Rio diz Chega para lá a Ventura e Costa reitera que não dá margem à extrema-direita

No penúltimo dia de campanha eleitoral, os dois candidatos a primeiro-ministro estiveram de acordo numa coisa. No dia 31 de janeiro, no pós-eleições, excluem o Chega de conversações caso vençam as legislativas. E ambos também voltaram a assegurar que estão disponíveis para dialogar entre si.

Na sua cidade natal, o Porto, onde passou esta quinta-feira o penúltimo dia de campanha eleitoral, o líder do PSD clarificou com quem se sentar à mesa a conversar se vencer as legislativas. E deu um Chega para lá a André Ventura, colocando o partido na mesma categoria do PCP e do BE, dos que "não vale a pena falar". "Eu podia dizer que falava com o BE ou com o PCP, não tenho problemas quanto a isso, não vale é muito a pena. E a mesma coisa se aplica ao Chega", disse aos jornalistas à margem de um almoço com empresários na Cidade Invicta.

Da mesma maneira reiterou que está disponível "para negociar com quem ganhar" para que "Portugal não ter de ir para eleições outra vez daqui a muito pouco tempo". Apesar disso, voltou a atacar o PS e António Costa, acusando-os de "mentir" sobre as propostas do PSD para o país.

Mais tarde, o líder social-democrata cruzava-se na Rua de Santa Catarina com o presidente do Iniciativa Liberal e depois de já ter desdramatizado o facto de João Cotrim Figueiredo andar a dizer que sem a Il um governo PSD será igual a um do PS. "Quer a IL quer o CDS estão a fazer o seu papel, estão a concorrer a eleições e, portanto, têm de dizer também umas coisas para convencer as pessoas a votar neles", afirmou Rio. Cotrim Figueiredo mesmo ali assegurou: "São dois opositores que podem construir uma alternativa ao PS", considerou o líder da IL apesar, acrescentou, de terem ímpetos muito diferentes".

As palavras de Rio não convencem a esquerda ou pelo menos preferem-nas ignorar a bem dos respetivos argumentos de campanha. Em Lisboa, o dirigente e fundador do Livre, Rui Tavares, voltou a insistir que uma maioria de direita trará ao país uma "enorme encruzilhada" e uma "gravíssima crise política", argumentando que a direita nunca teve clareza em relação à extrema-direita.

"Não podemos ficar descansados, uma maioria de direita em Portugal dará uma enorme encruzilhada para o nosso país e uma séria, uma gravíssima crise política, e para contrariar essa possibilidade a esquerda tem que ter um sentido de responsabilidade que infelizmente faltou nas últimas negociações orçamentais", sublinhou Rui Tavares.

Semelhante apelo, mas de entendimento à direita, partiu do líder do CDS, que andou ontem por Barcelos em ações de campanha de rua. Um dia depois de ter assumido que será recandidato à liderança do seu partido, Francisco Rodrigues dos Santos manifestou-se confiante de um bom resultado e de que fará "acordo" com o PSD, "se tudo correr bem".

"O apelo que eu faço é que o CDS continue a ser o porto seguro de todos os conservadores e democratas-cristãos no nosso país, para afirmarmos a direita certa para Portugal, capaz de derrotar o PS", salientou, defendendo que "nenhum voto no CDS será desperdiçado, porque todos eles somarão a uma nova maioria de direita no parlamento e garantirão uma governação às direitas como o país pede nesta altura", apelou o líder centrista.

O foco da crítica andou pela Área Metropolitana de Lisboa. António Costa começou o dia em Loures, cuja a câmara e conquistada pelos socialistas nas últimas autárquicas, passou por Moscavide e por Setúbal, onde apelou novamente ao voto no PS . "Não são as sondagens que nos dão as vitórias, quem nos dá as vitórias são os cidadãos, é o voto de cada uma e de cada um de que nos darão a vitória no próximo domingo. Por isso, é absolutamente essencial que, de hoje até domingo, mobilizemos todos para irem votar", disse aos jornalistas.

Mas manteve a abertura para o diálogo com todas as forças políticas, com a "exceção do Chega". "Não podemos deixar passar o limite da extrema-direita", assegurou o líder socialista.

Jerónimo de Sousa fez a tradicional arruada no Chiado, que costuma ser a escolhida também pelos outros partidos para encerrar as campanhas eleitorais, e encerrou o dia com um comício no Seixal.

paulasa@dn.pt

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