Assunção Cristas diz que "mito do voto útil caiu definitivamente"

Candidata à sucessão de Portas já ataca o eleitorado do PSD e ensaia discurso de pacificação do CDS: "Comigo, não há ninguém excluído"

Foi um discurso com dois registos. Um dirigido para dentro, de agregação e de arregimentação das tropas, outro virado para fora, quase de oferta pública de aquisição (OPA) ao eleitorado do PSD. Assunção Cristas quer todo o CDS ao seu lado e, por outro lado, recusa que o eleitorado do partido esteja confinado a um "nicho" no centro-direita.

A candidata à presidência dos centristas e mais que provável sucessora de Paulo Portas apresentou a sua moção de estratégia global ao Congresso - intitulada "Ambição e responsabilidade para Portugal" -, tendo desde logo sublinhado que aquele não é somente um texto seu, mas de todos, um pouco por todo o país, que consigo colaboraram.

Daí, e para conter eventuais movimentações contestatárias, Cristas recusou contribuir para divisões internas e lançou a ponte para entendimentos. "Comigo, não há ninguém excluído. Não há ninguém que não possa encontrar o seu lugar no CDS" para "mostrar que somos os melhores na política em Portugal", observou a ainda vice-presidente e deputada dos democratas-cristãos.

Numa intervenção de pouco mais de cinco minutos, a candidata à liderança falou de várias questões operacionais - como a comunicação ou a aproximação da direção às bases -, mas foi ainda ao encontro do que Portas tem vindo a afirmar e que a generalidade dos congressistas que têm usado da palavra subscrevem: o CDS tem de alargar o seu eleitorado e, inevitavelmente, sinalizou que as "hostilidades" - estrategicamente falando - com o PSD voltarão a ser abertas.

"Sabemos que estamos num momento ímpar para virar o jogo", adiantou Cristas, que reforçou a tese ao aludir aos efeitos que a "geringonça" pode ter também nos eleitores do centro-direita: "Sabemos que o mito do voto útil caiu. E caiu definitivamente."

Diogo Feio responsável pelo Gabinete de Estudos

Por outro lado, Cristas adiantou que Diogo Feio, vice-presidente do partido - mas que deverá deixar de o ser -, será o responsável pelo Gabinete de Estudos do CDS. Um órgão, explicou, para o qual defende autonomia e que será indispensável para o "trabalho [político] de formiguinha" dos centristas.

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