"Cobarde", "troca-tintas" e "vigarista". Pingue-pongue de acusações entre Marisa e Ventura

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda atacou fortemente André Ventura, no debate para as presidenciais na SIC, a quem colou à corrupção e a medidas que prejudicam os portugueses. O líder do Chega e candidato a Belém devolveu a acusação de "vigarista" a Marisa.

"O que nós sabemos de André Ventura é que é um candidato que está sistematicamente a mentir ao eleitorado, que tem toda a força para os mais frágeis mas não tem uma palavra sobre o crime económico e os paraísos fiscais. André Ventura é cobarde, troca-tintas, na realidade é um vigarista". Foi assim que a candidata apoiada pelo Bloco atacou André no primeiro confronto televisivo para as presidenciais, na SIC.

Marisa Matias numa postura sempre de ataque questionou várias vezes o opositor sobre o que a PJ foi fazer ao gabinete do também deputado do Chega. "Quer falar do assessor fantasma?" - questionou Marisa Matias. "Eu tive a oportunidade de estar nas comissões de inquérito do Parlamento Europeu sobre fraude e corrupção e ter encontrado documentos do gabinete para o qual trabalhou", acusou ainda.

André Ventura esteve muito mais à defesa do que costuma. Sobre a PJ atacou com "buscas na Câmara de Lisboa", liderada por Fernando Medina, que é apoiado pelo Bloco de Esquerda. E foi aos casos que envolveram o Bloco. "Uma candidata do BE aparecer num debate a dizer que tive uma busca no gabinete... Não foi o Chega que teve o Ricardo Robles. Não foi o Chega que teve moradas falsas."

Num debate que foi muito mais um pingue-pongue de acusações, mais do que debate ideológico entre dois extremos políticos, a candidata do Bloco manteve o tom das acusações. Puxou dos galões de eurodeputada para denunciar documentos sobre as comissões de inquérito aos paraísos fiscais e onde está mencionado "um gabinete para qual" André Ventura trabalhou. "Diz que representa o português comum, o que faz é estar ao lado dos mais fortes". André Ventura foi sucessivamente tentando interromper: "Não diga disparates, não sabe do que está a falar! Eu já explico, já explico".

Marisa seguiu para as propostas do Chega, a de uma taxa única de 15% de IRS, que iria penalizar os mais pobres e favorecer os mais ricos como os "jardins gonçalves" ou o próprio deputado André Ventura. Seguiu com a ideia de que o candidato do Chega "quer destruir o Serviço Nacional de Saúde". E defendeu a proposta de Lei de Bases da Saúde de João Semedo e António Arnaut, contra as Parcerias público privadas, que Ventura elogiou.

André Ventura argumentou que a tal taxa única de IRS é aplicada em países que estão a crescer na Europa, como a Letónia, Lituânia e Estónia. "Vivemos num país em que quem mais trabalha é mais penalizado", afirmou."Não queremos esta educação trotskista do BE. O que não queremos é que pessoas com poucos recursos tenham de ir para o público. O BE tem uma enorme cegueira ideológica". Já na Saúde, Ventura defendeu o recurso aos privados para ajudar a resolver o problema das listas de espera.

"É o Bloco de Esquerda que anda a mentir aos portugueses", frisou. Manteve o exemplo de propostas do Chega na Saúde, nomeadamente a antecipação da idade de reforma dos enfermeiros, a revisão salarial dos profissionais de saúde, a redução dos salários políticos e os limites para as transferências para fundações. "E o vigarista sou eu? O vigarista está do outro lado."

Marisa insiste na tecla do troca-tintas: "Sabemos que está sistematicamente a dizer tudo e o seu contrário". E deu o exemplo do Novo Banco. Justificou ainda o adjetivo "vigarista" com a ideia de que Ventura defendeu a exclusividade dos deputados num momento em que estava a trabalhar em três sítios diferentes. "De cada vez que se sente ameaçado, vai buscar casos e casos e traz tudo para o lamaçal. Eu estou a falar de si", disse.

Mas é a jornalista Clara de Sousa, moderadora do debate a SIC, que confronta o candidato com o facto de em 2015 ter defendido que o país devia "acolher mais imigrantes". Ventura explicou: "Não podemos fechar portas a quem foge da guerra e da perseguição religiosa. Mas não podemos receber qualquer pessoa que chega de Marrocos de qualquer maneira de barco. Não podemos estar a receber barcos". Regressou à ideia de "os portugueses estão fartos de pagar às pessoas que não querem fazer nada".

A candidata do BE volta à cara precisamente por causa dos refugiados e minorias. "Trata-se de um candidato que recorre sistematicamente às minorias, aos refugiados, aos ciganos, para pôr o país contra os mais fragilizados. É um cobarde que não tem um mínimo de pudor a apontar o dedo a quem está no poder económico e usa estas pessoas para tentar colocar o país contra eles"

O debate começou logo em tom acalorado, com Marisa Marias a colar André Ventura a Donald Trump, ao invocar os acontecimentos de quinta-feira à noite nos Estados Unidos e o ataque ao Capitólio. Relembrou um tweet de Ventura na noite eleitoral das presidenciais americanas em que Ventura pedia a vitória do candidato republicano em nome da democracia. "A extrema-direita é igual em todo o lado", assegurou.

A candidata do Bloco reiterou ainda que não daria posse a um governo com um ministro do chega. "Um Presidente que respeite a Constituição não poderia dar posse a um Governo que envolvesse um partido segregacionista e que discrimina com base na cor da pele e com um ministro racista".

André Ventura manifestou-se em sentido contrário e apesar de "tudo fazer" para que os portugueses não votem no Bloco daria posse a um governo com o BE. "Não tinha a insanidade antidemocrática de dizer que não lhe daria posse". Acusou ainda o partido de Marisa de estar "sistematicamente e" contra as empresas e as famílias.

Sexta-feira, 8 de janeiro
Ana Gomes - André Ventura | TVI, 20:50
Marisa Matias - João Ferreira | RTP, 21:00
Vitorino Silva - Tiago Mayan | RTP3, 22:45

Sábado, 9 de janeiro
Marcelo Rebelo de Sousa - Ana Gomes | RTP1
Marisa Matias - Tiago Mayan | SIC Notícias
Vitorino Silva - João Ferreira | RTP3, 22:45

Terça-feira, 12 de janeiro
Debate com todos os candidatos | RTP, 22:00

Na última semana da campanha eleitoral volta a haver uma série de debates realizados no Porto Canal, nos quais Vitorino Silva - que tinha ficado inicialmente fora dos frente-a-frente televisivos (sendo posteriormente incluído apenas pela RTP) - enfrenta os restantes candidatos. As horas ainda estão por anunciar.

Domingo, 17 de janeiro
Vitorino Silva - Marisa Matias | Porto Canal

Segunda-feira, 18 de janeiro
Vitorino Silva - André Ventura | Porto Canal

Quarta-feira, 20 de janeiro
Vitorino Silva - Marcelo Rebelo de Sousa | Porto Canal

Quinta-feira, 21 de janeiro
Vitorino Silva - Ana Gomes | Porto Canal

Sexta-feira,​ 22 de janeiro
Vitorino Silva - Tiago Mayan | Porto Canal

Para dia 18 está ainda previsto o debate conjunto das rádios - TSF, Rádio Renascença e Antena 1.

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