Sampaio. Portugueses começam a despedir-se com aplausos e flores

Principalmente durante a tarde, formaram-se, à porta do local do velório, filas de cidadãos para se despedirem do antigo Presidente da República.

Os portugueses começaram este sábado a despedir-se de Jorge Sampaio, com aplausos e flores, frente à câmara de Lisboa, que presidiu, e no velório, no antigo picadeiro real, junto ao Palácio de Belém, onde foi Presidente da República.

Principalmente durante a tarde, formaram-se, à porta do local do velório, filas de cidadãos para se despedirem do ex-dirigente estudantil contra a ditadura deposta no 25 de Abril de 1974, advogado, antigo líder do PS, presidente do município de Lisboa, com uma coligação de esquerda, e Chefe de Estado.

O cortejo fúnebre de Sampaio, que morreu na sexta-feira, chegou ao antigo picadeiro real, junto ao Palácio de Belém, pelas 11:10, e foi recebido pela família e pelas mais altas figuras do Estado: Marcelo Rebelo de Sousa (Presidente da República), Ferro Rodrigues (presidente do parlamento) e António Costa (primeiro-ministro).

Neste dia, passou pelo velório o antigo líder do PS e primeiro-ministro António Guterres, hoje secretário-geral das Nações Unidas.

"Jorge Sampaio disse uma vez '25 de Abril, sempre'. Eu hoje quero dizer 'Jorge Sampaio, sempre'", afirmou Guterres aos jornalistas, adaptando o 'slogan' que o ex-Presidente criou, "25 de Abril, sempre".

"Sempre na memória dos portugueses o estadista que foi, sempre na memória dos amigos, eterna saudade, e até nas Nações Unidas onde deixou uma marca indelével", declarou.

Ao longo do dia, passaram pelo antigo picadeiro real personalidades da política, como os líderes do PCP, Jerónimo de Sousa, e do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, o ex-líder do PSD Pinto Balsemão ou ainda o dirigente socialista e ministro das Infraestruturas.

Pedro Nuno Santos disse que Sampaio é a sua "grande referência" política, foi precursor dos entendimentos à esquerda, adversário da "terceira via" liberal, sendo um "socialista do coração" e não apenas de cartão.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, o antigo deputado e empresário Henrique Neto, a ex-deputada eleita pelo PS Helena Roseta, o antigo procurador-geral da República Pinto Monteiro, entre outros, também passaram pelo Museu Nacional dos Coches.

O Nobel da Paz e antigo bispo de Díli Ximenes Belo também foi prestar a última homenagem e agradeceu o contributo de Jorge Sampaio para "a independência de Timor".

Depois de uma fraca adesão durante a hora do almoço, a fila junto ao antigo picadeiro real, com a generalidade das pessoas a usar máscara, começou a aumentar por volta das 16:00, chegando junto ao Museu da Presidência.

Além da faceta política, personalidades da política, da cultura e outros cidadãos, realçaram também traços pessoais de Sampaio.

"Foi um presidente muito carinhoso. Portugal perde um grande amigo do povo", disse à agência Lusa José Gomes, que, com a filha, foi prestar a última homenagem a Jorge Sampaio conhecido por se emocionar e até chorar.

Enquanto esperava na fila confessou que Jorge Sampaio foi "sem dúvida o melhor presidente de Portugal", caracterizando ainda o antigo chefe de Estado como uma "pessoa simples e amiga do povo".

Ao fim da tarde, pelas 19:00, Marcelo Rebelo de Sousa voltou ao local do velório, saindo minutos depois.

Logo pela manhã, o cortejo fúnebre passou pela Câmara Municipal de Lisboa, que Sampaio governou durante seis anos, para uma primeira homenagem. Atual presidente, Fernando Medina, vereadores, presidentes de juntas de freguesia da capital, ex-autarcas e populares aplaudiram por vários minutos.

Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre hoje e segunda-feira, e cerimónias fúnebres de Estado.

O funeral, com honras de Estado, realiza-se no domingo, antecedido por uma homenagem no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

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