CDS ensaia conquista do eleitorado ao centro. Livre do PSD

Paulo Portas despede-se este sábado. Assunção Cristas tem como missão definir as "bandeiras" do novo ciclo político

De novo pelo seu pé, livre da coligação com o PSD, o CDS vai decidir este fim de semana, no seu 26º congresso, o caminho que vai seguir para se afirmar de novo na cena política nacional. Conquistar o eleitorado do centro é o caminho traçado pela sucessora de Paulo Portas, o líder que deixou no partido uma marca muito forte.

A personalidade de Assunção Cristas terá aqui, no entender de dirigentes centristas ouvidos pelo DN - que preferem o anonimato para que, em vésperas da reunião magna, as suas declarações não sejam interpretadas como "pressão"- um papel determinante. Foi a ela que Portas escolheu conduzir o novo ciclo do CDS, depois de Nuno Melo ter recuado na intenção de se candidatar. A intervenção do eurodeputado no congresso é, aliás, uma das mais aguardadas.

Assunção é para já vista como uma política decidida, dialogante e interessada em discutir as suas ideias. Falta-lhe, porém, o traquejo político no primeiro plano do combate político. Mas tem a seu lado várias pessoas a quem essa é uma característica dominante (ver textos ao lado). "O CDS nunca foi o partido de um homem só e não será, garantidamente, o partido de uma única mulher", disse Cristas na apresentação da sua candidatura.

No entender de um dos membros da Comissão Política Nacional, "a abrangência que Assunção quer dar ao partido, na conquista de eleitorado fora dos tradicionais apoiantes centristas, tem que ser compatível com uma demarcação clara do PSD e isso implica a definição de uma estratégia que passa pela definição de bandeiras". Seja como for, o líder social-democrata, Passos Coelho faz questão de estar presente, no domingo, no encerramento do congresso do partido com o qual esteve coligado no governo e concorreu às últimas legislativas.

Autárquicas são um teste

O primeiro grande teste à estratégia da nova liderança centrista serão, na perspetiva de grande parte dos dirigentes, as eleições autárquicas, no final do próximo ano. Até lá, como já assumiu a própria futura líder, o CDS assumirá uma oposição "firme mas sempre construtiva de uma alternativa de Governo de centro direita". Para isso, vão ser precisas ideias concretas, alternativas à política do PS. Tendo em conta esse objetivo é certo que Assunção se rodeará de peritos, académicos, empresários, fora da militância partidária, para contribuir para este projeto.

Por outro lado, assinala um dos elementos do núcleo próximo de Assunção Cristas, "há a consciência clara que, apesar de ser candidata única não significa que tenha conquistado todo o partido. Há bases e personalidades que preferiam outro tipo de discurso mais conservador. Terá de haver, por isso, a preocupação de conquistas e seduzir o partido".

Este sábado Paulo Portas, líder carismático, faz o discurso de despedida, ao final da manhã.

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