Lisboa e Almada sem fumo branco nos municípios

Bloquistas e socialistas mantêm negociações na capital. E PCP ainda sem apoio em Loures

Fernando Medina e Ricardo Robles têm-se encontrado para negociar um eventual entendimento para governar Lisboa, liderando pequenas equipas que acertam agulhas para definir um acordo entre PS e BE, mas só para a semana se prevê fumo branco sobre o sucesso (ou não) das negociações, apurou o DN. A tempo da posse do executivo municipal na capital, que será quinta-feira, dia 26 (esteve prevista para 24).

Os bloquistas não abdicam das suas linhas vermelhas, nomeadamente substituir a "parceria público-privada" (PPP) prevista pela lista do PS - que foi apoiada nas eleições autárquicas de 1 de outubro pelo Livre e os movimentos independentes Cidadãos por Lisboa e Lisboa é Muita Gente - por um "programa de habitação integralmente público", defendido pelo BE.

Há outra equação nestas negociações, que será o que pode dizer o movimento Cidadãos por Lisboa, de Helena Roseta, eleita presidente da Assembleia Municipal, e que está a preparar (como deputada no Parlamento) uma lei de bases da habitação.

O BE já tinha feito saber, depois de um primeiro encontro a 5 de outubro, que inclui no seu caderno de encargos, "entre outras áreas programáticas", "a construção de creches municipais, o resgate da taxa do turismo, a recuperação dos transportes públicos" mas também uma outra política de habitação, que se traduza na "concretização de programas de habitação que protejam as famílias contra despejos abusivos e substituam a PPP prevista por um programa de habitação integralmente público".

Em Almada, o BE não chega ao PS para governar. Os bloquistas elegeram uma vereadora, Joana Mortágua, mas é curto para fazer uma maioria com os quatro socialistas eleitos, encabeçados por Inês de Medeiros. A CDU elegeu outros quatro vereadores e o PSD mais dois. A solução pode passar por um entendimento ao centro, mas novidades também aqui só para a semana, apurou o DN.

Outro executivo na área metropolitana de Lisboa que tem o seu futuro em aberto é Loures. Bernardino Soares voltou a ser eleito pela CDU, de novo sem maioria, mas agora será mais complicado ao presidente empossado ontem à noite, no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, conseguir entender-se com o PSD, como no mandato anterior.

Os comunistas têm quatro vereadores, tantos como o PS. O PSD elegeu os outros três, encabeçados por André Ventura, que teve uma campanha em que foi acusado de fazer um discurso populista e xenófobo. Se a CDU encontrou nos sociais-democratas o apoio que lhes faltava em 2013, Ventura veio complicar a renovação desse entendimento.

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