Bloco de Esquerda "aperta" Centeno e governador

Perante as "incertezas" em torno da venda do Novo Banco, BE quer explicações de Carlos Costa e Mário Centeno

"Tendo em conta todas as incertezas que marcam este processo, bem como a sua importância estratégica e simbólica para o país, o grupo parlamentar do BE entende que é da maior importância ouvir os seus responsáveis. Quer o Ministro das Finanças [Mário Centeno], quer o Governador do Banco de Portugal [Carlos Costa] têm o dever de manter a Assembleia da República e o país a par de todas a movimentações para vender um dos bancos mais importantes do sistema", lê-se no requerimento bloquista, assinado pela deputada Mariana Mortágua.

O requerimento, endereçado à presidente da comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, Teresa Leal Coelho, do PSD, pede a audição dos dois responsáveis com "caráter de urgência". Isto no dia em que os jornais económicos avançam com a possibilidade de parte do Novo Banco ser vendido em Bolsa até ao verão.

A dispersão do capital do Novo Banco em bolsa, advoga o Bloco, "impede qualquer tipo de controlo sobre os futuros acionistas do banco". "Quer seja total ('free float') ou parcial, os investidores que procuram este tipo de operações são fundos de investimento internacionais em busca de um ativo com elevado potencial de rentabilidade e valorização, e não de um projeto estratégico de longo prazo. A dispersão do capital em bolsa acrescentará instabilidade à instituição financeira", sinaliza a Mariana Mortágua.

O Bloco contesta também que o noticiado 'road show' para apresentar a operação a investidores esteja, no Banco de Portugal, sob a alçada de Sérgio Monteiro, quadro da Caixa Geral de Depósitos, e anterior Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações.

"Para além do elevado vencimento que aufere - cujo valor ainda não foi satisfatoriamente justificado -, e dos potenciais conflitos de interesses - uma vez que pertence aos quadros de direção do Caixa BI - Sérgio Monteiro já deu provas de desvalorizar o interesse público nas operações de privatização que desenhou no passado. Veja-se, a esse respeito, os processos da ANA, da TAP e dos transportes coletivos", critica o Bloco.

O partido volta a defender a manutenção do Novo Banco na esfera pública, uma estratégia que, "ao contrário da venda forçada, defenderia os interesses do país e não o plano de centralização e concentração do sistema bancário europeu promovido", dizem, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia.

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