O repetente, o regressado e a novidade. Por um interior mais dinâmico

Covilhã é o concelho serrano mais apetecido do distrito de Castelo Branco, com seis candidaturas na corrida autárquica. O regresso do ex--autarca social-democrata Carlos Pinto como independente e a apostado PP em Mesquita Nunes são as maiores surpresas desta disputa eleitoral

"Com o mesmo entusiasmo" da primeira candidatura, Carlos Pinto, presidente pelo PSD na Câmara da Covilhã entre 1989 e 1993 e entre 1997 e 2013, regressa ao palco político para presidir de novo o concelho. O ex-autarca, que não se recandidatou em 2013 por limitação de mandatos, está de novo a disputar eleições. Meses depois de o PSD ter anunciado o seu presidente da comissão política concelhia, Marco Batista, como cabeça-de-lista à Câmara covilhanense, Carlos Pinto virou as costas ao partido e anunciou que está também na corrida como independente.

Estas eleições autárquicas na Covilhã seguem na rua com outra das surpresas. A caminho da câmara está também o ex-secretário de Estado do Turismo. O CDS avança com um dos seus vice-presidentes, Adolfo Mesquita Nunes, bisneto de um covilhanense, fundador de uma das maiores fábricas de têxteis da região. Na Covilhã, passou a infância, completou os estudos até ir para a faculdade em Lisboa, onde se fez advogado. A tarefa não é fácil, admite, mas está nestas eleições para disputar a vitória. Mesquita Nunes quer "transformar o centro histórico "num bairro das artes e criar, de facto, e de uma vez, o primeiro museu de arte urbana ao ar livre do país, um dos maiores do mundo". Outras ideias anunciadas são lançar a COVIAPP (Covilhã Smart City), uma aplicação mobile e uma evolução do atual site, em que concentraremos os serviços online, a comunicação e o turismo. "A candidatura tem tido uma dinâmica crescente. A Covilhã tem potencialidades enormes que devem ser potenciadas, porque estar no interior não é uma fatalidade", destaca.

Universidade e turismo

A existência da Universidade da Beira Interior (UBI), com 6600 alunos, com um curso de Medicina que sustentou a criação do Centro Hospitalar da Cova da Beira, a indústria dos lanifícios, das novas tecnologias, o turismo, são essas "oportunidades" de que os candidatos ao mesmo lugar mais falam. Carlos Pinto - que foi condenado pelo Tribunal de Castelo Branco, em julho, a pena suspensa pelo crime de prevaricação, pena da qual recorreu - promete "resgatar" a Covilhã como a "cidade das oportunidades" e recuperar a liderança regional, lamenta que os socialistas, que conquistaram em 2013 a câmara ao PSD, tenham perdido "os projetos que estavam em curso". Carlos Pinto - tem o "sonho de voltar a pôr a Covilhã como a mais cuidada, a mais bela, a mais próspera cidade e concelho do interior do país", estratégia que será acompanhada da "captação de investimento e criação de emprego", desenvolvendo o turismo e a área das novas tecnologias, prometendo um "novo campus tecnológico junto ao Data Center". Prestes a enviar para a direção nacional do PSD o cartão de militância - acompanhado por mais umas dezenas de desistências doutros militantes -, Carlos Pinto assegura que a sua candidatura "era a proposta que faltava às pessoas nestas eleições".

Marco Baptista, pelo PSD, quer "uma Covilhã no século XXI, colaborativa com as suas instituições, com as suas associações, lado a lado com as 21 juntas de freguesia, com a sua Universidade da Beira Interior, cooperando com as mais de 230 associações espalhadas pelo concelho". O candidato quer cortar com a política do passado. "Se estas eleições autárquicas se concentrarem na discussão dos últimos 20 anos, temos dois dos protagonistas. Eles dividiram o poder municipal. Se querem falar do passado e discutir os respetivos erros, estão identificados os culpados. Não contem comigo para discutir os erros do passado." O PSD procurará "colocar a Covilhã no top 10 dos concelhos mais transparentes no Índice de Transparência Municipal" e prometendo executar pelo menos 75% de cada um dos orçamentos anuais. "Não podemos esperar que velhos protagonistas políticos tragam novas soluções para novos desafios", garante.

Os socialistas trabalham para um reforço de votação eleitoral. Nas eleições de 2013, o PS, liderado por Vítor Pereira, conquistou três mandatos, o Movimento Acreditar Covilhã obteve dois, enquanto o PSD e a CDU elegeram um vereador cada. O social-democrata juntou-se em 2015 à equipa de vereadores em permanência, reforçando assim a maioria política no executivo. A candidatura protagonizada pelo atual autarca Vítor Pereira sustenta um "projeto de transformação da Covilhã", apresentado em 2013 para dois a três mandatos. O primeiro grande objetivo já foi alcançado, ou seja, "pagar dívida e estabilizar a câmara em termos financeiros e operacionais".

"Aprofundar o relacionamento com a UBI e potenciar na nossa comunidade o seu principal ativo, apostar em centros de investigação e de excelência, incentivar e apoiar a reindustrialização do tecido local e novos projetos, via UBI e incubadora de empresas do Parkurbis e do novo Centro de Inovação Empresarial", são ideias do PS para desenvolver até 2021.

Democratizar, desenvolver e evoluir. São estes os três pilares em que assenta a estratégia de ação de Mónica Ramôa, candidata pela CDU à Câmara da Covilhã, um partido com histórico eleitoral no concelho - a coligação tem um vereador eleito na autarquia. Pelo Bloco de Esquerda corre João Corono. A candidatura pretende "aportar transparência, seriedade, competência e proximidade à política do concelho. Devolver as cidades e as freguesias à sua população, retirando-a da subjugação aos interesses e às políticas desastrosas destes últimos 25 anos" são metas que acompanham o maior objetivo do Bloco: eleger um vereador.

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