O dia de regresso do camarada Jerónimo e da candidatura ao CDS de "Chicão"

O líder comunista regressou à campanha da CDU para também apelar à convergência à esquerda. Dia em que o líder do CDS disse que será recandidato à liderança do partido e em que Costa e Rio voltaram a usar o Chega para se atacarem mutuamente.

Três dias apenas, mas ainda a tempo de dar um empurrão à convergência à esquerda. O secretário-geral do PCP voltou esta quarta-feira à campanha da CDU, depois de ter estado a recuperar de uma operação, para defender que essa ideia depois das eleições "deveria ser aprofundada".

Jerónimo de Sousa, num desfile da coligação na Baixa da Banheira, concelho da Moita (Setúbal) advertiu, no entanto, em jeito de recado para o PS de António Costa, que a convergência "não pode ser retorcida", mas antes feita das respostas que os comunistas consideram necessárias ao país.

O líder comunista, que andou arredado das ruas durante quase toda a campanha, 14 dias no total, -"tive de me conformar e fazer tudo para ficar bem", confessou - apanhou assim a boleia dos dias anteriores e sobretudo a "cambalhota" dada pelo líder socialista, que deixou cair a ideia de maioria absoluta e abriu a porta ao "diálogo" com todas as forças.

A líder bloquista, pelas terras de Braga, ainda passou por esse apelo ao entendimento à esquerda, mas concentrou-se mais num ataque feroz ao programa do PSD. Em Vila Nova de Famalicão Catarina Martins acusou o partido de Rui Rio de esconder o programa, porque a maioria da população não o apoiaria. "Rui Rio quer nivelar por baixo os salários, que o mínimo não suba para que os médios não percebam como estão mal. As pessoas sabem em Portugal que os salários médios não chegam e têm de subir e Rui Rio não o fará", avisou. Catarina Martins alertou ainda que o PSD tem a proposta de "colocar as pensões nas seguradoras".

Quanto à aproximação ao PS pós -eleitoral, insistiu no apelo ao voto útil no Bloco de Esquerda: "Porque é verdade que o PS não tem clareza e, portanto, será nas urnas, com o voto do povo, que haverá essa clareza e o voto no BE será o voto que garante um contrato à esquerda pelo país".

A campanha eleitoral, a quatro dia da ida às urnas, ficou também marcada por um anúncio. O presidente do CDS garantiu aos jornalistas que será recandidato à liderança do partido e mostrou-se convicto que vai vencer o próximo congresso e que os centristas vão ter um bom resultado no domingo.

"Eu tenho a certeza absoluta que nas eleições legislativas vou receber o presente por estes dois anos de liderança que tenho à frente do CDS, depois disso serei naturalmente recandidato ao próximo congresso e irei vencê-lo e continuar como presidente do partido e multiplicar estes aniversários por mais um bom par de anos, espero eu passados no governo de Portugal", disse Francisco Rodrigues dos Santos, à margem de uma ação de campanha em Vila Nova de Gaia, Porto.

O Chega "amigo" do PS

Depois de ter sido acusado por António Costa de se querer aliar ao Chega, o líder do PSD virou o argumento contra o PS, neste dia dedicado a campanha em Leiria. Rui Rio argumentou aos jornalistas que o maior interessado numa "grande votação do Chega" é precisamente António Costa.

Questionado sobre o que é o PSD em relação ao Chega, se o PS é o seu "inimigo principal", Rui Rio respondeu: "Não sei se é exatamente ao contrário. Agora, o PS não é o inimigo do Chega. Quantos mais votos houver no Chega mais facilmente o doutor António Costa continua como primeiro-ministro, portanto, o doutor António Costa é um dos interessados em que o Chega tenha uma grande votação, isto é absolutamente evidente". Já no twitter tinha acusado o PS de "fazer uma campanha negra" ao deturpar as propostas do PSD.

António Costa que também andou pelo norte, em Braga - e terminou o dia de campanha com uma arruada no Porto - tinha voltado a insinuar que com o PSD a extrema-direita será necessária à governabilidade. O líder socialista defendeu a necessidade de haver "condições de diálogo" após as eleições que garantam estabilidade e cumpram "aspirações fundamentais" da sociedade, frisando que o PS é o único "que garante condições de governabilidade" sem a extrema-direita.

"O voto certo e seguro é o voto no PS, que tem um programa claro e não escondido, que é o único partido que garante condições de governabilidade que não ficam reféns da extrema-direita, e que garantem que o país vai continuar a crescer acima da média europeia, que vamos continuar a criar mais e melhor emprego, vamos continuar a melhor os salários, as pensões", garantiu.

O Ministério da Administração Interna divulgou, entretanto, que Foram 285.848 os eleitores que votaram no passado domingo para as eleições legislativas de 2022, o que corresponde a 90,51% das 315.785 pessoas inscritas para exercer o direito de voto antecipadamente.

paulasa@dn.pt

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