Vacinação a 5 de Janeiro? Costa quer estratégia "justa" que permita "chegar no mesmo dia a toda a Europa"

Primeiro-ministro garante que "compra comum conjunta de vacinas assegurará que chegam no mesmo dia a todos".

O primeiro-ministro defende coordenação na União Europeia para uma estratégia de "vacinação justa", que possa "chegar no mesmo dia a todos os países", que devem a partir de agora estar preparados para "aquilo que é a grande prioridade da humanidade no próximo ano e da Europa no próximo semestre", em que Portugal assume a presidência rotativa da União Europeia.

Confrontado com a data de 5 de janeiro, anunciada pelo chefe do governo federal da Bélgica, o primeiro-ministro português, não revela a data concreta no caso de Portugal, mas confirma que a estratégia está coordenada entre todos os países da União.

"Compra comum conjunta de vacinas assegurará que no mesmo dia as vacinas sejam distribuídas em todos os estados membros proporcionalmente à sua população. Nas sucessivas tranches que se desenvolveram ao longo dos meses de 2021", afirmou, remetendo para "o dia de amanhã", quinta-feira, em que a data será anunciada.

Esta quarta-feira, no final de uma reunião com o presidente do Conselho Europeu, em que elegeu a vacinação como "a prioridade" do período em que Portugal assume a presidência rotativa da UE, considerou que que o desafio é "conseguir garantir que temos disponível uma vacina", a qual deverá cumprir critérios indispensáveis, no plano europeu.

"Que seja [uma vacina] segura [e] que tenha uma eficácia efetiva para travar a Covid", disse, relativamente aos testes que estão em curso, apontando ainda a etapa logística, "que nos permita e a partir daí assegurar uma vacinação justa que assegure uma imunização global contra a Covid".

António Costa falava hna apresentação do programa da presidência portuguesa da União Europeia, numa ligação em direto para o parlamento Europeu, tendo destacado a agenda internacional, a recuperação económica pós pandemia, e os aspetos da política social.

"Se o pilar social já era importante, agora, no atual quadro da pandemia, é mais importante ainda, e ficou muito claro que a União Europeia tem que ter uma política de saúde, tem que ter uma visão comum sobre saúde, e tem de haver uma maior coordenação na saúde", vincou, acrescentando que essa estratégia de coordenação na saúde até já permitiu alcançar resultados.

"Foi assim que temos conseguido enfrentar esta pandemia, foi assim que conseguimos desenvolver um processo de compra comum da vacina, de distribuição comum da vacina, e de assegurar a imunidade coletiva à escala europeia", disse.

António Costa partilhou a apresentação com o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, o qual elevou as expectativas quanto aos próximos seis meses, considerando que "as presidências portuguesas criaram o hábito de enfrentarem desafios importantes e criaram a capacidade para a Europa ser mais eficiente", dando o Tratado de Lisboa como um dos exemplos.

Ao longo dos próximos seis meses Portugal deverá também colocar em prática o plano de recuperação para a Europa, com base no Quadro Financeiro Plurianual e e no Fundo de Recuperação e Resiliência. Mas, para que tal aconteça, a presidência alemã terá de "concluir com sucesso" todos os dossiers "muito difíceis" que estão em aberto.

"A conclusão das negociações do brexit, a aprovação definitiva no Conselho do próximo Quadro Financeiro Plurianual e o NextGenarationEU", são exemplos de dossiês que António Costa quer ver fechados até ao final do ano, pela presidência alemã.

O caso particular da aprovação "global" do pacote de dinheiro europeu vai marcar as discussões da próxima cimeira europeia, depois de a Hungria e de a Polónia se recusarem a aprovar a parte relativa aos novos recursos próprios do orçamento da União, por discordarem que haja uma relação entre o cumprimento de regras do Estado de Direito e o desembolso de dinheiro europeu.

"Não há plano B que não seja aprovar o próximo Quadro Financeiro Plurianual e o mecanismo de recuperação e resiliência no próximo Conselho de 10 e 11", afirmou António Costa, numa altura em que Angela Merkel, enquanto presidente de turno da União Europeia, negoceia uma forma de aproximar pontos de vista.

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