Lajes integram estratégia militar de Donald Trump

Responsável da embaixada dos EUA em Portugal assegura que americanos vão manter-se na base açoriana e sem novas reduções

O aumento de 10% no orçamento militar dos EUA para 2018 é uma das propostas de Donald Trump ainda à espera de aprovação, mas a presença da base das Lajes na estratégia de Defesa do presidente norte-americano é já uma certeza. A representante diplomática de Washington em Lisboa foi ontem muito clara sobre esse ponto: "Absolutamente. Não vamos sair nem estamos a equacionar [nova] redução da nossa presença nas Lajes. De todo."

Herro Mustafa, muçulmana de origem curda que chefia a embaixada dos EUA em Portugal enquanto não é nomeado novo embaixador, deixou essa garantia num almoço organizado em Lisboa pela Câmara de Comércio Americana em Portugal, com o tema "As relações transatlânticas depois dos 100 primeiros dias".

A diminuição da presença militar dos EUA nos Açores foi aprovada pela Administração de Barack Obama em 2015, no quadro da redução de custos no orçamento da Defesa - mas que, em 2017, atingiu o seu maior valor de sempre: 537 mil milhões de euros, mais do que a soma dos oito países seguintes. Para o ano fiscal de 2018, que começa em outubro deste ano, Trump propôs um aumento na casa dos 50 mil milhões de euros.

Ainda sobre os Açores, Herro Mustafa realçou o empenho dos EUA na região e no conjunto das várias ilhas. No caso específico da Terceira, a diplomata de carreira adiantou que o seu país vai investir mais de oito milhões de euros em "projetos de renovação" dentro da base das Lajes. "Continuamos a procurar formas" de reforçar a presença norte-americana nos Açores e, fora da área militar, "estamos a fazer muito" em setores que vão da educação à pesca sustentável e à ciência "para ajudar a economia local".

A título de exemplo, Herro Mustafa lembrou o envio de empresários açorianos aos EUA a fim de conhecerem "algumas práticas empresariais" americanas para depois as "aplicarem nos Açores". Outras ajudas à economia regional passam pela troca de estudantes e apoios no domínio da pesca sustentável.

A chefe da missão dos EUA em Portugal disse ainda que "a cooperação no Atlântico" vai ser o tema principal da agenda da reunião em Washington, na próxima semana, da comissão mista bilateral Portugal-EUA. Economia azul, pesquisa oceânica, defesa e segurança marítimas ou o futuro Centro de Investigação Internacional dos Açores (AIR Center, sigla em inglês) serão, para além da base das Lajes, alguns temas dominantes do encontro.

A ministra conselheira, numa intervenção em que abordou temas como a NATO, a UE, relações transatlânticas, Rússia e Ucrânia, energia, comércio e investimento, fez ainda um breve e sorridente comentário sobre o exemplo de "estabilidade política" dado pelo atual Governo português: "Adoro o facto de outros países europeus e [a Universidade norte-americana de] Harvard estarem a estudar o conceito da geringonça."

Esta posição contrasta com os comentários críticos feitos em novembro de 2015, aquando da posse do governo de António Costa, pelo então embaixador dos EUA, Robert Sherman. Assinalando a aliança do PS com o BE e o PCP, dois partidos que "são anti-NATO e contra o tipo de compromissos que os Estados Unidos consideram que devem estar implementados", Sherman acrescentou na entrevista à Renascença: "O meu pai tinha uma frase que me dizia quando eu estava a crescer: "Mostra-me quem são os teus amigos, dir-te-ei quem és"."

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