"Há muito por fazer [...] eram precisas outras opções"

Questionados pelo DN, os líderes parlamentares dos cinco maiores partidos analisam os últimos dois anos e perspetivam o futuro. Irónico, João Oliveira diz que "linhas vermelhas" só duas: a do metro de Lisboa e do Porto

O que destaca de mais positivo nestes dois anos?

A reposição de direitos e rendimentos, extorquidos ao povo por muitos anos de políticas de direita. O alívio da carga fiscal sobre os trabalhadores e MPME (Micro, Pequenas e Médias Empresas), a reposição de feriados, o aumento das pensões, a reposição das 35 horas de trabalho e o descongelamento de carreiras na administração pública.

O que ficou por fazer?

Está muito por fazer, os problemas estruturais do país estão longe de ser enfrentados e resolvidos. Eram necessárias outras opções, uma política verdadeiramente alternativa. Não se progrediu na legislação laboral - é imperioso alterar as medidas de ataque aos direitos da governação PSD/CDS. Recuperar a contratação coletiva e o princípio do tratamento mais favorável do trabalhador; alterar as medidas de desregulação dos horários de trabalho; elevação geral dos salários mais baixos, a começar pelo salário mínimo; inverter a degradação da prestação de serviços públicos (Saúde, Educação, Justiça e Segurança).

Qual será o maior desafio nos dois próximos anos ?

Não defraudar as expectativas criadas, o que obriga a ir mais longe na reposição e na conquista de direitos. Este caminho depara com graves constrangimentos: os que decorrem do peso insustentável dos juros da dívida e das imposições do euro. Criar condições para um progresso económico e social sustentável é o desafio.

O Presidente da República será mais interventivo?

Só o próprio poderá responder a essa pergunta.

Qual a linha vermelha nos próximos dois anos? E acredita que o governo durará até final da legislatura?

As linhas vermelhas continuarão a ser duas: a do metro de Lisboa, que liga São Sebastião ao Aeroporto, e a do metro do Porto, que liga o Porto à Póvoa de Varzim. O PCP continuará a intervir não na base de ultimatos mas na de opções que melhor correspondam aos interesses dos trabalhadores e do povo. A duração do governo está sempre dependente da política que corresponder, ou não, aos anseios e aspirações dos trabalhadores e do povo.

A atual solução parlamentar poderá ser repetida?

Cada legislatura é uma legislatura.

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