João Ferreira cada vez mais  incontornável para suceder a Jerónimo

Comunistas continuam em perda eleitoral mas em Lisboa João Ferreira fez subir o score do partido, mantendo dois eleitos.

Um sabor agridoce - mas mais amargo do que doce. O PCP, principal partido da coligação CDU (Coligação Democrática Unitária, com o PEV) ficou assumidamente "aquém" dos seus objetivos - Jerónimo de Sousa assumiu-o no domingo à noite. Porém, em Lisboa, o candidato João Ferreira não só aguentou os dois mandatos que tinha no município como reforçou ligeiramente até a sua votação nominal. Em 2017, a CDU - já com Ferreira como candidato - obteve na disputa pela Câmara Municipal de Lisboa 24 110 votos e no domingo esse score aumentou para 25 520 votos. O único senão do resultado de Ferreira é que, tendo Moedas vencido, os votos que obteve não lhe deverão servir para reforçar o seu peso negocial enquanto influenciador das decisões no executivo camarário.

O facto de, na cada vez mais escura noite comunista, João Ferreira ter sido o único a brilhar, torna-o agora com uma referência praticamente incontornável como putativo sucessor de Jerónimo de Sousa à frente do partido. Falta saber quando isso acontecerá - mas sabe-se que Jerónimo de Sousa não quer para já deixar o cargo de secretário-geral. Nas próximas legislativas, em 2023 - se a legislatura for até ao fim -, o atual secretário-geral dos comunistas deverá ser de novo o cabeça de cartaz do partido. Pela ordem estatutária das coisas, o próximo congresso do PCP só terá lugar em 2024 - mas na verdade a mudança de líder até pode acontecer a qualquer momento porque quem a decide não é o congresso mas sim o Comité Central.

Nos mentideros comunistas o outro nome que era referido como putativo candidato a líder era o de Bernardino Soares. A circunstância de no domingo a sua recandidatura a Loures ter sido derrotada pelo PS afasta-o da corrida. Outro nome habitualmente referido era o do líder parlamentar, João Oliveira. Este tem porém a sua base eleitoral em Évora - e os resultados das eleições neste distrito foram no domingo um desastre para os comunistas. A CDU era a segunda maior força (no que toca a presidências de câmara) e passou a terceira, atrás do PSD, perdendo bastiões como Mora e Montemor-o-Novo.

No cômputo geral, a CDU passou de 24 câmaras para 19. Os comunistas perderam quase 80 mil votos, passando de 489 mil para 410,6 mil. O envelhecimento do eleitorado do partido continua inexoravelmente a afundá-lo.

joao.p.henriques@dn.pt

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