Rio quer superar ​​​​​​​resultados de Passos em 2013. PS admite perder câmaras

"Pouquinho melhor" do líder do PSD é ultrapassar as 106 autarquias de há oito anos para evitar "encontrão". PS admite perder câmaras: "É impossível superar recordes." CDS admite perder "maioria absoluta" em Ponte de Lima. CDU quer "confirmar e reforçar posições".

A derrota tem um nome: "igual ou pior, ou muito pouquinho melhor"; 62 é o número, a distância [PS tem 160 câmaras, o PSD 98] que Rui Rio precisa de encurtar se quiser recandidatar-se à liderança do PSD - "está em causa recandidatar-me ou não à eleição que vai haver três meses depois". 2013 é o ano de referência para "um bom resultado", é a fasquia a "ultrapassar" para evitar o "encontrão e cair".

A meta traçada pelo PSD é clara: conseguir vencer mais câmaras que as conquistadas por Passos Coelho nas eleições autárquicas de 2013 [foram 106], ano em que as mudanças de presidente de câmara por limitação de mandatos [160 foram obrigados a sair] "castigaram fortemente" o partido. O PSD perdeu 33 das 139 autarquias ganhas pela liderança de Manuela Ferreira Leite, que tinha vencido o PS por sete câmaras nas eleições autárquicas de 2009. Em duas eleições autárquicas, os sociais-democratas liderados por Pedro Passos Coelho perderam 41 presidências de câmara.

"Um bom resultado seria chegar às 110 câmaras, conseguir pelo menos mais 12. O "pouquinho" é ter mais quatro ou cinco. Igual ou pior não é um cenário que pareça plausível. Entre perdas e ganhos, é natural que haja alterações na soma de todos os partidos em 20 ou 30 câmaras, o objetivo é fazer melhor que 2013. Mas também é preciso não esquecer que há concelhos pequenos, uns 30 ou 40, onde a vitória é decidida por umas dezenas ou poucas centenas de votos. E isto é válido para todos os partidos", assume José Silvano, secretário geral do PSD.

Quase quatro anos depois [1 de outubro de 2017] da noite horribilis na São Caetano à Lapa [Marques Mendes falou num "terramoto eleitoral], Rui Rio repete um discurso em tudo semelhante ao de Passos Coelho, em 2017, quando nessa noite disse que não se demitiria "em consequência de eleições locais", mas admitindo não ser recandidato à liderança. Em entrevista à Rádio Renascença, o líder do PSD não deixou margem para dúvidas: "Só tenho uma meta na minha cabeça naquilo que me possa fazer não ficar: é fazer igual ou pior, ou muito pouquinho melhor (...) Se houver uma descida ou ficar igual é mau (...) Está em causa recandidatar-me ou não a eleições que vai haver três meses depois".

O desfecho poderá, no entanto, ser diferente. O PS que há quatro anos atingiu o seu recorde de câmaras conquistadas admite "perder algumas autarquias" para o PSD. Santa Cruz da Graciosa, Lajes do Pico, Praia da Vitória, Funchal, Figueira da Foz, Resende, Moimenta da Beira, Carregal do Sal e Alcanena são alguns dos casos. E depois há as que estão no patamar da "disputa eleitoral" como, por exemplo, Coimbra, Alcochete, Almada, Barreiro e Castelo Branco que levou, aliás, a que o histórico autarca socialista Joaquim Morão, que liderou Idanha-a-Nova entre 1982 e 1998 e depois Castelo Branco até 2013, fosse chamado ao terreno por causa da possível fragmentação no eleitorado socialista. O ex-presidente de câmara do PS, Luís Correia, que venceu em 2013 e 2017 com maioria absoluta, é candidato independente contra o seu ex-partido.

O "perder algumas" das autarquias socialistas pode oscilar entre 20 a 30, "talvez menos", sendo que no "deve e haver" - o resultado final entre câmaras ganhas e perdidas - a possibilidade de "perder 10 a 15 autarquias" é admitida. Um resultado que corresponde à fasquia do PSD: daria, no mínimo, 108 autarquias.

O secretário-geral adjunto socialista diz que o partido apesar das "provas dadas, vai às eleições para ganhar em todas as autarquias", mas que "como temos dito, tivemos recordes em 2013 e 2017 e é impossível superar consecutivamente recordes". José Luís Carneiro admite que o PS "enfrenta desafios importantes: onde o PSD e CDS concorrem coligados e onde temos mudança de autarcas, por limitação de mandatos".

