Parlamento preparado para começar vacinação 

Assembleia da República espera que as autoridades de saúde indiquem as datas para vacinar os primeiros 35 deputados. Vacinação poderá ser feita em São Bento.

A Assembleia da República (AR) vai iniciar em breve a vacinação dos 35 deputados que entraram na lista prioritária inicial. De acordo com a secretaria-geral da AR, que está a tratar do processo logístico, "foram já iniciados os procedimentos administrativos e sanitários necessários", pelo que aguarda agora que as "autoridades de saúde determinem as datas para a sua concretização" em "articulação" com os serviços parlamentares.

Quanto ao local de vacinação, "depende das autoridades de saúde", refere a secretaria-geral em resposta ao DN, mas para acrescentar que poderá ser em São Bento, dado que a Assembleia da República "dispõe de condições logísticas para que a vacinação seja feita nas suas instalações", à semelhança do que "tem vindo a ser feito com a administração semanal de testes de deteção de antigénio (vulgo, testes rápidos), encontrando-se os profissionais do gabinete médico e de enfermagem já devidamente certificados para o efeito".

Nesta primeira fase serão vacinados os 35 deputados que restaram da lista inicial de 50 definida pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues. Uma listagem que acabaria envolta em polémica. A lista foi comunicada ao primeiro-ministro na sexta-feira, mas logo no sábado 12 deputados do PSD - entre os quais o presidente, Rui Rio - pediram para ser retirados. Três deputados do PS vieram, depois, fazer o mesmo.

Ferro pediu por três vezes uma lista de recusas

A súmula da reunião da conferência de líderes da última quinta-feira, que discutiu quais os deputados que deviam ser integrados na fase inicial da vacinação, mostra que Ferro Rodrigues pediu três vezes aos partidos para indicarem o nome de quem não queria ser vacinado. Segundo o documento, o presidente da AR começou por afirmar que vários parlamentares já lhe tinham transmitido que não pretendiam integrar a lista, pelo que "solicitou a todos que os deputados com idênticas posições o comunicassem ao seu gabinete até ao dia seguinte, sexta-feira, até ao termo da sessão plenária". Mais adiante, o texto volta a referir que Ferro "insistiu que os deputados que não quisessem ser vacinados o deveriam dizer". E uma terceira vez : O "presidente da Assembleia da República referiu que enviaria a lista nominativa ao primeiro-ministro no dia seguinte e insistiu que os deputados que não quisessem ser vacinados o deveriam dizer até ao final da sessão plenária desse dia".

Nenhum dos partidos acabou por fazê-lo e a lista inicial viria a integrar 50 nomes - os presidentes e os vices da AR, membros da Mesa, membros da Conferência de Líderes, presidentes das comissões parlamentares e membros da Comissão Permanente (o órgão que substitui o plenário em férias).

Conhecida a lista, houve então 15 deputados que pediram para ser retirados. Perante a polémica que se levantou, a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, sugeriu a criação de um grupo de trabalho, ideia à qual Ferro Rodrigues dará seguimento. De acordo com um comunicado emitido pelo gabinete do presidente da AR, este grupo terá como missão "acompanhar o processo que agora se inicia e que continuará de forma programada até atingir todos os deputados que pretendem ser vacinados". E, além destes, os "funcionários considerados indispensáveis para garantir o funcionamento efetivo deste órgão de soberania".

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