Marisa Matias cai de 3.º para 5.º lugar e perde 300 mil votos em relação a 2016

Os três candidatos de esquerda, Ana Gomes, João Ferreira e Marisa Matias, obtiveram globalmente o resultado mais baixo de sempre em presidenciais.

A derrota da recandidata bloquista Marisa Matias foi cedo assumida, caindo do terceiro lugar em 2016 para quinto e perdendo cerca de 300 mil votos, ficando ainda sem o título da mulher mais votada para a Presidência da República.

Em tempos de pandemia e à imagem da campanha, também a noite eleitoral do BE, por motivos de segurança sanitária, não teve o número habitual de apoiantes no Pavilhão Centro de Portugal, em Coimbra, tendo-se reduzido ao núcleo político dos bloquistas, desde logo a líder, Catarina Martins.

A abstenção nas eleições de domingo, vencidas pelo recandidato Marcelo Rebelo de Sousa, foi de 54,55% no território nacional, a mais elevada de sempre em sufrágios para a escolha do chefe de Estado, tendo os três candidatos de esquerda, Ana Gomes, João Ferreira e Marisa Matias, tido globalmente o resultado mais baixo de sempre em presidenciais.

O mau resultado e o não cumprir dos objetivos eleitorais traçados foram cedo assumidos pelo BE: primeiro pelo líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, depois pela própria Marisa Matias e, por fim, por Catarina Martins.

Em 2016, Marisa Matias tinha conseguido a terceira posição, com 10,12% - 469.526 votos - tornando-se então a mulher mais votada de sempre para esse cargo.

Nas eleições de domingo, a recandidata bloquista perdeu esta "medalha" para Ana Gomes e caiu para a quinta posição, ficando atrás do comunista João Ferreira, e, de acordo com os resultados com três consulados por apurar, conseguiu apenas 3,95%, ou seja, 164.731 votos, num universo global de votantes também ele bastante menor do em 2016 graças à abstenção.

"Creio que se alguma das candidaturas da esquerda, que existiram, tivesse desaparecido, a esquerda tinha somado menos"

É preciso recuar a 2001 para encontrar um resultado pior numa candidatura exclusivamente apoiada pelo BE, quando o fundador Fernando Rosas conseguiu apenas 2,98% dos votos, quase 129 mil, ficando em quarto lugar de cinco candidatos.

Em 2006, numa candidatura protagonizada pelo fundador e ex-líder bloquista, Francisco Louçã, o resultado, em termos absolutos de número de votos, foi melhor do que o deste ano, já que conseguiu 5,31%, cerca de 288 mil votos.

Marisa Matias discursou cedo, cerca das 21:30, quando os números estavam ainda longe de fechar, mas nessa altura a dirigente do BE deixou claro que os objetivos não tinham sido cumpridos e até já tinha ligado a Marcelo Rebelo de Sousa e a Marisa Matias.

Com avisos para a reconfiguração da direita e com dados "muito preocupantes" pelo facto de muitos eleitores de direita terem votado num "candidato de extrema-direita, a dirigente e eurodeputada do BE não esqueceu as "farpas" ao PS.

"As candidaturas à esquerda somaram. Creio que se alguma das candidaturas da esquerda, que existiram, tivesse desaparecido, a esquerda tinha somado menos. Agora também lhe digo se a pergunta é sobre porque é que a esquerda não somou mais nesta eleição, essa pergunta terá que a dirigir ao PS e não a mim", atirou.

a coordenadora do BE fez questão de agradecer a "coragem de Marisa Matias" e, apesar do mau resultado, destacou que Marisa Matias conseguiu "abrir caminhos e fazer pontes".

Na análise dos resultados, começando por antecipar que os especialistas "terão muito trabalho para fazer", Catarina Martins referiu que houve no eleitorado de centro e de esquerda muita gente que "não quis correr o risco de uma segunda volta" nas presidenciais, assegurando que a preocupação do BE "é responder à crise".

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