Gato resgatado por bombeiro com jatos de água era "reincidente"

Nos resgates anteriores, o animal fugiu da água e foi capturado em segurança ainda em cima da árvore. Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima diz que foi aberto um inquérito interno para esclarecer o episódio, que já deu origem a queixas-crime do PAN e de associações de animais

O gato que subiu para cima de uma árvore e foi resgatado por um bombeiro com jatos de água, o que deu origem a uma queixa-crime apresentada pelo PAN, já era "reincidente".

Contactado pelo DN, Carlos Lima, presidente da corporação de Bombeiros de Ponte de Lima, explica que, em aproximadamente dois meses, "este gato já foi resgatado quatro ou cinco vezes na mesma árvore. É reincidente".

Segundo a mesma fonte, o ramo onde o animal se encontrava "não tinha robustez para o bombeiro trepar ou usar a escada". Nos resgates anteriores, foi atirada água, "o gato deslocou-se para um ramo mais forte, o bombeiro trepou a árvore e o animal foi retirado em segurança".

"Inconscientemente, o bombeiro atirou água para ver se o gato ia para um lugar mais seguro, como tinha acontecido anteriormente", conta Carlos Lima. E não seria mais seguro usar uma rede? "Acredito que sim, mas não possuímos esse tipo de equipamento. Se existisse, teria sido usado".

O caso ocorreu ao final da tarde de ontem, na Avenida António Feijó, em Ponte de Lima. Um elemento da corporação dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima tentou resgatar um gato com recurso a jatos de água, tendo o animal caído desamparado no chão. O momento foi capturado num vídeo, que em cerca de duas horas atingiu mais de 70 mil visualizações e centenas de comentários negativos.

"O animal está bem"

No vídeo, é possível ver uma mulher a pegar no animal ao colo, quando este cai no chão. No entanto, segundo o comandante, não será a dona do gato. "O dono nunca apareceu, nem nos resgates anteriores. Depois do resgate, o bombeiro recolheu o animal, transportou-o para o quartel e este foi avaliado pelo veterinário municipal. Não tem danos físicos. Está bem", assegura Carlos Lima.

Após o sucedido, "apareceu uma jovem que se ofereceu para tomar conta do animal". "Para além do erro, o bombeiro tomou as medidas necessárias para assegurar o bem-estar do gato", sublinha o comandante.

Neste momento, está a decorrer "um inquérito de averiguações sumárias para perceber se o bombeiro usou todos os meios necessários e o conhecimento de que dispunha para fazer um bom resgate". Após as conclusões, Carlos Lima reconhece que "talvez se possa melhorar a atuação".

Para que situações semelhantes não se repitam, o comandante deu ordens para que, caso haja um pedido de resgate sem condições de segurança, nada seja feito até à chegada do veterinário municipal e de uma associação de proteção de animais.

Na sequência da publicação do vídeo, que se tornou viral, o Grupo de Intervenção e Resgate Animal (GIRA) apresentou queixa ao Ministério Público, ao SEPNA (Serviço de Proteção na Natureza e do Ambiente), que fez o encaminhamento para a PSP, e ao PAN (Pessoas-Animais-Natureza).

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