Cerimónias fúnebres de Sampaio com paragem na Câmara. Três dias de luto nacional

As cerimónias fúnebres de Jorge Sampaio são de Estado e vão decorrer durante o fim de semana, entre o Museu dos Coches, a Câmara de Lisboa e o Mosteiro dos Jerónimos. O funeral será no Cemitério do Alto de São João. Um adeus a um político que recebeu elogios de todos os quadrantes.

Cerimónias de Estado e três dias de luto nacional decretado pelo governo pela morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio. E elogios de todos os quadrantes políticos.

As cerimónias fúnebres de Sampaio iniciam-se hoje, pelas 10h10, altura em que o corpo do antigo Presidente da República será levado para o antigo Museu dos Coches. Mas só pelas 12h00 é que se inicia o velório, aberto a todos quantos lhe queiram fazer a última homenagem. Filipe VI de Espanha e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, vão ser duas das figuras presentes.

O anúncio das cerimónias fúnebres foi feito ontem pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva (uma vez que é o seu ministério que tem responsabilidades protocolares do Estado), e preparadas por José Manuel dos Santos, antigo assessor cultural da Casa Civil de Jorge Sampaio (e do ex-Presidente da República Mário Soares também).

Antes de o corpo do antigo Presidente chegar ao Museu dos Coches, haverá uma homenagem na Câmara Municipal de Lisboa, onde Jorge Sampaio foi autarca, e em que estarão presentes tanto o presidente do município, Fernando Medina, como todo o executivo camarário e presidentes de junta de freguesia. Os populares poderão acompanhar o cortejo em várias artérias da cidade, como a Praça de Espanha, Av. António Augusto Aguiar, Av. Fontes Pereira de Melo, Praça Marquês de Pombal, Av. da Liberdade, Restauradores, Rossio, Rua do Ouro e Praça do Município.

As mais altas personalidades do Estado - Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e primeiro-ministro, António Costa - estarão presentes na homenagem que será feita pelas 10h45, quando o corpo chegar ao Museu, que se situa junto ao Palácio de Belém. A câmara-ardente será a partir das 12h00 até às 23h00.

No domingo, haverá uma cerimónia oficial, às 11h00, no Mosteiro dos Jerónimos, que também contará com a presença das mais altas figuras do Estado, que discursarão, tal como membros da família de Jorge Sampaio. Uma cerimónia que culminará com um momento cultural a cargo da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Teatro São Carlos.

A partir das 13h00 decorre o cortejo fúnebre até ao Cemitério do Alto de São João, passando pela Avenida da Índia, 24 de Julho, Ribeira das Naus, Praça Paiva Couceiro e Avenida Morais Soares. O corpo chegará ao cemitério pelas 13h30 e terá nova homenagem pelos três ramos das Forças Armadas. Depois será o tempo da cerimónia privada para a família do antigo chefe de Estado.

O ex-chefe de Estado estava internado desde o dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, após ter sido transferido do Algarve, onde tinha sido admitido com dificuldades respiratórias. A sua situação clínica tinha-se agravado nos últimos dias.

Um lutador pela "liberdade

As reações à morte de Sampaio vieram de todos os quadrantes políticos e sempre marcadas pela ideia de que foi um figura central da democracia portuguesa.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou Sampaio como "um lutador". "A causa da sua luta foi a liberdade e a igualdade", disse. Classificou-o ainda como "um grande senhor da nossa democracia, um grande senhor da nossa Pátria comum".

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que "exerceu as suas funções políticas com o mesmo sentido cívico, de militância, de convicção com que em 1962 assumiu a liderança do movimento estudantil de combate à ditadura e nos últimos anos, já não tendo nenhuma função oficial, assumiu o encargo de lançar uma grande plataforma internacional para que os refugiados sírios pudessem prosseguir os seus estudos universitários e concluí-los com sucesso".

Para António Guterres, seu amigo, foi uma figura "central" da democracia de Abril, um "incomparável homem de Estado" que deixou uma marca "decisiva" na luta pela paz e no diálogo entre civilizações. "Foi um amigo querido e um companheiro de luta em tantos momentos decisivos para a vida do nosso país. Nunca poderei esquecer a forma como juntos trabalhámos noite e dia, em uníssono, para evitar uma terrível tragédia para os timorenses e permitir a independência de Timor-Leste", observou o secretário-geral das Nações Unidas.

Cavaco Silva - que disputou e perdeu as presidenciais de 1996 com Jorge Sampaio - afirmou que "o povo português tem todas as razões" para o "admirar e honrar".

O antigo primeiro-ministro José Sócrates destacou a grande admiração pelo socialista: "Como todos os que partilharam a vida política com Jorge Sampaio, estou dominado pelo silêncio do espanto pela morte de alguém que admirava. Era um homem de espírito, culto, divertido e encantador no convívio. As memórias que tenho dele são de uma relação entre Presidente da República e primeiro-ministro que foi além da política e se tornou uma relação de estima, consideração, admiração", disse ao DN.

E até Pedro Santana Lopes, que viu o seu governo dissolvido pelo então Presidente Sampaio, preferiu destacar a "forma cordial" com que sempre se deu com ele.

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