Adriano Moreira 'abençoa' liderança de Cristas

Comovido, o velho senador da democracia-cristã portuguesa foi homenageado pelos congressistas do 27º congresso do CDS, em Lamego

Dizendo que "o legado" que deixou ao CDS é o da democracia-cristã, Adriano Moreira, 95 anos, líder do CDS de 1985 a 1988 e de 1991 a 1992, manifestou-se hoje convicto que esse legado "foi assumido" pela atual líder do partido, 'abençoando-lhe' assim a liderança.

Adriano Moreira saudou expressamente os valores, que no seu entender, Cristas representa: "a sabedoria, a família, a liberdade de pensamento" e ainda "a severidade carinhosa com que as mulheres nos ajudam a corrigir as coisas". Depois de discursar, a líder do CDS subiu ao palco, abraçou o histórico dirigente democrata-cristão e colocou-lhe na lapela um "pin" com o símbolo do partido.

O ex-líder chegou mesmo a comparar o que a direção do partido está a fazer com o pontificado do Papa Francisco. "Fui questionado à entrada sobre se o CDS estava a esquecer a matriz democrata-cristã. Não está. Não é possível mudar o paradigma. Olhem para o Papa Francisco. Ele não tem outro Evangelho. Mas tem de fazer uma adaptação aos novos tempos. É isso que está a fazer."

Tratando Cristas como "a nossa presidente do partido", Adriano Moreira começou por homenagear figuras da democracia-cristã já falecidas, entre as quais as do "primeiro mártir" do CDS, Adelino Amaro da Costa.

Antes de discursar, o histórico centrista foi homenageado num vídeo onde diversas figuras ligadas ao partido lhe elogiaram a personalidade e o percurso político e académico.

Paulo Portas surgiu nesse vídeo, fazendo assim aquela que se espera que será a sua única 'aparição' neste conclave dos centristas.

O ex-líder do CDS contou que Adriano Moreira o ajudou, com a sua "luminosidade única", a "compreender" a segurança quando foi ministro da Defesa, o mundo quando foi ministro dos Negócios Estrangeiros e Portugal quando foi vice-primeiro-ministro.

Portas enunciou o principal princípio que atribui a Moreira: "As pessoas estão antes do Estado e as instituições antes dos grupos." Para o líder histórico do CDS, o que marcou todo o percurso do velho 'senador' democrata-cristã foi "o amor a Portugal", "uma opção pelo humanismo cristão" e "uma firme opção pela Europa da paz".

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