Presidenciais: entre a tradição da reeleição e o domínio dos homens

Estatísticas das nove presidenciais pós-25 de Abril mostram que de Eanes a Cavaco, passando por Soares e Sampaio, todos os chefes do Estado foram eleitos para segundo mandato.

Mário Soares destaca-se nas estatísticas das presidenciais portuguesas: em 1986 foi eleito na segunda volta (num duelo renhido de 51,2% versus 48,8% com Freitas do Amaral), único caso nas nove votações desde a Revolução do 25 de Abril; em 1991, obteve 70,3%, o triunfo mais amplo até hoje, e que nem a grande popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa deverá permitir bater, pelo menos a acreditar nas múltiplas sondagens para as eleições de dia 24.

São múltiplos números, e com eles muitas curiosidades também, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, disponibiliza sobre as nove presidenciais que o país já realizou desde a instauração da democracia. Duas regras impõem-se: a reeleição de todos os presidentes, no caso Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, e também o absoluto domínio masculino. Não só os chefes do Estado têm sido sempre homens, como dos 38 candidatos entre 1976 e 2016 só três foram mulheres: Maria de Lourdes Pintasilgo, Maria de Belém e Marisa Matias. Com este ano, esse número vai subir para quatro (em 42), pois Ana Gomes é a novidade, enquanto Marisa Matias repete a candidatura de 2016.

O favoritismo de Marcelo Rebelo de Sousa, que é confirmado pela tradição da reeleição, não significa, porém, que a popularidade do Presidente da República se distribua de forma igual por todo o país. Há cinco anos, o antigo líder do PSD venceu sem grandes dificuldades, mas se é verdade que em Celorico de Basto foram 81,9% aqueles que lhe deram o voto, já em Aljustrel os apoiantes não passaram dos 20%.

Voltemos ao duelo de Soares com Freitas em 1986: na primeira volta havia vários candidatos à esquerda, incluindo Salgado Zenha e Maria de Lourdes Pintasilgo. Soares emergiu à justa em segundo lugar, o que lhe deu a missão de contrariar o favoritismo da direita (Freitas do Amaral - 46,3%) numa segunda volta que, com quase seis milhões de votantes, tem recorde até hoje.

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