis deixar claro que, perante o "monstro" que é o auto proclamado Estado Islâmico, a resposta não pode nem deve passar por "um discurso sobre o acordo de Schengen".

"Não se use a situação dos refugiados (...) para vir com o fantasma do medo e fechar fronteiras", realçou, frisando que quem procura Portugal como destino, "é porque foge do mesmo terror de Paris, Beirute e Calais".

Acrescentando que "a resposta também não é a da guerra", Marisa Matias defendeu uma "verdadeira cooperação entre cada país da União Europeia".

"Será que ainda ninguém reparou que temos mais de 15 mil jovens europeus a combater nas linhas da frente do auto proclamado Estado Islâmico?", atirou a eurodeputada para quem está "muita coisa errada", se há jovens, incluindo portugueses, que veem no "Daesh" (acrónimo do Estado Islâmico, segundo designação árabe) a única solução para as suas vidas.

Já sobre aqueles que "procuram espalhar o discurso do medo" e "ódio relativamente aos refugiados", Marisa Matias acusou de "nunca" terem estado ao lado dos mais pobres e dos que mais necessitam.

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