Dirigente "monteirista" volta a filiar-se no CDS. E quer falar no Congresso

Ex-deputado Nuno Correia da Silva está de volta ao partido que abandonou em 2003, em rutura com a linha seguida por Paulo Portas

Lá diz o ditado que o bom filho a casa torna e, quase 13 anos volvidos desde que deixou o CDS-PP, o ex-deputado Nuno Correia da Silva voltou a filiar-se no partido que este fim de semana vai ter o seu 26.º Congresso.

O antigo membro da direção de Manuel Monteiro confirma ao DN que voltou a inscrever-se como militante em novembro e que a decisão de regressar se deveu "à certeza" de que o tipo de partido em que acredita e que "está por ser construído" no nosso país "só pode ser feito dentro do CDS".

"Um partido de inspiração popular, das pessoas que vivem do seu trabalho, com a ambição de crescer pelo seu mérito", explica o homem que desde 2003 já passou pela Nova Democracia (ao lado de Monteiro e Jorge Ferreira), foi candidato à presidência da Câmara de Lisboa em 2013 (pela Plataforma Cidadania, composta pelo PPM, pela Nova Democracia e pelo PPV) e ainda cabeça de lista do PPM nas europeias de 2014.

Como repete insistentemente, Nuno Correia da Silva acredita numa força política "dos portugueses que constroem o PIB [produto interno bruto]". E considera que é chegada a hora de ela vingar, até porque o Partido Popular - que Monteiro defendia quando rebatizou o CDS -, "ainda não se realizou". "Disse isso na carta de desfiliação", recorda o antigo deputado (entre 1995 e 1999) e antecessor de Pedro Mota Soares na presidência da Juventude Centrista (Juventude Popular nos dias que correm).

A conversa com Portas

Se a saída de cena em 2003 foi ditada pelo desencantamento com o caminho que o portismo estava a seguir, Nuno Correia da Silva afasta de todo que o seu regresso se prenda com o "adeus" de Paulo Portas. Bem pelo contrário, revela. A sua ficha de militante foi preenchida antes de o antigo vice-primeiro-ministro ter anunciado que se iria embora.

"Não foi por haver uma mudança na liderança que decidi filiar-me. Filiei-me depois de enviar uma carta e de ter conversado com o dr. Paulo Portas", reforça, sem adiantar o teor da discussão.

Mesmo reconhecendo vários méritos ao líder mais longevo do seu partido, observa que daqui para a frente "o CDS volta a ser livre" - não de Portas, mas da troika e do PSD -, motivo pelo qual apresenta um pequeno caderno de encargos à mais que provável sucessora, Assunção Cristas, com quem nunca privou.

"Espero contribuir para um CDS europeísta mas que não tenha medo de discutir as instituições europeias, que tenha a ousadia de enfrentar poderes instalados mas que não são sagrados, um CDS que não esquece que deve ser o sistema financeiro a servir a economia e não o contrário", afirma.

No entanto, elogia a "abertura" que Cristas tem demonstrado para aproximar as várias sensibilidades internas. "Precisa de ser um fator de união. O partido tinha um líder que o congregava à volta do seu carisma, agora Assunção Cristas vai ter de ser essa força de união", aponta Correia da Silva. E enaltece o esforço: "Está a fazer o caminho correto."

Sem querer queimar etapas - até porque não existem sinais de rutura na chamada "geringonça" - e com as autárquicas no horizonte mais próximo, o centrista defende que o partido "deve estar sempre focado em em apresentar candidaturas próprias", apesar de não descartar alianças pontuais (e bem medidas) com o PSD.

Já no que toca às legislativas, até vislumbra vantagens no atual tabuleiro político. O facto de governar um partido "que não ganhou as eleições", o PS (apoiado por BE, PCP e PEV), cria "uma nova era". "O voto útil deixa de fazer sentido e o CDS pode discutir a liderança [em eventuais entendimentos de centro-direita]. É um novo tempo para o CDS", remata.

Este sábado, Correia da Silva vai estar em Gondomar, onde decorre o 26.º Congresso dos democratas-cristãos e tenciona subir ao púlpito e usar da palavra.

Mais Notícias