Rio acusa Costa de falta de convições e de "ir à boleia" das reivindicações da esquerda

"Dizem umas coisas, fazem umas coisas, mas parece -- parece, não -, a convicção não é muita, vão é à boleia de uma qualquer circunstância, ou de um qualquer tabu ideológico, ou de uma qualquer reivindicação de um Bloco de Esquerda, de um PCP ou de um PAN", afirmou o líder do PSD.

O presidente do PSD acusou esta terça-feira o PS de ir "à boleia" das circunstâncias, de "tabus ideológicos" ou "reivindicações" da esquerda, nomeadamente no caso TAP, afirmando que a convicção de Costa "não é muita".

"Dizem umas coisas, fazem umas coisas, mas parece -- parece, não -, a convicção não é muita, vão é à boleia de uma qualquer circunstância, ou de um qualquer tabu ideológico, ou de uma qualquer reivindicação de um Bloco de Esquerda, de um PCP ou de um PAN", referiu Rui Rio, no encerramento de uma sessão sobre saúde, em Faro.

Segundo Rui Rio, também aqui, no caso da TAP, o PS "anda aos ziguezagues", depois de António Costa ter nacionalizado metade da companhia quando chegou ao poder e, mais recentemente, ter adquirido a outra metade, para depois, há poucos dias, ter dito "estar na disposição de vender mais metade da TAP".

"Eu estou de acordo. Mas a pergunta que eu faço é: então para que é que foi tudo isto?", rematou o líder do PSD, depois de ter ouvido a intervenção do presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, para quem a TAP, no Algarve, "não serve para nada", servindo, sim, para "todos os anos se meter lá dinheiro".

Rui Rio aproveitou para contar um episódio em que quis ir do Porto para Faro na TAP, mas que, devido a atrasos nos voos, teve de ficar sete horas à espera no aeroporto de Lisboa, uma vez que não há voos diretos da TAP entre o Porto e a capital algarvia, pelo que quase "mais valia ir de bicicleta".

E prosseguiu: "Que raio de empresa é esta, para a qual nós pagamos milhões e milhões e milhões de euros para ela ser pública e depois não presta serviço público nenhum, quem ainda faz as ligações são os privados", questionou.

A saúde era o tema da edição de Faro das Conversas Centrais, formato que a campanha de Rui Rio tem promovido nas localidades por onde passa e cujo convidado foi hoje o cabeça de lista do PSD por Lisboa Ricardo Batista, mas durante a sessão falou-se também sobre a falta de água e de transportes púbicos na região.

Francisco Amaral, médico e presidente da Câmara de Castro Marim, no Algarve, falou dos problemas com que se confronta "diariamente" que levam a uma consequente "desumanidade" do Serviço Nacional de Saúde (SNS), situação que, por ser crónica, faz com que os doentes já pensem "que é o destino e que não há nada a fazer".

Segundo o autarca, pesar dos esforços "desumanos" dos técnicos de saúde, que são em número "manifestamente insuficiente" para fazer face às necessidades -, ao contrário dos "propagandeados números de reforço" anunciados por António Costa -, não se conseguem resolver as longas listas de espera para consultas e cirurgias nos hospitais da região.

A construção do Hospital Central do Algarve, um projeto com 20 anos, foi outro dos temas em debate, com Rui Rio a dizer que, apesar das promessas do PS nesse sentido, até agora nada se fez.

O projeto do novo hospital remonta a 2002, tendo em 2003 sido aprovado o terreno para a sua construção, em 2007 aprovado o perfil assistencial e o dimensionamento.

Em 2008, o então primeiro-ministro, José Sócrates, chegou mesmo a lançar a primeira pedra do hospital, que estaria pronto, segundo foi anunciado na altura, em 2013.

"Redesenhar o sistema" de saúde

O PSD acusou ainda o PS de ter degradado o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e propôs "redesenhar o sistema", com recurso ao privado e instituições sociais, prometendo acesso aos serviços "a tempo e horas" para todos.

Durante a sessão temática sobre saúde, em Faro, o presidente do PSD, Rui Rio, considerou que em Portugal "a sociedade começou a degradar-se em muitos patamares, está mais enquistada, tudo funciona pior", e que "se há setor da vida nacional que o PS degradou foi justamente o SNS".

Em seguida, as propostas do PSD para este setor foram apresentadas pelo deputado Ricardo Baptista Leite, cabeça de lista às legislativas de domingo pelo círculo de Lisboa, que resumiu desta forma o objetivo deste partido: "Redesenhar o sistema de saúde, com o SNS como coração desse sistema, e olhar para o sistema como um todo".

Baptista Leite sustentou que atualmente o SNS "não está a funcionar" e deixa sem resposta quem não tem seguros ou ADSE para recorrer ao privado, acusando o PS de ter criado "um serviço de saúde para ricos e um serviço de saúde para pobres".

"As pessoas que estão doentes ligam para o médico de família que não existe, ligam para o centro de saúde, não atende, ligam para o SNS24 que não funciona. Alguém que está doente, o que é que faz? Vai a um serviço de urgência que é a única porta aberta. Portanto, é um sinal daquilo que não está a funcionar", disse.

O PSD quer uma "mudança de modelo", com aposta nas unidades locais de saúde (ULS), em que, "se for necessário investir numa determinada área onde não existe a resposta pública", os respetivos gestores "tenham a autonomia e a capacidade de intervenção para fazer as parcerias com as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), com o setor privado, sem tabus, garantindo uma resposta a tempo e horas com qualidade para todos", adiantou.

"Não é algo novo, já existe na lei, já existem até sete ULS, mas nós queremos garantir a sua expansão pelo território nacional", referiu.

Batista Leite defendeu que Portugal tem de assumir as suas limitações económicas e "utilizar com muita inteligência e com enorme capacidade de gestão todos os recursos que existem" no território nacional.

"Não há tabus ideológicos connosco. Nós temos uma prioridade, que é garantir que os portugueses tenham acesso de qualidade à saúde a tempo e horas e faremos isso com todos os recursos que existem no território nacional", reforçou.

O deputado destacou a proposta que consta do programa do PSD de atribuir aos portugueses sem médico de família "um médico assistente", com recurso ao setor privado e ao setor social, até 2025/2026, quando estimou que haverá "o número de médicos de família suficientes para garantir a cobertura a toda a população".

Batista Leite prometeu também que o PSD irá "garantir condições para os profissionais, para os conseguir reter, para os conseguir atrair", embora sem explicar como, apontando como inaceitável que haja "uma enfermeira a trabalhar há 20 anos no SNS a ganhar pouco mais de 900 euros líquidos".

O social-democrata apontou igualmente como inaceitável que haja pessoas que não conseguem pagar todos os medicamentos de que necessitam. "É algo que é digno do terceiro mundo e que nós não podemos aceitar", declarou, sem avançar propostas concretas para pôr fim a essas situações.

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