Desconforto com Carlos Costa? "Ninguém esqueceu o que foi dito"

António Costa recorda que posição assumida aquando da nomeação do governador do Banco de Portugal não está esquecida

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que o Governo tem trabalhado com o governador do Banco de Portugal "de forma leal e construtiva", recusando-se a comentar atuação do regulador no dossiê que culminou com a resolução do BES.

"Aquilo que compete ao Governo atual é trabalhar com o senhor governador do Banco de Portugal, como trabalhar com todas as instituições, de uma forma leal e construtiva, como temos feito", declarou o chefe do executivo, em declarações aos jornalistas.

Questionado a propósito das peças jornalísticas que o canal de televisão SIC tem transmitido nos últimos dias sobre a atuação do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, nos anos que antecederam a resolução do Banco Espírito Santo (BES), António Costa afirmou: "Não vou estar a comentar reportagens televisivas".

Falando hoje em Fafe à margem da cerimónia de inauguração do novo quartel da GNR, o primeiro-ministro recordou que Carlos Costa foi nomeado pelo Governo anterior, frisando que o governador do Banco de Portugal tem "um estatuto próprio de inamovibilidade e sujeito à fiscalização própria do sistema de supervisão europeu".

À pergunta se há no governo algum desconforto com Carlos Costa, a propósito de declarações que António Costa fez sobre o tema aquando da nomeação do governador do Banco de Portugal, o chefe do executivo respondeu: "Essa referência foi feita na minha qualidade de secretário-geral do PS e aquando da nomeação. Essa posição é conhecida, ninguém esqueceu o que foi dito na altura".

Sobre a mesma matéria, o primeiro-ministro assinalou que o "Estado tem regras institucionais para funcionar" e que o "Governo trabalha com quem está em funções, seja a senhora procuradora-geral da República, seja o governador do Banco de Portugal, seja o presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social, seja a presidente da ANACOM, seja o presidente de qualquer outra entidade reguladora".

Em maio de 2015, António Costa considerou a nomeação de Carlos Costa "um mau sinal" do Governo PSD/CDS "sobre o rigor que deve imperar no funcionamento destas instituições".

"Devo dizer que, depois do que se tem passado ao longo dos últimos anos, não posso dizer que esteja propriamente surpreendido, mas tenho que dizer que estou profundamente desagradado e acho que é um mau sinal da forma como as nossas instituições estão a funcionar", disse o então secretário-geral do PS.

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