Campanha com a "situação dramática" nos hospitais, Marcelo e até Trump

Candidatos estiveram focados na questão dos números da covid-19.

A "situação dramática" nos hospitais devido à pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa e Donald Trump entraram este domingo, em força, na campanha para as presidenciais, disputadas em pleno pico da epidemia e com o país em confinamento geral.

No dia em que milhares de pessoas exerceram o seu voto antecipado, uma semana antes das eleições, foram muitos os argumentos dos sete candidatos ao longo do dia, como a crítica de Ana Gomes a Marcelo, que responsabiliza pela subida dos "adeptos de Trump", em que também se ouviram apelos do liberal Tiago Mayan Gonçalves, da bloquista Marisa Matias e do comunista João Ferreira para que seja dada uma resposta forte à epidemia, que só hoje fez mais 152 mortes.

O Presidente e recandidato com o apoio do PSD e CDS também entrou no debate sobre a "situação dramática" nas estruturas hospitalares, após uma visita ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde se formaram, nas últimas horas, filas de ambulâncias com doentes para as urgências.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu um agravamento de medidas, considerando que o confinamento não está a ser levado a sério, e declarou-se sujeito ao escrutínio dos portugueses pela gestão política da resposta à covid-19.

"Pode ser necessário ir mais longe no fechamento de atividades que ainda ficaram abertas, como sinal à sociedade", declarou Marcelo aos jornalistas, adiantando que, "se for preciso reponderar medidas, o Governo naturalmente terá o apoio do Presidente da República".

Na manhã de campanha do oitavo dia, depois de encontro com seis precárias do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), numa escola no Porto, a candidata do Bloco de Esquerda criticou as autoridades e os poderes públicos em Portugal por terem falhado na preparação da nova vaga da pandemia.

Face aos números recorde de mortes e infetados com o novo coronavírus e às notícias de filas de ambulâncias à espera nas urgências dos hospitais, Marisa apelou aos portugueses para que cumpram o confinamento devido a esta situação preocupante e trágica e deixou uma pergunta que é também uma crítica ao Governo do PS.

"A requisição dos privados está prevista na Constituição, está prevista na Lei de Bases de Saúde, está prevista no estado de emergência. Se não é agora que vão fazer a requisição de todos os meios disponíveis - sejam privados, sejam sociais, seja o que for - quando é que vai ser?", questionou.

Do outro lado do espetro ideológico, Mayan Gonçalves, apoiado pela Iniciativa Liberal, fez uma crítica idêntica ao dizer que é "absolutamente incompreensível" que o Ministério da Saúde ainda não tenha usado "toda a capacidade instalada de Saúde existente em Portugal, nomeadamente do setor privado e social".

"É absolutamente incompreensível, é quase desesperante que isso não esteja a ocorrer ao dia de hoje", em que se chegou a "um cenário quase de guerra" em hospitais como o de Torres Vedras, Santa Maria ou Garcia de Orta", disse.

Voltando à esquerda, João Ferreira, o candidato apoiado pelo PCP e Verdes, admitiu que pode ser necessário requisitar serviços privados de saúde para acorrer a uma situação que classificou como sendo "de emergência".

"Todos os meios, mas todos os meios mesmo, devem ser mobilizados para assegurar a resposta que seja necessária, inclusive aqueles que, estando previstos no Orçamento do Estado, ainda carecem de concretização no Serviço Nacional de Saúde, incluindo, se necessário, requisitando, como está previsto na lei, como já se fez, nos últimos meses já por diversas vezes, também serviços privados", afirmou, à margem de um encontro com trabalhadores de grandes superfícies comerciais, em Lisboa.

Ana Gomes, que admitiu que "com certeza" o Governo tem algumas culpas na gestão da pandemia, voltou a focar as críticas em Marcelo Rebelo de Sousa, a quem acusa de dificultar o uso da requisição civil dos privados na saúde.

Mais à margem deste tema, a socialista que tem o apoio do PAN e do Livre fez uma nova acusação ao Presidente recandidato, acusando-o de ser responsável pela "subida dos adeptos de Trump em Portugal também no nosso país, desde logo normalizando as forças políticas que fazem de Trump um herói e que seguem a mesma metodologia".

E no fim do dia, a ex-diplomata recebeu palmas de apoio de membros da comunidade cigana num bairro social em Porto Salvo, e comparou André Ventura, o candidato do Chega, a "aldrabões de feira que vendem banha da cobra".

Muito a Norte, a primeira ação de Ventura foi em Guimarães, distrito de Braga, com um comício no Campo de São Mamede, junto ao castelo, onde, mais uma vez, teve uma manifestação de antifascistas, sob vigilância das forças de segurança.

Pelo segundo dia em telecampanha, a partir de Rans, Penafiel, o candidato Vitorino Silva esteve a conversar, "on-line", com emigrantes portugueses que relataram dificuldades no acesso ao voto, considerando que "não podem ser menos pessoas" quanto às eleições.

"Os emigrantes portugueses não podem ser menos pessoas do que eu, que sou candidato presidencial, ou do que Marcelo [Rebelo de Sousa]", disse Tino de Rans, que também é dirigente do RIR (Reagir, Incluir e Reciclar).

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