O PS tem nesse patamar de "risco" 18 autarquias: Castelo de Paiva, Aljustrel, Mértola, Odemira, Barcelos, Miranda do Corvo, Góis, Oliveira do Hospital, Penacova, Reguengos de Monsaraz, Viana do Alentejo, Seia, Alcanena, Viana do Castelo, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Santa Cruz da Graciosa e Lajes do Pico. O histórico eleitoral autárquico, definido a partir da entrada em vigor da lei, revela que na limitação de mandatos 40% das câmaras muda de partido. Outro dado a reter: a perda de câmaras com a saída do presidente por limitação de mandato cresceu de 2013 (33%) para 2017 (41%).

No PSD são 13 os "concelhos em risco": Espinho, Celorico de Basto, Vila Verde, Sertã, Pampilhosa da Serra, Monchique, Sabugal, Vila Nova de Foz Coa, Alcobaça, Arronches, Ferreira do Zêzere, Penedono e Vila do Porto; no PCP há três: Mora, Alpiarça e Setúbal; e um no CDS: Ponte de Lima.

O PCP, que há quatro anos perdeu 10 câmaras [tem agora 24] - nove para o PS e uma para independentes (Almada, Barreiro, Alcochete, Alandroal, Barrancos, Castro Verde, Moura, Beja, Constância e Peniche) - e deixou fugir a maioria absoluta em duas (Palmela e Seixal), sublinha os "há muito definidos objetivos eleitorais: mais mandatos [em 2017 obteve 171 em câmaras, 619 em assembleias municipais e 1663 em assembleia de freguesia], e mais votação [ 489 mil votos em câmaras, 519 mil em assembleias municipais e 529 mil em assembleias de freguesia]".

Que concelhos perdidos em eleições anteriores são passíveis de ser recuperados? É expectável recuperar as maiorias absolutas perdidas em Palmela e Seixal? "A campanha dá-nos razões de confiança para confirmar e reforçar posições", responde Jorge Cordeiro, membro da Comissão Política e do Secretariado do PCP.

Há nos adversários do PCP, principalmente no PSD, a convicção de que este domingo pode haver uma reviravolta no Barreiro e em Alcochete, que o regresso de Carlos Humberto [presidente de câmara entre 2005 e 2017] e de Luís Miguel Franco [também presidente de câmara entre 2005 e 2017] pode retirar estas duas autarquias ao PS. E Almada? O PS está seguro da "vitória de Inês de Medeiros", diz fonte socialista.

Já em Setúbal parece estar sem dúvidas a vitória de André Martins que sucede a Maria das Dores Meira. A candidata mais forte do PS "era Ana Catarina Mendes" que, segundo fonte socialista, estava nos estudos de opinião com grande vantagem sobre o candidato da CDU, mas a opção foi "não perder um protagonista importante" das fileiras nacionais do partido.

Alvito e Vidigueira são duas autarquias que os socialistas acreditam poder retirar ao PCP.

No CDS, que tem somente seis câmaras (Santana, Vale de Cambra, Albergaria-a-Velha, Velas, Oliveira do Bairro e Ponte de Lima), a "única questão" pode estar na "perda da maioria absoluta em Ponte de Lima", autarquia que só por três vezes, desde 1976, não esteve nas mãos dos centristas: em 1979 (AD), 1982 (AD) e 2001 (Grupo de cidadãos). Isto porque desta vez existem três candidaturas da mesma área política: Vasco Ferraz, candidato do CDS; Gaspar Matias, ex-vice-presidente da câmara e candidato independente; e Abel Batista, ex-deputado centrista e ex-vice-presidente da autarquia (1994 a 2001), expulso do partido por nas últimas autárquicas ter concorrido como independente.

Fonte da direção do CDS-PP considera que "essa possibilidade existe, mas que está confiante na vitória". Perder a câmara é um cenário? "Não acredito, perder a maioria absoluta pode acontecer... mas a câmara não acredito". E nas restantes cinco? "Estou à espera de bons resultados no país, crescer em vereadores, deputados municipais, ter mais eleitos. Não me passa pela cabeça perder essas câmaras, seria uma hecatombe".

Os centristas esperam ter "bons resultados" numa dúzia de autarquias: Portimão, Pedrógão Grande, Águeda, Mirandela, Sabrosa, Corvo, Montemor-o-Novo, Mora, Covilhã e Sever do Vouga. E em São João da Madeira? "O próprio João Almeida [que em 2020 disputou a liderança do CDS e concorre em coligação com PSD] já admitiu que vencer será difícil. Vamos esperar".

artur.cassiano@dn.pt

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