Em vésperas de voto antecipado, Costa apela aos indecisos, PSD mostra união

Líder socialista secundariza pedido de maioria absoluta em favor da polarização com o PSD, no dia em que o "papão" Pedro Nuno Santos surgiu na campanha. Na comitiva social-democrata Luís Filipe Menezes e Luís Montenegro juntaram-se a Rui Rio. Bloco de Esquerda e CDU apontaram baterias ao PS.

Nas vésperas do dia do voto antecipado, com mais de 315 mil eleitores inscritos para votar, o PS secundarizou este sábado o discurso da maioria absoluta em favor da polarização com o PSD.

Logo pela manhã, em Leiria, António Costa deixou um apelo ao voto dos indecisos, sublinhando a diferença entre socialistas e sociais-democratas em matéria de salários e impostos. "A questão não é saber se há ou não maioria, mas que política nós queremos para o país, o que desejamos para a nossa vida a seguir às eleições", defendeu o secretário-geral do PS, sublinhando que "são claras as alternativas que existem" - "O PSD ou o PS, que apresentam propostas muito distintas". "Peço às pessoas que ainda estão indecisas que reflitam e decidam qual o sentido do seu voto", apelou Costa, sem nunca responder diretamente sobre se ainda aspira a uma maioria absoluta nas eleições de 30 de janeiro. Com as sondagens a dar o PS em quebra, e o PSD a aproximar-se, o líder socialista atirou diretamente ao líder social-democrata - "o doutor Rui Rio já disse que é contra a subida do salário mínimo nacional e é contra a descida do IRS, talvez só para 2025 ou 2026".

À tarde, António Costa foi até Espinho, acompanhado por um socialista que tem sido referência assídua nos últimos dias por parte da oposição. Depois de Rui Rio ter chamado Pedro Nuno Santos à campanha - advertindo para um cenário em que Costa não assumiria a liderança do governo, deixando o lugar ao atual ministro e à ala radical do partido - , foi o próprio a responder: "Se o doutor Rui Rio acha que eu sou um papão, então só tem uma solução: votar em António Costa". O líder socialista reagiu com uma gargalhada. Antes, também já tinha feito menção ao aviso do líder social-democrata: "Aquilo que verdadeiramente seria um papão era um país governado pelo doutor Rui Rio".

Na comitiva social-democrata este sábado foi dia de mostrar união. Primeiro foi Luís Filipe Menezes a juntar-se à campanha - o primeiro ex-presidente do partido a juntar-se a Rio -, depois foi Luís Montenegro, adversário do atual líder em 2020. "O PSD está muito unido e coeso no propósito de vencer as eleições e dar a Portugal um Governo novo", afirmou Montenegro que, questionado sobre se voltará a ser oposição caso o atual líder não vença as eleições, remeteu a pergunta para o campo socialista: "O PSD vai ganhar as eleições, essa pergunta tem de ser colocada ao dr. Pedro Nuno Santos, à dra. Ana Catarina Mendes, ao dr. Fernando Medina, eles é que vão ter um problema de sucessão".

Já Rui Rio pegou no caso do adiamento do orçamento da Câmara de Municipal de Lisboa para sugerir que os socialistas não são de confiança: "Isto comprova que negociar com o PS é sempre na corda bamba, diz uma coisa e rapidamente faz outra, quando faz isto na principal câmara do país, facilmente faz também no Governo".

Esquerda critica PS

Em campanha a norte, Catarina Martins traçou uma linha vermelha para acordos com o PS, exigindo o fim da dupla penalização das pensões para quem se reformou entre 2014 e 2018, "uma medida fundamental de que o BE não abdica" - e o PS não aceita, ao que já garantiu António Costa. E foi precisamente aos socialistas que Catarina Martins apontou, acusando o PS de ser "o único partido" da antiga geringonça que "não dá sinais" de querer um entendimento.

Também na campanha da CDU se ouviram críticas aos socialistas, com João Oliveira a acusar o PS de "um enorme cinismo e hipocrisia" ao propor um debate sobre a semana de trabalho de quatro dias quando "ao mesmo tempo se empurram milhares de trabalhadores para bancos de horas que lhes roubam tempo para a família, desorganizam a vida e prejudicam a saúde". Não foram as únicas palavras críticas do dirigente comunista, num comício em Almada: "Não se combate a direita dizendo mal em palavras, ao mesmo tempo que se admite vir a fazer arranjinhos com a mesma direita que se diz querer combater".

CDS em Braga, sem Nuno Melo nem Telmo Correia

A campanha do CDS foi este sábado até Braga - onde Nuno Melo é líder da distrital e Telmo Correia (crítico da atual direção, que não integra as listas) foi eleito nas últimas legislativas. Nem um, nem outro estiveram presentes (Melo está em isolamento). Quem marcou presença foi Manuel Monteiro, antigo líder do partido, o que permitiu a Francisco Rodrigues dos Santos afirmar-se "um homem satisfeito, um presidente do partido contente com as pessoas que tenho cá". Reafirmando CDS como um "partido estruturante da democracia, fundador do regime", Rodrigues dos Santos sustentou que os centristas não podem ser substituídos por "partidos "fanatistas" populistas, nem por um liberalismo que é em tudo igual à esquerda nos valores e só se diferencia na economia, e não tem preocupações sociais".

Já a líder do PAN, Inês Sousa Real, avançou ontem que as "primeiras iniciativas" do partido, na próxima legislatura, serão na área da proteção animal e elegeu este tema como um fator de aproximação a outros partidos. O PAN - que admite apoiar um governo do PS ou do PSD - promete também não fazer oposição de "terra queimada", qualquer que seja o futuro Executivo.

Quem também esteve em Braga foi André Ventura, numa arruada em que foi interpelado por uma mulher cigana. "Não pode ser racista para os ciganos, somos seres humanos como os outros. Todos trabalhamos", disse Fátima Romero a Ventura, que disse não ser racista e que quer "que os ciganos trabalhem" como "todos os outros". "Mas nós trabalhamos. A sua etnia também tem uns que trabalham e outros que não trabalham", responderia ainda a mulher, de 58 anos - "O cigano é um ser humano como outro qualquer. Há ciganos doutores, médicos, há ciganos a trabalharem como assistentes sociais".

Já Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, esteve no mercado de Santa Clara, em Lisboa, onde defendeu que "Portugal desceu de divisão " - "Se António Costa fosse um treinador estava prestes a ser despedido e, no próximo dia 30 de janeiro, os portugueses têm mesmo a oportunidade de o despedir", afirmou o líder da Iniciativa Liberal.

Rui Tavares, do Livre, visitou o bairro Casal da Boba, no concelho da Amadora, onde alertou para a desmobilização do eleitorado de esquerda, apelando a que os partidos mudem o discurso e recentrem as críticas na direita. Com Lusa

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