Catarina Martins defende recusa de fundos públicos a empresas com ligações a 'offshores'

"Os offshores são uma forma de quem é rico não pagar impostos e não cumprir a lei", defendeu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu esta segunda-feira que é de "elementar justiça" que empresas com ligações a paraísos fiscais não tenham acesso a fundos públicos, nomeadamente ao Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).

"Vem aí o Programa de Recuperação e Resiliência, achamos que empresas ligadas a 'offshores' não podem ficar com esse dinheiro", declarou Catarina Martins.

A nova investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação identifica três políticos portugueses com "segredos financeiros", que o semanário Expresso diz serem Manuel Pinho, Nuno Morais Sarmento e Vitalino Canas.

Questionada pelos jornalistas, à saída de uma reunião com trabalhadores da Altice que recusam o processo de despedimento coletivo em curso na empresa, Catarina Martins considerou que "os offshores são uma forma de quem é rico não pagar impostos e não cumprir a lei".

"Vamos ser absolutamente claros, o facto de existir sempre gente com responsabilidades políticas nos partidos que têm alternado no poder ligados a estes processos, mostra bem porque é que tem sido sempre tão difícil alterar a lei, como o BE tem vindo a propor", disse.

A líder bloquista considerou "extraordinário", que Morais Sarmento, vice-presidente do PSD, assuma "com muita candura, até, que usou um 'offshore' para não cumprir a lei".

"Quem põe dinheiros nos offshores está a fugir à lei e está a roubar o país"

Lembrou que "cálculos feitos por entidades internacionais dizem que aquilo que Portugal deixa de receber por ano em impostos por causa dos 'offshores' é equivalente ao que seria necessário para pagar um ano de salário a 50 mil enfermeiros".

"Quem põe dinheiros nos offshores está a fugir à lei e está a roubar o país e é por isso que é preciso atuar, digo mesmo que é de elementar justiça que empresas com ligações aos offshores não tenham direito a acesso a fundos públicos", acrescentou.

A nova investigação do consórcio (ICIJ, na sigla em inglês), chamada "Pandora Papers", põe a descoberto os "segredos financeiros" de 35 líderes mundiais (atuais e antigos) e de mais de 330 políticos e funcionários públicos, de 91 países e territórios, entre os quais Portugal.

Os três portugueses na lista dos Pandora Papers prestaram esclarecimentos ao Expresso. Morais Sarmento justifica o acesso a uma companhia 'offshore' com as "limitações" aos estrangeiros existentes na altura em Moçambique, Manuel Pinho diz não ter "nenhum rendimento por declarar às autoridades fiscais seja de onde for" e Vitalino Canas assegura que o caso referido se insere na prática de advocacia "nos termos da lei portuguesa".

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